Queixumes

Queixumes (de Sergio Santeiro).

Você só quer me comer

A pancada também fere a quem bate

Esqueci-me de ti

Eu tenho que dar? Só o que tiveres de melhor

Imagina uma mulher que diz que não te quer por todos os meios menos o verbal

Nada que eu faço faz mal

A minha gata é a mulher ideal

A qualquer momento se mandar parar eu paro

Se for pra ser há que ser publico e notório

Chega perto e se afasta, qual é?

Eu só quero o que você quer

Meu bem pague a prenda ao predador

Ajoelhar nem rezando

Manda cortar

A gata é boa de boca

Dói dar a cara a tapa

Devemos cultivar as diferenças

Só faço na rua o que não puder fazer em casa

A melhor medida na vida é o que não se pode fazer

Ideal irreal

O que não pode não pode

Fique com o meu luxo e deixe-me o teu lixo

Aonde está minha atenção?

Pior que o abatimento moral só o financeiro

Suplico que ninguém se aborreça comigo

Nada a dizer-se

Recebi a mais brutal ofensa: ninguém quer me ouvir

Você acha que eu atrapalho

Na casa deixada por quem abandonaram ficaram os que o abandonaram

O amor é incondicional

Menos é mais

Chifrado tenho onde exorcizar nas minhas guampas

A gente tenta, tenta, nem sempre a bola entra

Sem assédio: és uma mulher interessante

Eu não acabei de tomar o gostinho que eu tomei

Tarde é quando a coisa passou

Perde de um lado compensa de outro

Nuvens somem sem querermos

Você seria meu melhor premio nesta noite

Alguma hora o tempo há de passar

Não vou denegrir ninguém nunca com o passado

Com o outro do lado fica complicado

Acontece o imprevisível

Não dá pra ficar chorando na cama

Meu sucesso é irmão do meu insucesso

Pena que pra isso perco o calor do teu corpo

Até a mim mesmo sobrevivo

Se você for não vou

Vou comprar uma mulher de plástico

Sinto-me soberano e irresponsável

Não o que sou mas o que sinto

O que mais falta me faz é o encosto

Ela não quer sequer ser alvo da minha sedução

Só tá me faltando alguma coisa para eu bolinar

Que coisa fantástica a vida onde nunca me faltou o essencial

Ando pela casa que sempre foi minha

Você está muito disponível demais

Sobreviver é a maior vitória possível

Você seria o meu melhor consolo

A vida é a única escola que existe

Voltei pra ver a lua, nu, uma tiquira numa mão um baseado na outra aí ouvi no morro atrás de mim o canto da coruja sou ou não sou um abençoado?

Estou doido  para estreitar-te em meus braços

É tarde a tiquira resiste e eu também

Você quer que seja passado

Ela delira

O outro também pode namorar

Lá eu tinha a paróquia, eu prefiro, aqui eu tenho a metrópole mas com uma floresta nas minhas costas

Não fique brava se eu te encosto

Eu não só mas também

Dou de bico ou de trivela o que quero é fazer gol

Sergio Santeiro (santeiro@vm.uff.br)

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