Archive for abril, 2011

Quereres

quinta-feira, abril 21st, 2011

Quereres (de Sergio Santeiro).

Sempre pisei nas melhores pegadas

A boca ansiosa por sexo

Palavras são átomos, missão: precipitá-las

Não pise o meu chão com sapatilhas

Que a última não fosse a última

Que a próxima não demorasse

E que eu soubesse esperar

Não me brindem com bebida pouca

Cada vez foi menor entre o abraço e o rechaço

Gosto de aceitar convites

Apaixonadas exultam na calada do dia

Queria  dar-te o meu  melhor só sobrou o pior

Bebes da minha fonte

Mais quero menos ganho

Por que faço ponto entre putas e turistas?

Mulheres flertam com homens do lado

Não vais entrar porta adentro antes que eu durma

Não vais chegar como antes sem que eu saiba

Tenho que marcar, combinar e esperar

Só falta não quereres quando eu quiser

A vida espera que me dês atenção

O olhar prometia a mão me empurrou

No meu sonho era como se tivesses chegado

Dai-me o benefício da dúvida

Chorei porque não te via chegar

Mais quero menos vens

O cara achou que era com ele

Carapuças não me cabem

O convívio é que faz bem

Quem bate à porta merece resposta

Faço por gosto não por obrigação

Nem tudo já foi dito

Em casa vazia não cabe ninguém

Mal, bem, bem mal

Há quem queira o que não queres

Perco a guerra mas não perco a pose

Cansei de esperar que esperes por mim

Na tua falta revirei nossas lembranças

Antes era difícil agora ficou pior

Ninguém sente a minha falta

Joguei fora o último traço que me ficou de  você

Muitos são os que duvidam

Não vou correr pra não quebrar a  cara

Não se deve deixar águas passarem

No começo era bom mas no final acabou

Meu lamento fez-se chuva

Não alcanço o que não me alcança

O dito pelo não dito é silencio

Foi-se com o vento e ficou um vazio

Procurei um bocado nem migalha sobrou

Entre a primeira e a última seria bom haver mais umas

Rever não ajuda a esquecer

Se foi pouco o que te dei é porque não quiseste mais

A moça que eu beijo nem sempre é a que me beija

Como fazer pra não querer-te mal

Tropeçar em pedras pode nos levar ao chão

Tropeçar em nuvens não nos faz voar

Eram tantas as promessas por que fui acreditar na dela

Amigo não é o que avisa é o que esconde

O que veio antes não pode ficar pra depois

É preciso tolerar o intolerável não o intolerante

Só no apagar das luzes é que se viu as sombras

Antes que eu me vá deixa que te beije

Até o gosto se perde

Quando olhei pra trás já não havia nada

O trovão antecede o raio

A perda apaga o cansaço

Bem me quer quem mais me quer

Sem querer chego a dizer o que não quero

Não vou me repetir não quero mais querer

No fundo da gaveta guardei o que perdi

Nem tudo se explica com ou sem palavras

Não é justo que se esqueçam de mim

Não vou deixar pra amanhã o que preciso apagar agora

Caldos ou caldas não me fazem lamber o chão

Meu querer é que me queiras como eu  te quero

Sergio Santeiro (santeiro@vm.uff..br).

Volúpias

domingo, abril 17th, 2011

Volúpias (de Sergio Santeiro).

O azul do céu mistura-se ao mar

Rever sempre a mesma cena

Apreciar bocas molhadas

Sois pedra somos pedregulho

Cadê o gostinho na boca

Se eu pedir você faz

Nem falar nem cansar

Tirar a casca da ferida

De preferencia sem problema

Paguei mas não levei

Lembranças compensam saudades

Gotas de vinho na pele

Ela disse querer mais

Amor só de um não é amor

Não queres me visitar?

Mesmo o mais fino separa o olho da mão

Mais gostaria que menos  gostasse

Adoro uma vulgaridade

Faz bem querer bem

Ela não me quer como eu a quero

Aos poucos ou não é mais gostoso

Queria te ver se rir

É pecado?

O que faço é só pra te seduzir

O se redunda no sim

Não me olhes como olhas

Não consegui dizer o quanto me faltas

Não vou me imolar no altar do teu desprezo

Tira-se o que falta

Máximo é o que não se pode mínimo é o que não se deve

Mês que vem quero tudo resolvido

O que mais gosto é deitar-me à noite

A sensação de uso é melhor que a de dono

Sempre agradecer o vivido

Passarinho que não come pedra sabe que é esperto

De tanto ouvir verdades estou preferindo as mentiras

Antes do barco afundar é preciso aprender a nadar

Se estiveres tonto não te imponhas o equilíbrio

Malhar o ferro quente na bigorna fria se trocar não vai dar  certo

Se amanhã não for melhor que hoje nem vou levantar

Faz de conta que tu gostas de mim

O pior já passou agora é o menos ruim

A moça é de fora mas conhece o babado

Juro que não vou deixar de olhar você

Mesmo indo à mesma praia o mar que me banha nunca é o mesmo

Paixões a esmo perdem-se nas curvas

Promessas não prosperam

Quem inventa o dito não sabe se é bem ou mal

Disfarça finge que não é contigo e não será

O jeito é procurar o que se acha e não o que não se acha

Sergio Santeiro (santeiro@vm.uff.br)

Entregas

sexta-feira, abril 8th, 2011

Entregas (de Sergio Santeiro).

Quando dei por mim já tinha dançado

Histórias não comovem os derrotados

Antes a vida que a morte

Ninguém tem o direito de pautar a vida de ninguém

O que dá trabalho dá prazer

Rebolei procê ver cê não viu

Viajei passeei achei que dava não deu

Logo mais saberei se perdi ou se ganhei

É preciso apreciar a beleza onde ela quer que esteja

Meninas encantadoras escapam do meu assédio

Não quero atrapalhar ninguém ainda que me atrapalhe

Antigamente as meninas se entregavam ou estou errando as meninas

Eu só ataco se ficar na minha área de competência

Elas fazem tanta coisa nas prévias que nem precisa chegar às eliminares

Agora é a tua vez

As vocais são como se fossem cordas

Por que eu vou dar pra você qualquer menino dá dois de você mas você não precisa de mais de um de mim

Quis o destino me devolver aonde eu me fiz pessoa

Vi que do lado tinha coisa

Onde eu ando não atolo

Mal faz quem não pede pior quem não dá