O bem do mundo

O bem do mundo (de Sergio Santeiro).

Eu sim, eu não! Minha cabeça não é cabeça de pilão! Acredito sim na verdade mesmo que só a encontremos por pouco precisamos comungar com ela. Não é o que fazem os cientistas? Não é o que fazem os poetas? Nós também quem sabe sem nem um dom nem outro podemos roçar-lhe as vestes ou talvez a pele nua.

Faz bem. Dá-nos um enlevo. Descobrir que a galinha precede o ovo! Já pensaram como isso confirma a liberação sexual dos anos sessenta? Ou foi o rescaldo da bomba atômica ou que dizer dos testes subterrâneos? Subterrâneos deve ser pior deve trucidar os nossos irmãos intraterrestres. No ar a coisa vai pelos ares. Os ares são os invólucros da terra assim como nós somos os invólucros de nós mesmos.

Imagine o estrago! Qual nada, o que mais tem no universo são explosões atômicas. Como é que você acha que as galáxias andam? Pois é, mas isto é lá naquele mundão que dizem que é infinito. Infinito, como? Pois é, enquanto isto, neste nosso mundo finito são intermináveis as sequelas das violências publicas e privadas.

Precisa-se abolir a violência. Custe o que custar, menos por óbvio, o emprego de mais violência. O mal com o mal não se cura se abastece. O humano tem que ser intocável não como na Índia para que se lhe faça o mal mas para que se lhe faça só o que consentir. Pode-se?

Tocar demanda o consentimento. Direis! Mas isto é muito subjetivo. De fato mas precisamos educar o subjetivo para que ele não contrarie o objetivo. O bem da fusão carnal se deve à junção do subjetivo com o objetivo de cada um dos dois ou, sei lá, de mais. As explosões carnais não são como as  atômicas, ou são?

Se pudéssemos ver como em um filme as miniminiúsculas pulsões de células, elétricas, ar bom, ar ruim, sangue bom, sangue ruim que vão e vêm em alucinada carreira. Alucinada mas rigorosamente certeira senão o paciente morre.

Como um filme podemos ver e vemos, já se fazem tantos por aí, felizmente. Na realidade o que estamos é contidos na nossa própria escala humana de 1,40 m a 2 ou pouco mais para os adultos. O nosso ponto de vista à altura de nossos olhos é que nos permite ver o mundo. E não precisa e nem se consegue vê-lo todo, o vemos até o entorno de uns 100 metros ou quantos forem.

A dimensão de nossa visão do mundo não é lá essas coisas mas é nesta proximidade que consiste a vida, começando ou acabando de perto, muito de perto. Mesmo quando se morre de longe como com a bomba atômica morremos porque a radiação nos encosta.

Tivéssemos um escudo como tem a alma com o nosso corpo estaríamos refratários à radiação, à contaminação, à morte que vem de fora e ficaríamos apenas com a que vem de dentro, o colapso múltiplo dos órgãos. Sem dúvida, esta é a bela morte.

Não quero viver mais do que ninguém. Queria ser centenário. Menos ainda quero morrer tocado pela bomba. Quando fôr a hora, sambas e lombos é o que quero no meu funeral.

Sergio Santeiro (santeiro@vm.uff.br).

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