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Desaforos

quinta-feira, janeiro 20th, 2011

Desaforos (de Sergio Santeiro).

Só faço em casa o que não puder fazer na rua

Dois dias pós-meu três dias pré-cristo dois anos menos

Alegre depois vira vinagre

É só pegar

Tempo não é dinheiro

Não se pode mudar de assunto

A tua boca de cima me faz esquecer a tua de baixo

A página virada deve-se arrancá-la rasgá-la ou deixá-la esvanecer-se?

Quem bica é bicão

Será que ela vai me dar aquela coisa gostosa que já me deu?

Já foi uma por dia hoje é  quase nunca nenhuma

Ao preço de uma dá pra comprar até duas

Dispenso-me as referencias nunca acabam

Quem só vê números nunca sabe que horas são

Logo agora que eu já estava engatando a ré

Qual é o sentido do sentido?

Se os mais pobres vivem com tão menos por que alguem há de embolsar tão mais?

Pra tudo há limites

Nem tudo é perfeito

O detrás é cego

O mal mente

Me chamou de puta. Ouviste mal chamei de pura

Não me ameaça que eu encaro

Não queres conhecer minha coleção de garrafas vazias?

Homem não dá presente pra mulher do casal parece insinuando-se

Por onde raios me içam

Não não pode ter plural

Não posso não quer não sei  não senti

Ando na rua na esperança que você passe por lá

Pensei que a nuvem fosse tu

Perdi minha rotina

Caí no chão

Lambo a ferida

A chuva molha

Eu sou mais eu

E afinal o fim

Sergio Santeiro (santeiro@vm.uff.br).