Archive for abril, 2013

Meiotas

quarta-feira, abril 24th, 2013

O amor nada tem a ver com terceiros é um a um
O que define a condição humana é o ousar
Não ter calma é querer perder
A soja é suja o óleo é sujo não se deve sujar a água
A coisa boa em coisa ruim
Fí-los porque sófo-os
O que aqui não tem não é bom
Quem ulula não dura
O que é bom é pra bombar
Acompanhei as agruras do meu tempo sem lamentos
Melhor é poder ser pequeno
Não me jacto de meus excessos
Até pra perder é preciso estar na luta
Disputa em casa todo mundo perde
O que?
Não se meta no que não sabe
Guardo as minhas guarda as tuas
Quem atira perde a mira
Quem fofoca perde o foco
Sou a favor de viver a vida numa minimalista
O nosso cinema de 68 equivale na arte à luta armada
Espero que as autoridades de esquerda do país intervenham na defesa do povo em todo o território nacional está na constituição não é para negociar negócios é para defender o povo
O cinema é uma arte quem acha que é negócio que se vire
Armas sempre foram de ataque
Ferramentas viram armas ou armas viram ferramentas
Não se pode permitir ao estado massacrar os que estão sob sua proteção
Isto é políticamente imperdoável
Como fica uma pessoa que sabe ser alvo de outra pessoa
Se não quiser que diga não me pergunte
Pede pra diminuir a velocidade
Ela é como uma ânfora
É preciso que os artistas tomem tenência pra não ser manobra dos políticos
A minha sanha é não perder a gana
Quando eu penso o mundo me desfaz mas me refaz com o que posso pensar
Levar meu pobre verbo além do que ele é é duro de levar
Ninguém quer saber do outro
Ou de outra
Não é possível ter alguém sem problemas além dos meus?
Antes não dá depois já deu
O que dizes é só o que sabes

Insanidades

quarta-feira, abril 17th, 2013

Eu sou um atleta do cinema e gozo de muita saúde
Um tiro não basta
Se juntar os pontos faço uma linha
Qualquer questão que envolva mais que um é social
Saber ouvir é a melhor lição
Elas não deviam poder negar sempre
Na disputa entre os grandes os pequenos é que sofrem
O diabo é lidar com generais militares ou civis
Nem lá nem cá é só virar ou rolar a página
Amo o sol acho que é o maior poder
Militância serena mas contínua é imbatível
Singrar em mares bravios
Cadeiras largas prenunciam poços profundos
Você consegue as minhas melhores homenagens
Aposto que tem uma coisa grande de meio palmo entre um e outro
Não se tem a menor ideia do que é isto no córtex de um homem
Tu vai tomar a coisa toda sim
Quem são? Quem sois?
Nada é mais importante na vida que a pirueta
Você não sabe o que é não estar afim?
Vou querer ser uma besta pra ser curado por você
Depois da ditadura vem a ditamole
O bom combate já é vitória
Cada tempo sua hora
É genial acompanhar o gesto das pessoas
Dei-me “O Velho Graça” de presente
É preciso inverter a ótica da sociedade: é de baixo pra cima e não de cima pra baixo
Quem é não precisa dizer que é
A vaguidade das palavras é o que nos faz usá-las
Com capricho mas sem cuidado
O dom não pode ser desperdiçado
Queria ter você ao pé da cama
Manda ver que estou no aguardo
Abra suas flores beija-flor já vem
Ninguém manda no destino

Por um cinema sempre novo

domingo, abril 14th, 2013

Entrevista Sérgio Santeiro por Renata Neves

Sérgio Costa de Magalhães Santeiro é carioca, cineasta, formado em Sociologia e Política pela PUC-RJ em 1967. Como diretor e roteirista, realizou exclusivamente filmes de curta-metragem, em geral documentários marcados por um forte sentido de experimentação.
Desde 1975 é professor de cinema na Universidade Federal Fluminense, onde chefiou o Departamento de Cinema e Vídeo (1996-99) e dirigiu o Instituto de Arte e Comunicação Social (1999-2003). Também lecionou cinema no CUP – Centro Unificado Profissional, de 1975 a 1981; e na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, de 1975 a 1979.
Militante da causa do cinema independente brasileiro foi um dos fundadores da Associação Brasileira de Documentaristas – ABD..Escreve às quartas no jornal “A Tribuna, de Niterói”.
No dia 12/12/2012, o professor Sérgio Santeiro gentilmente aceitou meu convite para, junto com o professor Miguel Freire, conversarmos sobre produção no cinema brasileiro nos tempos do Cinema Novo e, durante um almoço em Niterói, nos contou um pouco sobre alguns momentos da história da produção cinematográfica nacional, destacando a produção do filme de curta metragem “Di Cavalcanti Di Glauber”.

