Ser idoso

A última mas não a primeira, nem a segunda, crise teve inicio, a meu ver, quando manifestei há uns 2  ou 3 meses a Ela o meu temor de não conseguir mais manter a casa com as mais 6 pessoas que constituem a familia dela.

Nestes 30 anos sempre me esforcei por acompanhar e suprir material e afetivamente a criação de seus dois filhos então menores, hoje com 32 e 35 anos respectivamente. Atravessamos momentos difíceis na relação com o pai e os dois filhos. Até o segundo filho de seu primeiro casamento foi igualmente acolhido e nutrido por mim quando necessitou ainda jovem.

Ùltimamente tenho com o mesmo empenho acompanhado e garantido a criação dos dois netos mais próximos que acabaram por morar conosco.  Infelizmente a retribuição tem sido terrível além do rastro de sujeira e bagunça que  os adultos promovem pela casa inteira a qualquer hora e de qualquer maneira.

Ao reclamar da cozinha suja que sempre deixam dias a fio sem lavar nem um copo acabo ameaçado pelo caçula hoje enorme com uns 2 metros por 3, marombeiro e vitaminado, e secundado pela irmã tampouco franzina. Fazem côro na bagunça e ameaçam-me fisicamente.

Sou um senhor de quase 66 anos que jamais fui sequer acusado de agressão a quem quer que seja. Fico triste ao ver que se queira agir assim comigo ainda mais na minha própria casa que partilho com a mãe deles.

Não creio que tenham direito a ocupar a casa a minha revelia e do jeito que fazem com a sobrecarga dos serviços e das contas de luz, gás, água, alimentação etc. Nestes últimos três meses inesperadamente não tenho trocado mais que três frases com Ela e finalmente há mais de um mês arrumou malas e não tem aparecido em casa.

Em sua ausência a insistência intempestiva dos enteados em prejudicar o funcionamento da casa motivou forte discussão e novas ameaças. Para minha surpresa Ela retorna e toma o partido dos filhos contra mim recusando-se a discutir o que mais me preocupa que é a impossibilidade de continuar mantendo a casa práticamente sózinho.

Novas discussões e exaltações de parte a parte e parece que chegamos ao fim. Os filhos dela e seus pares continuam aqui atrapalhando tudo, luzes acesas, televisões ligadas, portas e janelas abertas, etc, agravando ainda mais o custo de manutenção da casa que apesar de solicitados mãe e filhos jamais se dispuseram a considerar. Finalmente este mes repassei uma ou outra despesa para o novo companheiro da enteada e parece que assim se sentem ainda mais agressivos e desordeiros.

Imagino que apenas Ela e eu temos direito ao abrigo e suporte da casa, afinal os demais tem pais e parentes vivos a quem solicitar além de nós neste momento de impasse. E como persiste o ambiente de permanente ameaça requeiro alguma providencia acauteladora enquanto  Ela e eu nos separamos sem litígio afinal temos em comum somente a casa.

Apesar de muito apegado à casa  que construí com as minhas próprias mãos concordo em vender a minha parte por um valor compatível com o imóvel e minhas necessidades eliminando-se o vínculo que nos resta.

Enquanto isso é necessário que os agregados se mudem daqui no máximo ao final do ano letivo das crianças que não podem ser prejudicadas. Não há como nem porque protelar a convivência impossível e agora danosa entre nós.

Comments are closed.