Archive for setembro, 2013

Conterrâneos Velhos de Guerra

quinta-feira, setembro 26th, 2013

Ainda não é desta vez que vou fazer justiça à tarefa que me dei: falar deste filme. Não que seja complexa é por demais simples mas tinha que ver a trajetória do artista que não é pouca ou talvez nem precise podia ser só este filme.
Vejo o filme como uma sinfonia. Relembro clássicos “Sinfonia de uma Metrópole” sobre cidades, o moderno. Mas este filme não é sobre uma cidade é sobre a gente que fez a cidade. Louvo o confronto corajoso da realidade dos candangos com a dos criadores nós os artistas talvez seja nossa sina às vezes descuidamos do fundamental que é a vida em troca da forma.

A vida de uma só pessoa equivale à vida de qualquer outra imagina o massacre na revolta dos peões no refeitório episódio abafado na glória de sua arquitetura e aqui densamente revelado. Aqui se fez justiça aqui não se deixa ser apagado.

O companheiro Vladimir no seu estilo básico sem ademanes mais que uma câmera vigorosa e um discurso incisivo reúne vidas percursos como os dele saídos dos sertões de fora para os sertões de dentro.

Faz sentido a construção de Brasília que fomentou o progresso técnico das técnicas e artes da construção civil mas quem a executou com o risco e a perda das próprias vidas foram os conterrâneos velhos de guerra.

Erra Umberto Eco ao dizer que já naquele tempo era para ser feita em pré-moldados esquecendo o que significou em termos de absorção maciça de mão de obra a especializar-se e a povoar o interior: a marcha para o oeste e o que significou para a tecnologia do concreto armado e do vidro plano para tanto expandindo as fábricas da construção.

E êle vai buscá-los e vai dar-lhes voz. E pra isso é que serve o cinema para dar voz e imagem a quem os donos do poder insistem em usurpar. De novo ele o faz desde sempre com o olhar atento para a parte e o todo mas tenho a impressão que interfere pouco ao menos na filmagem por mais tensa que seja. Depois vem a montagem como é que ficam os pedaços pra juntar o todo.

Somos um tanto contemporâneos não conterrâneos não tenho como seguir em mim um Aruanda a não ser como admirador mas acompanho vi e senti todos os seus filmes a cada momento. A vida pode ser complexa mas nossa arte tem que buscar ser simples para não atrapalhar a mensagem.

O que faz um sertanejo migrar senão o fracasso de uma sempre inexistente reforma agrária. Os peões do campo tornam-se os peões da cidade e ela feita como a safra afastam-nos do cenário nascem as periferias nasce o faroeste caboclo.

É com eles que o poeta sertanejo que com eles veio preza registra e louva a tradição popular e vai reencontrá-la longe no planalto central do país onde fincou raízes e gerou a força de um cinema brasiliense.

Ele acha que é pouco depois da sinfonia veio aí o Rock-Brasília.
Êta candango velho de guerra.

Sergio Santeiro.

Conformes

quarta-feira, setembro 25th, 2013

Já guardei a imagem dela
Continue querendo o que sempre quis
Não é que não goste de doce mas doce é muito doce
Vivemos ordenadamente contidos nas ordens em que vivemos
Não sei resolver problemas
E ainda caio nos contos do vigário
O casamento é a permanência do coito consentido
Tudo que é vivo um dia morre
Tudo é como é possível ser
Menino e a pipa empinada
Eles infiltra em nós e nós infiltra neles
Quase chorei preferi rir
Cuidado pra não rotinizar o carisma
Pode ser que eu mude de ideia ou pode ser que a ideia me mude
Pós-industrial é bom
O futuro um dia chega
Ninguém ouve todos querem ser ouvidos
Apesar há pesares
Não existe andar pra trás
Trabalho ensina mais que aula
É bom cheiro de cozinha em casa
E outros cheiros também
Perco a conta se contar o que almejei
Tenho medo de que?
Prefiro os peitões e os peitinhos
Não acredito em nenhuma forma de violência
É tão bom viver sozinho
Já fui mais ativo
Além de mim os malucos daqui já me cansaram
Não convém entrar na jaula com o leão
Eu tenho e não tenho
Já fui não sou mais
Tô com pena de comer os tomates que eu plantei
Tô com medo de atrair a vingança da terra
Neste grande país as pedras de 70 viraram vidraças
Quem vai pedir prestação de contas num país em que os impostos são fragorosamente fraudados pelas corporações nacionais e estrangeiras?
Já imaginaram o valor comercial da cobertura ninja? Isso é que é modelo de negócios
Não é mais valia é vale mais
Quando me lembrar eu te digo
Se não não posso

