Desejos

Desejos (de Sergio Santeiro).

Ela olha pra trás de  viés como se quisesse ser acossada

Eu sou uma droga que você está dosando a sua conveniência

Nem sei se a moça quer eu quero

Embevecidos em plena praça das duas uma ou vais pra lista das minhas conquistas ou vou pra dos idiotas

Bambuzais ao longe sua voz ao vento aos meus ouvidos chega

Não vais querer discutir comigo na hora h

Distancias podem ser vencidas

Se é pra morrer pelo menos se viva com tesão

Quero ver você  desarmada

Não posso dar o  que não tenho

Na  primeira comi os três da sapatinha

Quero provar  até o fim este teu jeito de princesa

Tua boca tem que ser escrava do meu desejo

Estou treinando para encher de vulgaridades até os teus ouvidos

O que hoje é ruim amanhã pode ficar pior

Depois de trinta anos é engraçado estar sempre só

Precisava falar isso?

Benhê tá na hora da mamadeira

Na ética do interior observei todo mundo serve os mais velhos

Se engatar não para

Vai gozar por todos os poros mas vai comer na minha mão

Não sou o único que te cerca

Meta-se com a tua vida

Nem uma migalha de orgulho restou-me

O único pantagruel que quero no momento é aquela bem grudada em  mim

Olho no olho a gata brinca comigo

É pouco! Mas é o que você vai ter

Esse monte de janelas dando pra esse monte de janelas

O eclipse é quando o sol come a lua e ela engole o fogo dele

Eu dentro de tuas pernas

Quando se escreve não é um jogo de palavras é o seu jogo de palavras

É preciso cuspir para enterrar o cacete

Ninguém é mais nem menos que ninguém

Coração a bater na boca das meninas

Não a do próximo a da próxima pode

Não adianta prender é melhor soltar

Os de dentro somos os de fora

Lembranças aos aimers

Ninguém é de mais ou de menos que ninguém

Esmola ofende mas é necessária a quem recebe e a quem dá

Não atirem a primeira nem as seguintes nem a última simplesmente não atirem

Coisas sérias e outras nem tanto

Precisava de um rodízio de mais duas voluntárias

A mesa vira cama vira mesa vira cama vira mesa

Mais pede quem menos pode quem mais pode  menos pede toma

Esqueci de perguntar sua graça

Ninguém pode comer ninguém sózinho

Restos de ontem almoço de hoje

Rememos sem rumos sem remos

Elas não querem que eu tenha maus pensamentos

Elas não querem que eu tenha meus pensamentos

O barato da mulherada é me sacanear como se eu ligasse

Ao chegar vou rasgar tua fantasia

Sergio Santeiro (santeiro@vm.uff.br)

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