Volúpias

Volúpias (de Sergio Santeiro).

O azul do céu mistura-se ao mar

Rever sempre a mesma cena

Apreciar bocas molhadas

Sois pedra somos pedregulho

Cadê o gostinho na boca

Se eu pedir você faz

Nem falar nem cansar

Tirar a casca da ferida

De preferencia sem problema

Paguei mas não levei

Lembranças compensam saudades

Gotas de vinho na pele

Ela disse querer mais

Amor só de um não é amor

Não queres me visitar?

Mesmo o mais fino separa o olho da mão

Mais gostaria que menos  gostasse

Adoro uma vulgaridade

Faz bem querer bem

Ela não me quer como eu a quero

Aos poucos ou não é mais gostoso

Queria te ver se rir

É pecado?

O que faço é só pra te seduzir

O se redunda no sim

Não me olhes como olhas

Não consegui dizer o quanto me faltas

Não vou me imolar no altar do teu desprezo

Tira-se o que falta

Máximo é o que não se pode mínimo é o que não se deve

Mês que vem quero tudo resolvido

O que mais gosto é deitar-me à noite

A sensação de uso é melhor que a de dono

Sempre agradecer o vivido

Passarinho que não come pedra sabe que é esperto

De tanto ouvir verdades estou preferindo as mentiras

Antes do barco afundar é preciso aprender a nadar

Se estiveres tonto não te imponhas o equilíbrio

Malhar o ferro quente na bigorna fria se trocar não vai dar  certo

Se amanhã não for melhor que hoje nem vou levantar

Faz de conta que tu gostas de mim

O pior já passou agora é o menos ruim

A moça é de fora mas conhece o babado

Juro que não vou deixar de olhar você

Mesmo indo à mesma praia o mar que me banha nunca é o mesmo

Paixões a esmo perdem-se nas curvas

Promessas não prosperam

Quem inventa o dito não sabe se é bem ou mal

Disfarça finge que não é contigo e não será

O jeito é procurar o que se acha e não o que não se acha

Sergio Santeiro (santeiro@vm.uff.br)

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