Outrancias

terça-feira, setembro 17th, 2013

Tarado só com consentimento
Falta o fogo incontido da paixão
Eu não gosto dessa coisa doce
Tô vendo
Mas mostra a tua
Não posso lembrar o que não conheço
É jeitosa é manhosa ou as duas coisas
Tudo e mais um pouco
Na medida das minhas forças
Vou gastar tudo o que puder
Só quero ver
Vamu vê
E será que vai gostar?
Você é gostadeira?
Eu sou gostador
Mas posso cansar?
Homem quando acaba não serve mais pra nada
Aceita?
E a Aldeia e a Escola ó gajo!
Vamos dormir?
A noite avança a carência aumenta
Vou babar nessa coisa
A coisa quentinha
Mas ela vai complicar
Vai dizer que eu tô chapado
Vai dizer que eu tô de porre
E o pior ela nem sabe
Nenhum risco
Os de antes não são os de agora
Quem acha que assim é que lhe seja
Eu quero ela a rela
Quem bebe baba
Se não fizer por onde o melhor não virá
O trêfego não inspira confiança
Aquilo não é o que parece
Como uma mão
Quem deixou a banana estragar não fui eu
Quem deixou os tomates secarem
Quem deixou estragarem os ovos
Quem deixou o palmito explodir

Mágicas

quarta-feira, setembro 11th, 2013

Se eu não for eu não serei eu quem serei?
Nem sei se quero falar com você apenas cumpra o que disse
Com a boca cheia de boca ninguém ouve
Quando botar o olho em tu não vou nem querer saber
A gente fica aqui falando coisas quero ver se vai fazer as coisas
O parceiro resfolega é manhoso só quer provar a coisa pronta
Tô aqui cantando marra mas não sei se dou pro gasto
A gente faz charme pra mina não reclamar
Vais ter o que lamber e eu também
Se não resolver a questão indígena eu voto nulo e dane-se
Dominguinhos seguiu sendo o seguidor de Gonzaga
Se a esquerda ou quem se acha de esquerda não
se unir o bicho leva
Estamos como já estivemos no país em um confronto entre a esquerda e a direita tomem seus lugares
Os não conservadores dispersam-se e perdem as eleições
Chuva e frio mas o ar fica mais puro
Todo mundo tem direito de se manifestar desde que não
prejudique o outro
O uso é a mensagem
Quem não sabe precisa aprender
Quem aprendeu precisa ensinar
Se a esquerda perder-se em biografias e a direita não fizer o mesmo a coisa fica difícil
Nem imagina as orquídeas aqui entre os peregrinos
Quando a coisa é boa faz bem quando não é faz também
Melhor fazer em casa o que tanto recomendas
Mais!
Menos!
Ó!
Ah!
Tu!
Nó!
Em tu!
Nu ó!
Já já!
Vou lá!
Ahn!
Naqui ó!
Aí ó!
Menos!

Transes

quarta-feira, setembro 4th, 2013

Tô esperando 14 chegar aí é que vai ser
Eleições são parte da educação política se é que isso serve para alguma coisa
É de menina que se ajeita o pepino
Ah é bebé mamar na gata você quer
Malandro não compromete a residência
O que vale mais pode valer menos
Do que é capaz o gênio humano
Gastar o gosto
Melhor dizendo babando
Parabéns ao Brasil sobrevive a tudo e a todos
A que me dá é a que me toma
Se lamber for o teu mérito imagina o engolir
Só se chega por méritos próprios
Ganhar a gata é fácil difícil é se desfazer dela
Seria ótimo ela chegar e fazer o serviço completo
Todas são suspeitas
Imaginando coisas que não acontecem
O daqui a pouco fica insuportável
Sarampões juvenis querem dizer algo ou nada
É preciso se dar pra não ser tomado
Tô procurando quem me dê mole e não me peça pra dar duro
Se eu perguntar alguém responde?
Não se deve antagonizar movimentos sociais nenhuns
A corda parte-se na parte mais fraca
Eva era de todos
Rebeliões juvenis ocorrem a cada 20 anos
É o sistema e todo mundo vive nele não tem como estar fora
Meu tudo no seu tudo
Ameixa sim os bagos não
A vagem e o tronco na sua rota
Você não quer me esfregar na cara o que você tem de melhor?
Se falar perde a graça
E se faltar perde também
O Brasil ainda é o melhor porto do mundo
Se juntar a energia dos protestos com a da copa o Brasil vira o mundo
Se eu soubesse se eu pudesse se eu quisesse
Vais ter que esfregar pra eu ordenhar
O presidente diz que não assina nada o chefe de polícia diz assina sim
Cruzei com uma menina na rua que eu queria ter cruzado em casa
O que quero não digo nem pra mim não digo.