Renata: Por quais caminhos mais significativos a produção do cinema nacional passou dos primórdios até os dias de hoje?
Santeiro: O cinema brasileiro se inicia com a história dos ciclos regionais, um processo que começa quando alguém resolve fazer um filme e que mesmo com dificuldades de comercialização acaba dando certo. Esse filme se insere dentro de um ciclo de mais ou menos 10 anos, que é o tempo do impulso para produção se esgotar, na medida em que o retorno comercial não se verifica.
Pode-se dizer que toda historia do cinema brasileiro é uma historia do cinema de autor, descontando o período que foi a experiência da Vera Cruz em São Paulo nos anos 50, mas que também acabou se esgotando pela falta de retorno comercial.

VERA CRUZ e ATLÂNTICA – A VONTADE DE UM CINEMA INDUSTRIAL
Santeiro: A Vera Cruz foi uma tentativa de produzir filmes seguindo um modelo tradicional, uma empresa produtora fantástica, com todos os equipamentos de última geração, e pretendeu produzir em escala industrial. A Vera Cruz funcionava em galpões enormes nos quais estavam instalados grandes estúdios que produziam uma imagem fotográfica européia ou Hollywoodiana, baseada em conceitos tradicionais de iluminação.
O formato industrial é o modelo dominante no mundo, no qual as empresas produtoras são contratadas para a realização dos filmes. É, portanto, diferente do modelo independente no qual a iniciativa é do realizador. O realizador busca recursos de produção, faz parcerias, mas detém o controle do filme. No modelo independente o filme acaba sendo um reflexo do que o próprio realizador pensa ao contrário do modelo de estúdio que geralmente visa um formato mais comercial, de sucesso. Do ponto de vista exclusivamente comercial, como o importante é o lucro, qualquer proposta mais original acaba sendo desbancada pelo modelo de mercado.
A Vera Cruz acabou por dois motivos: o primeiro foi porque o custo de produção era muito alto. Eram trazidos do exterior os técnicos, os montadores, copiando o formato tradicional das empresas americanas. O segundo motivo foi a distribuição dos filmes que era feita pela Columbia Pictures do Brasil. A Columbia remetia os lucros para o exterior e no Brasil só apresentava resultados negativos, desse modo terminou levando a Vera Cruz a falência.
No Rio de Janeiro, paralelamente a existência da Vera Cruz, foi desenvolvido um sistema de produção independente. Também na época foi criada uma empresa produtora chamada Atlântida. Essa produtora deu continuidade a linhagem do filme autoral de crítica social e funcionava como uma cooperativa de realizadores. A Atlântida começou, também, a produzir filmes que tiveram uma boa resposta de mercado. O principal exibidor da época Luiz Severiano Ribeiro detinha um terço dos cinemas no Brasil, de Pernambuco até o Sul. Ele era o único exibidor dos filmes da Atlântida. Como dono do mercado fez o que todo empresário faz, faliu a Atlântida, comprou a empresa a preço de banana e transformou seus filmes no gênero que ficou conhecido como Chanchada. A Chanchada é, portanto, um modo de produção industrial com filmes de grande aceitação do publico.

