Archive for maio, 2011

Bagaços

quinta-feira, maio 26th, 2011

Tudo sempre  será melhor

Não tanto só um tantinho

Às vezes concordar é pura vilania

Mesmo perdendo eu ganho

Mesmo não querendo eu  tenho

Que lindo dia pra se ter alegria

Queria ver você repetir a um palmo da minha cara

Por que não vem almoçar no domingo?

Nada é pior  que não  ter  trabalho

Não  acredito que você vá fingir que me trata com desprezo

Tudo te dei que mais queres?

Não é que não se possa é que não se deve

O nublado desfez-se

Não é por querer é por querer-se

Palavras são dados nos jogos de frases

Antes que chegue a conta finjo que vou ao banheiro e escafedo-me

Guardei pra depois o que antes me sobrou

Tudo é simples demais ou  complicado demais

Se eu pedir você faz?

A comer em pé prefiro sentado

Não quero que  você se engane comigo

Se me deixar na rua o vento me leva

Não sou eu que vou catar cacos e caquinhos

Diz que não fui por ali

Recados fazem mal a romances

Precisei fingir que sim quando precisava dizer que não

A água é menos água se for salobra?

Escolher é recolher ou colher?

Me senti como se me espionassem

O que eu não entendo não é o que preciso entender

Ralado ralarei até a última raladura

Não me falta o que não tenho

Nunca se deixe a peteca  cair

Ombros  erguidos dão a sensação de leveza

Tropeços são um sinal de  acertos

A coisa nem sempre é melhor ou pior do que parece

O cara achou que a minha era a tua cara

Não perco o  que não tenho

A de anteontem a gente esquece

A de amanhã repete-se

Diz  que vem aí um vendaval

Deixei-me cair em tentação

Não há como se ver o que não existe

Mais e menos

Mesuras

quinta-feira, maio 26th, 2011

Se voce me quiser eu deixo

Pior é se fôr pior

O tempo que nos é dado viver só se esgota quando se esgota

Ando sózinho durmo sózinho choro sózinho

Não há de ser nada invento paixões

Eu quero dar pra você

A pior coisa no mundo é discutir quem tem razão

Não ando com quem não anda comigo

Dei-lhe uma calça quando vestir vai lembrar de mim

As bolas rolam

Ela não quer saber de mim

A curva dos meus olhos bateu nos dela

Sei que só rir não é nada

Vem cá meu bem ver a gatona se despindo. Tirou a calcinha, xi, o que é aquilo?! Nossa!

Boa que é boa quando ruim é melhor ainda

Ideal: autopsicografar-me

Em céu de urubu recomenda-se voar mais baixo

Acho que devemos ser sempre flexíveis

Não queremos estar fazendo o que fazendo estamos

Se cair finja que não houve nada

Serei cordato simpático e razoável amanhã

Os que se enganam serão enganados

Os que se perdem estarão perdidos

Se te pego te pico e te boto no penico

Não vale a pena correr mais que a bola

Mais queria menos perder

Não ser um pobre coitado

Por que me ufano de ser cabreiro

Sussurros

terça-feira, maio 10th, 2011

Sussurros (de Sergio Santeiro).

Se você quer eu vou

Rolar toda sorte de dívidas

Alguma é melhor que nenhuma

O que não funciona não funciona

No lago a pedra faz círculos no chão resvala

Na esquina do bar tinha a rua

Melhor comer com as mãos

Era tarde era cedo

O que se admira não  se inveja

Paguei a mais o que levei a menos

Não sei perder

Escondo o que tenho de pior

Vim só pra te ver

Se pensar duas  vezes a chance  some

Nunca perder a viagem

Nem sempre é melhor ter razão

Não veio não veio

Ao invés  de reclamar esquece

Vale menos o seu mal que  o meu bem

Fui de vez o que ficou era o que eu não queria

Marcar remarcar desmarcar

Contar recontar descontar

Maus pensamentos geram nobres atitudes

Linda é a  que agradece o galanteio

Quando enfim quiseres não quererei

Agora só tenho a mim para cuidar e ninguém para cuidar de mim

A manhã não amaina o amanhã

Sarcasmo malícia preguiça

Como é bom ser assim

Palmo a palmo conquisto teu carinho

É apertando que se espreme o caroço

O que fica pra fora é o que não cabe lá dentro

Líquido sólido ou gasoso é o que nos dá sustança

O que eu quero é você

A água só é suja porque sujaram ela

O que antes era bom agora é bode

Quem não sabe chorar tampouco sabe se rir

A queda é só um passo do balé

Quando um não quer os dois brigam

Isso foi no tempo em que eu era  inesquecível

Perda de tempo é não fazer o que precisa

Rafaela entra às 9 sai às 6 e folga às 5as.

