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Os AgroTóxicos

terça-feira, julho 26th, 2011
Os AgroTóxicos. (de Sergio Santeiro).
Realmente, o Silvio Tendler está com tudo. Amplia sua militância pela vida e pelo cinema. É uma pena que o mais progressista de nossos governos ainda ceda à chantagem do agronegócio e do imperialismo a envenenar o país com seus tóxicos.
Seu novo filme “O Veneno está na Mesa”, lançado nesta 2a.,25 de julho, no Oi Casa Grande lotado, na Campanha Permanente contra o Agrotóxico, que reune tantas e importantes entidades de defesa da vida, reune também uma bela equipe como lembrou o Silvio que foi capaz de absorver os estímulos múltiplos e gerar mais um de seus notáveis filmes.
Lembra bem que agrotóxico, químicas e fármacos derivam dos campos de extermínio nazista e da invasão americana derrotada no Vietnam e que deixaram mortos, feridos aos milhares atrás de si. O complexo militar econômico que domina o sistema.
E no entanto surpreendi-me com a alegria das crianças sem tôdas as partes do corpo como nós e que divertiam-se com estarem sendo filmadas e entre si. Exemplos. É a vitória da vida sôbre a morte. Inesquecível em seu “Utopia e Barbárie” a palavra de Giap a vitória é a paz!
Mais uma vez é uma pena que o mais progressista de nossos governos como nunca antes na história deste país não reveja radicalmente a permissão e até o financiamento publico dos latifundios e corporações multinacionais para esse modelo devastador de pretenso desenvolvimento às custas de eternas reservas naturais, êsse tal de capitalismo que explode mundo afora com suas crises e bombas.
Afinal se é pra ser democrático nunca se esqueçam que os explorados e não os burgueses é que são a maioria.
Pra qualquer lado que andamos vemos terras e mais terras aparentemente devolutas, sem trato, nem um pé de cupim sequer, vemos também eucaliptos a perder de vista, subindo e descendo as encostas, sem um pio.
Senadores no senado defendem com unhas e dentes a predação absoluta de céus, terras e águas para aumentar a produção e ganhar mais vendendo para os países que não são loucos de destruir suas terras em monoculturas como as que desertificaram o nordeste brasileiro e agora ameaçam desertificar nada menos que a Amazônia.
Vão comendo pelas beiradas, vão matando os colonos à bala, pela contaminação e pela indução à prática assassina do capitalismo que explode mundo afora com suas crises e bombas.
Já imaginaram o que terá sido a nossa original Terra Brasilis ou o que teria sido o mundo inteiro se tivéssemos sustado o capitalismo no seu nascedouro como preconiza a ciência da história. Mas não, ainda continua rolando essa coisa que há séculos massacra impiedosamente a humanidade apenas e tão sòmente para que meia dúzia entesourem inutilmente a mais valia de cada um de nossos semelhantes.
Por que não ousa o estado brasileiro rever a política agrário-agrícola como o Adonai no filme do Silvio que recria a semente nativa, a criolla, recusando a transgênica e seu pacote de agrotóxicos. Ao contrário, como no depoimento de uma pioneira ecoagrícola, o que se precisa é tratar a natureza como natureza. Afinal nós os humanos também somos natureza.
Ela própria a natureza através do manejo sabe como ser tratada. Lá se vão nossos solos, nossos minérios no subsolo, nossas águas assoladas, todos, e nós também assolados pela praga maldita do mais  dinheiro. Não há mais dinheiro. Entesouraram tudo, tá dominado. E tampouco adianta tirar água suja dos sais.
Quanto menos mal fizermos ao entorno menos mal estaremos fazendo a nós mesmos. O diabo é ter que convencer disto os nossos governantes eleitos por nós e que pelo visto só nos querem matar. Devia-se imprimir por tôda parte: Ministério da Saúde adverte. Capitalismo faz mal à  saúde. Mata.
Sergio Santeiro (santeiro@vm.uff.br)