É do baú

É do baú (de Sergio Santeiro).

Olha o que eu achei no meu, acho que é de 1976.Ao entrar na faculdade de sociologia em 64 conheci através do Luis Costa Lima, entre outros, o pouco conhecido e grande poeta maranhense Joaquim de Sousa Andrade que poetizou o próprio nome assinando-se Sousândrade. Falecido em 1904 pertenceu à última fase do romantismo e foi um precursor do modernismo que teve em Oswald de Andrade um de seus principais expoentes. Oswald chamava-se por inteiro José Oswald de Sousa Andrade.

Desta curiosa coincidência cunhei o “J. Sousândrade a J. Oswaldândrade” e além dos filmes que a eles dediquei: “O Guesa” e “Klaxon” respectivamente, e que podem ser vistos em www.youtube.com/sergiosanteiro, montei êsse quebra-cabeça para o deleite de vocês, amigos leitores. Boa viagem.

BOLETIM MARCO ZERO
o bis-coitinho de Ma-dame
de J. Souzândrade a J. Oswaldândrade
cum -venia

Como na escola. As crianças trazem para casa o que os mestres-sala julgam de seu aproveitamento nas aulas. Português 4. Inglês 8. Matemática 6. Ciências 6. Conhecimentos 4. Moral e Cívica 3. Comportamento 3. O boletim dá o marco, é o conceito-sociedade de seu desempenho-evolução. A régua é a palmatória.

Metamo-nos na escola-sacola. Todo o feito gutural passa pelo imprima-se diapasão de um concenso dito social que outra coisa não é que a lucro-lógica de um  sistema funil reverso maximizando apropriação faz o consumo dirigido-em-bloco padrão gerente de avaliação: consagra o jus-júri. A estética-estática instrumento melhor manutenção  controle em crescimento assume semi-novas máscaras corpos velhos. Invertido: a criação é conferida pelo consumo.

Remetamo-nos à escola. O boletim afere as atitudes do aprendizado por um critério que oposto é a negação do seu – armado pelos que não aprendem. O marco é zero. Como o nosso. Regulam a produção gutural pelo eco onde querem ouvir. Depois de alguns anos de harmonia duvidosa em que mesmo opondo-se não estava em causa o marco de avaliação nós reincidimos e os mestres-sala mudam o tom. De 5 (aval de tolerância) para 0.

Meta-metamo-nos na escola. Virar a escala. Tomar a si o que é seu. Nós faz nós traz nós leva. O zero é nosso.
Distintivo de classe. Avaliar nós mesmos. Na beirada da consciência. Extremo limite define o ser. Serve como passe. Permite distinguir.

A mil passos repleto o estoque material de ensino-realidade. O saque é livre. Sem posse. Nada é novo. Traduzir-trair em todos dialetos. No caminho do conhecimento.

Sergio Santeiro (santeiro@vm.uff.br)

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