Os imortais

Os Imortais.

(para Otávio III flanando na praia em Copa).

Nós, seres sem a menor importancia, seres humanos perdidos na galáxia … Somos só nós de nossa espécie nos universos? A infindável praia.

Parece que somos o que não somos. Na verdade não somos nós. Nunca fomos nós. E assim sempre somos sós. Somos eu, tu, eles, vós, eles. Falta-nos o nós. Não adianta seres humanos segregarem-se distanciando-se entre  si. E quem pensar que vence, só perde.

E perdemos todos. O quanto a humanidade se perdeu nestes milênios de penas, ódios, violências. Populações inteiras, civilizações inteiras e multidões de pessoas, multidões, massacradas pelo domínio de alguém ou de alguéns.

Como não pode a humanidade inteira fraternalmente comer no mesmo prato? Magina! Que beleza! É que nem a feijoada do barraco. Quem precisa de mais? E tem o papo gostoso, as inconveniências … Tudo que há de bom!
O troço é meio chato porque afinal não vamos ficar pra ver no que vai dar. Mas a gente  vai vivendo o que é preciso e até o que não é.

Com Los Hurdes descobre-se que não há documentário e ficção, é tudo cinema, mas tem que ser do bom. Na predação capitalista que gera a miséria o que se ensina a crianças descalças e famélicas está no quadro negro da escola: Respetad los bienes ajenos. Respeitai os bens alheios.

Alheios de quem? Alheios a quem?
Tem o cinema imperial soviético e tem o cinema popular soviético. E tem o primeiro filme político que é La Fièvre o último de Gérard Phillipe e tem o Rosselini com Stendhal em Vannina Vannini.

É o que veio a se dar entre nós com a primeira Atlantida e Nelson Pereira dos Santos no cinema popular socialista desmontado pelo 1o. de Abril quando tudo virou cinza. Não é neo-realismo,não! Nós não nascemos da guerra, nós em parte morremos com ela, essa interna, irmão contra irmão.

Mas desde O Desafio, de Paulo Cézar, fomos renascendo. E aqui também não era o nacional popular, era o popular socialista, era um, era dois, era mil. Não é morrer pelo Brasil é viver naturalmente nas naturezas. E nem é grande coisa: é devolver tranquilos à paisagem os vômitos da experiência.

Amotinados até pode ser como em Canudos, na Chibata, nos Metalúrgicos, como hoje. Não nos percamos nas  palavras. Amotinados com causa e indefesos. Pressão sim. Repressão não. Nunca mais.

É quando o povo reage e se rebela, até sem saber,contra a dominação burguesa. E se organiza e se defende e vai às ruas ordeiramente. Está certo quem? Quem trabalha ou quem desemprega pra  faturar mais? Agora ficou  melhor: trabalhadores à luta e que a repressão nunca vença!

Liberdade para os presos. Para todos. Os de sangue, os violentos, é mais complicado. Vai pensamento brasileiro resolver a questão. Não temos inteligência suficiente no país para resolver os problemas? Não há solução sem problema mas não pode haver problema sem solução. É como dizia minha mãe: Pra que serve tanta inteligência se você não aprende a viver?! E ninguém pode morrer antes de chegar sua hora.

A única que não é solução é a prisão. Ninguém se pode dar o direito de enterrar vivo ninguém mas os crimes de sangue, os  violentos, são um problema. E não é da natureza humana. Todos sim nascemos bons. É só olhar pros pequenos cada dia mais inteligentes até que os adultos atrapalhem. É difícil perdoar os mais maus mas tem que se extinguir a maldade.

A sociedade toda é responsável pelo que produz. Se infelizmente produz o mal, produz a morte, todos temos que  responder por isso. É uma sociedade doente! Precisa de remédio.

Mais guerra? Não! Mais paz! A sociedade que produz o mal tem também que produzir o bem. E tem que ser para todos. Cada um é nada, juntos somos  fortes! Cada um só pode ter o que todos tenham.

Pelo salário único: cada um recebe sua parte igual no que todos produzem. É o produto interno bruto dividido pelos 200 milhões que nele vivem. Nem um só de fora. Nem um só à míngua. Se quiser mais salário vamos todos gerar mais produto e se socializa tudo. Adeus miséria, adeus pobreza, adeus inveja, adeus ódio, adeus morte.

Abaixo o desperdício! Abaixo a competição! Pela cooperação! Vivamos imortais até a prova em contrário. Não há Belo Monte. Inventa outra. Belos montes são os que a natureza criou. Não se pode desmontá-los. Que se desmonte então o que ainda não foi montado. É preciso salvar as águas.

E nós cavalo não é xucro, nós esperneia, nós escoiceia, nós dispara campo afora! Corre pra nos pegar, nós some no horizonte, e nóis vorta. Ah nóis aí tra veiz! Nóis é duro nas quedas. E nóis também é fogo que não se afogue na tina que vovó lavou e nóis segue lavanu.
Aqui água não falta, pelo menos por enquantos. Tá suja? Lava a água! Nem carece. Basta não sujar mais. E, quem sabe, a centelha que chamamos vida não pereça e seja no universo imortal.
Sergio Santeiro (às 7 horas da manhã de 9/6/2011 em Copa).

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