Quanto mais eu vivo mais eu vivo

Eu só tenho velhos hábitos

Senti que bate forte um coração na minha boca

A moça pede pra sair  e eu pra entrar

Às vezes nem sei o que fazer

De tanto que eu falei agora só falta ela me dar

Não me lembrei que o tempo é um gigante que sempre te olha de cima

O que fiz e o que não fiz felizmente me esqueci

Sergio Santeiro (santeiro@vm.uff.br).

Amanhã

segunda-feira, maio 2nd, 2011

A  manhã.

Resolvido. Amanhã vou resolver tudo que deixei pendente. Contas atrasadas. É um vexame. Contas mixurucas. É um sinal de desordem.

E já dizia meu saudoso pai que me conhecia melhor que eu mesmo: – Meu filho! Nessas horas você deve fazer só uma coisa por dia. Vai lá e paga uma conta. Pronto, o dia tá resolvido. Se você insistir em fazer mais de uma você vai ficar nervoso e aí mesmo é que não vai fazer coisa nenhuma.

Desordem mental: incapacidade de responder aos reclamos normais da existência. Vai do bolso ao coração. Paciência. Obedecer aos ciclos da vida. Paciência tem que ser a solução para todos os males.

Paciência com os outros, principalmente,  porque os outros reagem e as coisas se agravam. Paciência consigo mesmo, o que não for hoje amanhã poderá ser. E quando estiveres a ponto de perdê-la respira fundo. Com o  maravilhoso porque indispensável ar que nos mantem vivos entra um novo jorro de paciência.

Se a moça não olha, se a moça não vem, paciência. A moça não é.  É um ser passante. Será pedir demais que seja também parante? E por favor sem maiores exigências ou demandas. Simplesmente ser. Às vezes, muitas, nem gosto de  falar. Pior, bem pior, é quando gosto. Não sei como alguem aguenta ouvir. O resultado é que ninguém aguenta nem eu. O pouco que vi de mim mesmo gravado é de arrepiar carneiro.

Não é parante, na verdade, porque o velho babão à espreita é fingimento, finge de distraído, nem é velho, nem é babão. É do bom. Será que elas não gostam de fingimento? E elas aos meus olhos fingem que existem e que são o que eu imagino.

Olhem em volta. Alguém pode imaginar que isso existe? Para o bem felizmente, para o mal infelizmente. Como enfrentar o mal? Aumentando o fazimento do bem. Não precisa ser um bem espetacular. Basta um pequeno bem, lembram-se, apenas um bem no dia é suficiente. Nem que seja pagar uma conta.

O que não pode é ficar parado senão a bebida esquenta e a comida esfria, dois insuportáveis males concomitantes. Concomitância boa seria com os números da sena. E você joga? Jogo, bebo, fumo e como todo mundo finjo que acredito na minha sorte e no azar alheio.

É por isso que o jogo é ilegal, legal só o do governo. E até as palavras: o que é legal é ilegal e o ilegal legal. Concomitâncias. Imagina acabar com o jogo nos governos. O melhor quem sabe não seria acabar. Seria democratizar os ganhos e não só as perdas.

Acabar é difícil mais fácil  é multiplicar e dividir, somar sem diminuir. Só pode ser pra um o que é pra todos. Mas o compadre que manda finge que fala e o que finge que ouve  não cumpre. E no fazer as contas não houve concomitância entre o que se fala e o que se cumpre.

Atingi a plenitude: mijar e cagar em intervalos menores. Nunca te mijaste ou cagaste sem querer não sabes o que é bom na vida. Frágil como  estou o que quero é  ser achado, a noite é a melhor conselheira. A gata apaixonada abanava com as mãos os gases de prazer que me saíam de onde deveriam sair.

Fingimentos, é tudo fingimento.

Sergio Santeiro (santeiro@vm.uff.br)..