CINEMA DE AUTOR CHAMADO CINEMA NOVO
Renata: Como aconteceu e repercutiu na história do cinema brasileiro a proposta de produção do Cinema Novo?
Santeiro: O cinema novo, o cinema independente surge em oposição a isso. A ser produção diretamente submetida ao gosto do público, um público que, naquele momento, estava acostumado com o padrão chanchada. Nenhum filme do cinema novo era propriamente determinado pelo mercado e, nesse processo, o grupo cinemanovista conseguiu a criação da EMBRAFIILME. Uma empresa de economia mista que, ao contrário do que se imagina, não era uma estatal, embora tivesse participação majoritária do Estado. A EMBRAFILME permitiu a consolidação desse modo de produção autoral e foi assim até ser extinta e zerar a historia que recomeçou a partir dos anos 1990.
Em tempos anteriores um cineasta e produtor independente que buscou e conseguiu êxito nessa direção foi Humberto Mauro, um grande nome do cinema de autor. Ele buscou aproximação com o governo que na época era do presidente Getúlio Vargas e, entre outras coisas, conseguiu nos anos 1950 a primeira obrigatoriedade de exibição do complemento brasileiro. Mais tarde conseguia, também, a criação de um órgão do governo intitulado Instituto Nacional de Cinema Educativo – INCE.
Tem uma tese que Nelson Pereira dos Santos apresentou em 1952, no segundo congresso brasileiro de cinema de São Paulo, que se chama: O Modo de Produção Independente. O Nelson Pereira é o elo de ligação entre o passado do cinema brasileiro e o que se chamou cinema novo, movimento do qual o Glauber Rocha foi destaque e porta voz. Curiosamente, ou não, reforçando essa idéia do fio no caminho para cá, eu bolei uma frase que é: Criar é acrescentar algo mais ao que já houve, não tem combustão espontânea. Tudo pertence a uma corrente de pensamento de realização que vai sendo acrescentada no tempo.
Então, os filmes passaram a ser muito individualizados, com o surto do cinema novo que aconteceu junto com a revolução brasileira que não aconteceu nos anos 60. Aí é tudo ao mesmo tempo, bossa nova brasileira, parte de um processo cultural e social mais amplo do que só fazer filme.
O cinema novo nasceu com uns oito cineastas fazendo filmes sem a garantia de exibição. Eles formaram distribuidoras dos próprios filmes, porém acabaram, mais uma vez, caindo na parceria com o Estado. Foram criados órgãos do governo legislativos e reguladores com o Conselho Nacional de Cinema e de fomento como a Embrafilme. Foram esses órgãos que mantiveram as produções até os anos 90 quando todos foram extintos
Ao mesmo tempo em que surgem novos autores, novas ideias, você tem o surgimento de uma nova fotografia. O Mario Carneiro, o Barreto , o Zé Rosa e outros fotógrafos cinemanovistas não cumpriram o modelo da Kodak. O modelo de produção independente baixa o custo de produção, pois diminui o tempo de filmagem e simplifica o próprio processo da filmagem. O Cinema Novo é quando você se livra dos apetrechos: carrinho, tripé, luzes e insere a “câmera na mão”. Os filmes se tornam muito mais baratos.
Só para montar o parque de luz da Vera Cruz e da Chanchada, demandava demais, perdia-se um tempo enorme, alem de ter milhares de problemas derivados disso. Ao invés de se filmar com luz ambiente, que foi a novidade que o Cinema Novo criou, nas filmagens da Chanchada na rua colocava-se um arco para neutralizar a luz do sol. Eram filmagens parecidas com as gravações que faz a Globo hoje em dia.
O negativo fotográfico era fabricado para padrões climáticos de temperatura e luz do hemisfério norte. O Cinema Novo, como modo de produção, não se subordinou ao padrão fotográfico que o negativo empunha como fizeram a Vera Cruz e a Atlântida. Porque elas usavam iluminação para ficar no nível de demanda do negativo, não só de captação na filmagem, mas também da revelação. E uma das coisas importantes: tem casos como o do famoso “Limite” do Mario Peixoto , que foi fotografado pelo gênio da fotografia do cinema brasileiro Edgard Brasil, ele mesmo revelava o filme e, assim, também não se subordinava ao padrão fotográfico imposto pela Kodak.
Renata: Você localizou dois ciclos fortes: a Vera Cruz – cinema paulista industrial e a Chanchada – as produções da Atlântida no Rio de Janeiro, também em escala industrial e voltadas para um público mais amplo Você poderia localizar alguns fatores que determinaram as falências dos ciclos Vera Cruz e Chanchada da Atlântida?
Santeiro: A Vera Cruz ou o modelo industrial se esgota pelo domínio do mercado pelo cinema estrangeiro. A Vera Cruz foi asfixiada pelo padrão industrial importado, com custos altos e pelo fato da distribuidora de seus filmes ser contra a produção brasileira.
A Chanchada apesar do seu simplismo de formato era absurda do ponto de vista de produção. Os artistas eram todos pagos a preço de banana, o que permitia o sucesso financeiro. Os grandes astros da Chanchada, como Grande Otelo e Oscarito, não ganhavam praticamente nada, quem ganhava eram os donos do cinema. O produtor, no caso o Severiano Ribeiro, era dono também dos laboratórios e das salas de cinema, era um monopólio, então o custo de produção dele era baixíssimo. Ele manteve as produções até quando julgou interessante. Dizem que com o surgimento da televisão o formato chanchada migrou para a televisão.
Renata: Com o declínio dos modelos de produção vigentes ficou um espaço. É possível dizer que o cinema novo nasceu nesse vácuo, então?
