Bazófias

O cinema é como um grande espelho quem não quer se ver nele?
Da nossa morte nunca sabemos
Meu pai contava que o meu avô pai dele era o chefe eletricista em Morro Velho a mina dos ingleses e quando voltou pra casa na Inglaterra o diretor da área meu avô julgou que o sucederia:
– Pra nativo você está muito bem pago. Meu avô pediu as contas e foi trabalhar no comércio onde se deu razoavelmente bem
Foi gerente da Casa Aristides um enorme armazém que vendia de tudo de parafuso a trator
E com direito à moagem e torragem de café num recanto coberto de pó de café
Os tropeiros amarravam os burros na frente
As tropas de lenha subiam ou desciam as ladeiras que eram escadas em zigue e zague
Em grandes e longos corredores os produtos ficavam expostos a granel nada vinha empacotado
Às noites cães negros nas sombras olhos luminosos guardavam o galpão
Ninguém tem obrigação de dar mole pra você muito menos eu
Mestres emanam lições
Tudo que é rebelde é bom só precisa ajustar
O teu voluntarismo é mais inútil que o meu
Não vale a pena disputar a cota da cota
É preciso evitar o confronto físico nós sempre perdemos
Não faço minhas as tuas palavras nem o teu juízo meu juízo
Nada existe em hipótese
Acho que voltei ao meu primeiro filme
A melhor receita é não aviá-la
No mesmo ano em que se faz um filme assim também se faz um filme assado
Não perca seu tempo falando bem ou mal de mim eu não ligo
Não basta ter razão
Eu quero a fala perfeita cada sílaba perfeitamente audível
Não sou múltiplo sou mono
Só acredito quando o mínimo for o máximo
Eles num gosta de nossas formas
Quem tiver de piroga num sobra
O cinema tornou-se um expediente para se viver o que não se vive
Toda a minha vida eu vi muitos colegas aderindo ao sistema será que eu aderi?
Vamos lá meu povo briguem reivindiquem a maré está pra peixe não deixa tubarão levar
Menos filme significa mais filmes
Indústria é problema não é solução
Não vou dar a volta ela que se dê sozinha
O fim está lá longe

Comments are closed.