A 1a.

A 1a. Pronta Ação Audiovisual do Rio de Janeiro (de Sergio Santeiro).
(veja em http://www.youtube.com/watch?v=QFehxdUx7ww)

E fomos. Não éramos tantos mas éramos muitos. O ponto era o Stic: o  sindicato dos trabalhadores e não o dos patrões, esses burgueses que  se insinuam e desviam a vocação popular do cinema brasileiro para  essas ridículas pegadinhas de mercado do cinemão que às vezes, uma em  cem, até podem dar dinheiro mas arranham a formação da consciência  brasileira induzindo-nos felizmente sem sucesso à alienação da  realidade brasileira.
Copiam o formato dos invasores sendo assim seus cúmplices na dominação  do nosso mercado pela estética da violência. Debalde, a nossa é a  estética da fome, essa maravilha lançada em 65 por Glauber que além do  grito de guerra “uma camera na mão e uma idéia na cabeça” mudaram o  cinema no Brasil, na nossa América e no mundo, com ninguém menos que  Godard de aliado na encruzilhada do Vento do Leste.
Nem precisaria fazer os gloriosos filmes que fêz mas fêz, bastaria sua  revolução téorica para nortear nossos passos que pisaram ontem o Largo  de São Francisco com as sujas e maltrapilhas gerações de mendigos,  umas três, contando a que estava na barriga dessas mães. Pobres mas  atentos dizendo-nos o que precisamos ouvir.
A praça é do povo e não desses parvos mercenários que acham que a  cultura é um negócio, cinegócio, filmenegócio, e não é, a cultura é  onde o povo está, é o que o povo precisa para varrer os vendilhões de  nosso templo do cinema brasileiro que desde o início há mais de 100  anos veio para nos libertar a todos das sucessivas invasões  estrangeiras os portugueses, os franceses, os ingleses, os americanos  e quem mais vier.
Nós sim, eles não, precisamos levar à ministra, uma artista  independente, que como dizia o slogan pretérito, se este é um país de  todos tem que ser um país para todos e não só para esse cinema,  burguesinha, burguesinha, burguesinhá. A cultura não é a dos palácios,  no Rio, Sampa, Brasília e do Oiapoque ao Chuí.
Os palácios tem que ser abertos para abrigar os desabrigados. Os  burocratas se insistirem em existir que troquem de lugar com os  favelados, ao menos um mínimo de dignidade, para aprenderem que a  vida, a arte e a cultura é a que vive nas ruas e não em seus malditos  gabinetes refrigerados.
A cultura é como bate o coração dos deserdados da sorte morando e às  vezes morrendo à frente destes lupanares centros culturais oficiais,  desperdícios que querem escondê-los de nossos olhos como se fôssemos  covardes e traidores para ganharmos a vida que a êles negamos.
Seja este o governo que faça o que nenhum, nenhum, dos anteriores fêz.  Tem que circular todos os filmes realizados por brasileiros, filmes  bons ou maus, melhores ou piores, como o petróleo que dizem que é  nosso, e esse tal de petrosal que se não forem para redimir o povo  brasileiro melhor que fiquem enterrados, essa água suja que suja e  dizimará o planeta.
O cinema brasileiro é o que liberta o povo ou não é nada. E está  pujante entupindo as gavetas enquanto o poder tira ouro do nariz.Não  adianta prêmios nem discursos, essa festa de merdalhas, não passarão,  nós passarinho.

P.S: Assim não pode (Ditadura do P-Sol:Manifestação de ambulantes no dia 10-02-2011 no bairro de São domingos em Niterói quase termina em linchamento de dono de comércio e secretário de governo devido a ativismo político irresponsável de militantes do P-Sol e seus lideres – veja em http://www.youtube.com/watch?v=kfM_cK9h3WY)

Políticos não podem insuflar conflitos sociais. Têm que resolvê-los. A farsa do trabalhismo getulista gerou a multidão de desempregados que só fez crescer empurrando-os aos milhões pelo país afora a montarem suas barraquinhas a vender qualquer coisa para sobreviverem. Estão errados? Não.

Tampouco estão errados os comerciantes legais. Quem está errado são os governos que se sucedem sem olhar e atender às necessidades da população. Preocupam-se apenas com as mordomias dos capitalistas seus cúmplices e parceiros ao invés de criarem o ideal liberal do pleno emprego para todos. O desemprego é o maior flagelo da sociedade e a maior responsabilidade de quem se arvore por vaidade ou ambição em representar o povo nos governos.

Um partido mesmo de oposição é parte do govêrno e não pode acirrar conflitos de interêsse na base da porrada. Quem já viveu sabe que a violência é uma  arma da direita. Espero que vocês tenham propostas mais construtivas. E se não tiverem aprendam.

Sergio Santeiro (santeiro@vm.uff.br).

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