Santeiro: Não, tem um elo de ligação que é o Nelson Pereira dos Santos. Ele é paulista, foi assistente de direção em “Saci”, que foi uma das últimas produções da Vera Cruz. Tem um elo de continuidade com a Atlântica. O próprio Glauber tem a precedência do cinema baiano, ele foi diretor de produção de “A Grande Feira”, uma produção baiana dirigida pelo Roberto Pires. O cinema não nasce do nada, tem uma continuidade, as pessoas vão trabalhando juntas até fazerem seu próprio filme. Glauber era diretor de produção do “Barravento” e acabou assumindo a direção para concluir o filme. A continuidade não é a partir do topo, mas a partir das equipes que vão se mesclando. No modelo brasileiro de produção autoral, há uma parceria, co-autoria, entre as áreas técnicas.
Renata: Mesmo havendo continuidade de diretores, técnicos, equipe, você acha que o cinema novo configura uma ruptura como modelo de produção em relação à Chanchada e à Vera Cruz?
Santeiro: Sim. É uma ruptura com o cinema industrial, mas de uma certa maneira é uma retomada ao projeto do cinema de autor independente, que é muito antigo no cinema brasileiro, que sempre houve na verdade.
É o caso de Humberto Mauro em Cataguases, assim como é de Ademar Gonzaga que era o produtor do Rio de Janeiro. Todo produtor monta uma forma de produção que é industrial ou que ele quer que seja industrial. O modo de produção independente pré existe e é permanente, há surtos de industrialismo que servem para garantir o retorno comercial dos filmes, mas geralmente são coisas híbridas, sem sangue. A primeira receita para se fazer um filme de produção independente é dar uma rasteira na técnica. Por exemplo, a fotografia independente jogou toda a parafernália técnica no lixo. Com isso diminuiu o custo e mudou a estética ganhando um resultado original, diferente do padrão industrial. O problema do padrão industrial é que ele quer manter o mesmo formato e repetir a mesma imagem, virando uma linha de montagem. No cinema independente cada filme tem que ser particular, diferente um do outro, oposto ao sistema da indústria que tem que gerar produtos iguais.
Renata: Se os filmes da Vera Cruz e da Atlântida são cópias do modelo Hollywoodiano, os filmes do Cinema Novo também podem ser considerados cópias dos filmes produzidos pelo Neorealismo Italiano e pela Nouvelle Vague Francesa?
Santeiro: O Cinema Novo se opõe a esse modelo que a Vera Cruz vinha fazendo, de produção industrial e vira um modelo autoral que já existia mas não tinha consistência. Existe uma continuidade de modo de produção na história do cinema brasileiro que não necessita ser referido de fora. Porque essas coisas são meio coincidentes no tempo. A história do que se chama Neorealismo Italiano é o Roberto Rossellini que reinventou o cinema, despojando-o de tudo, fazendo filmes referentes à guerra e à destruição. Aqui não tivemos esse tipo de guerra, então não tivemos a mesma situação. A Nouvelle Vague é quase contemporânea do Cinema Novo Brasileiro. Os surtos de produção começam e acabam. Então, começam do zero de novo.
Renata: “Di Cavalcanti – Di Glauber” responde a isso porque vem com uma fotografia de câmera na mão, ausência de estúdio, saindo do formato de longa metragem, indo para curta. O Glauber, em “Di” está reafirmando os princípios do cinema novo?
Santeiro: Em primeiro lugar, esse é um filme de improviso, não é um filme pré produzido, mas feito ao acaso. Ao saber da morte de Di Cavalcanti, que ia ser velado no Museu de Arte Moderna, Glauber chamou o Mário Carneiro , pegou uns rolos de negativo que estavam à mão e com Joel Barcelos foi para o MAM para fazer o filme, uma homenagem a Di Cavalcanti. A dispensa de roteiro é uma marca do cinema independente.
O filme foi sendo feito entre amigos. No velório de “Di” tem uma cena em que Joel Barcelos paquera Marina Montini . É uma cena plantada, mas não pré-armada. Com narração do próprio Glauber na linha de narração de rádio, que foi uma invenção do “Bandido da Luz Vermelha”. O barato do “Di-Glauber” é que ele incorpora a experiência do cinema marginal que era contrária ao Cinema Novo, no entanto ele absorve por ser uma coisa muito brasileira.
Renata: Você acha que sobrou no cinema de hoje influências diretas do filme “Di Cavalcanti Di Glauber”? Há produções contemporâneas tão arrojadas como “Di”?
Santeiro: Não. O arrojo está meio fora de moda, existe arrojo, mas em outra linha. A grande importância do Cinema Novo foi ter associado a realização dos filmes à política audiovisual. Não basta fazer filmes, tem que fazer cinema. Você tem que desenvolver iniciativas que garantam a produção de filmes e isso não existe mais.
Renata: O ciclo do Cinema Novo está encerrado?
Santeiro: A gente pode dizer que o chamado fenômeno Cinema Novo durou, no mínimo, até os anos 1990. O fim do Cinema Novo tem como causa primeira a morte de boa parte dos seus autores, sobraram poucos. Também concorreu para o fim dessa etapa o sistema de produção que foi razoavelmente modificado. Tudo acontece como a idéia de ciclo, que se repete sempre, começa, acaba e começa de novo do zero.
Em 1990, com a extinção dos órgãos estatais de cinema Embrafilme e Concine pelo governo de Fernando Collor de Mello, a produção que era de 100 filmes por ano passou a ser de 3 ou 4. O cinema para manter-se e garantir uma continuidade de produção, no caso do Brasil que é dominado pelas indústrias estrangeiras, precisa da intervenção do Estado.
Renata: E o PROJAC e as produções globais de hoje, o que elas são?
Santeiro: A Globo Filmes é a Atlântida maquiada, é a Vera Cruz platinada.

Vensevais

quarta-feira, abril 10th, 2013

Brasil: preocupa-me esse gigante desordenado e essas políticas elitistas
Que escondem os massacres sociais na cidade e no campo
Historicamente injustificáveis no único país auto-suficiente no mundo
Aqui dá pra todos viverem
Não precisa ninguém morrer à toa
Não precisa ninguém viver à mingua
E também não precisa dos fantasmas capitalistas modernos
O que não for pra todos não deve ser pra ninguém
É preciso acabar com os carros privados
E reverter o investimento no transporte público
Menos custo e melhores resultados
Para cada vez mais cidadãos e não menos
Meu ideal é o salário único: 1/200 milhões de avos do produto interno bruto
É preciso impedirem-se os produtos e práticas realmente lesivos à saúde
Evitar o desperdício
Contingenciar o supérfluo
Impedir agressões físicas
Suprir carências
Abolir excessos
Mil é pouco bom é mil e umas
Deixar o povo em paz
O que não é original é cópia
Na mais completa correção
E a beleza das mulheres
A dos homens é questão de gosto
Vamos parar com esse discurso que é tudo pra nós e pros outros nada
Acho que os governos deviam impedir tudo que é atrito com os indígenas e os camponeses
Deviam suspender o programa hidroelétrico e pensar em outras soluções
Deviam abandonar a exploração da soja e do petróleo
O pré-sal na verdade é pós-sal o petróleo está depois do sal nas entranhas da Mãe Terra
E vai bulir com ela espetá-la depois não reclama
Produzo pensamentos quem há de escutá-los
É preciso trazer os burgueses pro nosso lado pra não ter que extingui-los
Não posso ser contra os trabalhadores mas devo ser contra os empregadores
Quero ter e já tenho só aquilo que mereço
Nada é melhor que um abrir das pernas
Cada um quer o que quer
Eu também
A resistência ao opressor é dever de todos
Acabar com a exploração do homem pelo homem

Vaisevens

sexta-feira, abril 5th, 2013

Ao adesismo não adiro
Os outros não sabem de ti
De tanto impressionar-me o impressionante não me impressiona mais
As coisas passam quando não deviam passar
A munheca foi feita pra pegar
De tanto chacoalhar ficou tudo chacoalhado
O gôsto verbal é também de lingua
Estamos todos nessa de obsolescência programada
Pra que tunel em Charitas por que não uma litorânea?
É bom mexer na coisa
A cidade dorme será que ela sonha?
Não me diga o que eu já sei
Não me pergunte o que eu não sei
Corrija se estiver errado
Todo mundo só faz o que pode
Você não vai querer pagar tal mico
É sempre bom saber como isso vai
E por que não?
As efemérides deixam-me cansado
O sol derrete a peneira
Quero sonhar com ontem
Às vêzes o que sai não é o que entrou
A Ministra é elitista
Não se encarapuçe quem não deve
Como ser tudo se não somos nada
Quem não é afirmativo é negativo
Se disser o que penso você não vai querer ouvir
A vida nos faz prescindir de muita coisa em seu nome
Que tal queimar as pontes?
É inutil polemizar com o passado
Ninguém tem o que eu tenho
A fórmula é não ter fórmulas
Quem menos tem menos ganha
O chato é o naturalismo destes filmes
Muitas coisas me confundem
Não acho justo que uma gestão passageira aliene um bem publico permanente
Ainda mais em se tratando de um monumento de Niemeyer ao cinema talvez único no mundo pois tem a forma de um rolo de filme que se desenrola numa tela
O que pra mim é definitivo
Não pode ser outra coisa
Se me ouvirem