Archive for fevereiro, 2014

Cópias

quarta-feira, fevereiro 26th, 2014

Devia era ter cota pra estrangeiro e flutuante
Cota zero
Vive-se mais e ganha-se menos
Pra mim sem açúcar
Com espinho ou sem espinho vai a rosa até o talo
Quando se resolve um problema constrói-se um outro
A vida só é diversão pra quem está à toa pra quem não está é trabalho
Gosto muito de meninas moças e mulheres mas não necessariamente nesta ordem
Não pense com os seus batons
Quando descobrir quem me atropelou vou atropelar também
Criminalizar é papo de meganha
É preciso libertar as prisões
Bota um chip e monitora a bandidagem
Esquece o que eu não disse
Contar vantagem é reconhecer a desvantagem
Quando o sol raia eu relampejo
Um grito acorda o inimigo
O ar é incondicional
O cheiro desperta tesão
Apressado perde o ponto
No que escrevo compenso o que não faço
Não reclamo o que não me atendem
Não é possível o que você quer de mim
Não é possível o que eu quero de você
Ouvi cantar o galo mas não era pra mim
Hoje não amanhã talvez depois esquece
O que me é caro não sai barato
Um dia pode ser o início do fim
É meio esquisito mas eu não me incomodo
O que dizer da sofreguidão com que me vês
Se não deixar é ruim se deixar é pior
Fico à espera de que me esperes
Não adianta querer o que não queres
Se me deixar em paz eu posso até sorrir
A língua é um poderoso instrumento
Viva as que são grandes
Faça-se uma trégua que até nas piores guerras é o que se faz pra não se morrer tanto
A Ancine é só uma Bastilha
A vida é uma abóboda celeste
Quem disser que eu disse eu minto.

Você Pode Dar Um Presunto Legal

terça-feira, fevereiro 25th, 2014

A propósito da exibição, no Cine-Clube ABI/RJ “Você Também Pode Dar Um Presunto Legal”, de Sergio Muniz, recuperado desde 1973 quando primeiro se fez.
Tenho escrito sobre o filme aos pedaços. É como tenho conseguido. Não preciso encarecer a importância de ser visto. Em especial para a estudantada, coitada, com uma dieta magra e um repertório ridículo, comercial, fantasioso, espetacularista, oscarizável, e ilegitimamente legitimado por uma crítica, nem toda, mas exceções nos dedos, tão ou mais ridícula.
Filmes como música são para ser vistos mais de uma vez. Ninguém consegue apreender um filme de uma só vez.
Papos tipo já vi são de quem nunca fará cinema. Poderão imprimir em película ou na vírtua, serão filmes? mas não serão cinema.
Mais importante são os exemplos de cinema militante como alguns que tenho mencionado e certamente este o “Presunto Legal”. Já disse que este título provocativo, provocante, me atemoriza com esse jargão de polícia. Pois é o título antecipa o que o filme fala.
Ao tratar do aparato de repressão do Estado não tenho como não antes do filme propriamente dito retraçar a escalada de como a classe média apavorada sobretudo pela mídia impulsiona e solicita a mais-repressão.
O Estado e os governos já dispõem de inúmeros expedientes de coerção social. Acionar e oficializar os “cães da burguesia” liberando a violência consentida e o ódio de classe apenas geram um incontrolável
expandir de violência, como vemos novamente agora.
E tomem tino, imagens de violência induzem à violência. O cinema que é uma espécie de olho da sociedade não pode

espojar-se em sangue e tortura não só porque assim ensina a quem não sabe como porque assim
banaliza o único pecado e crime imperdoáveis: a violência física.
Antes de chegar ao filme, relembro a escalada desde quando a acompanho. Mencionei alguns, volto a fita, inclusive porque no cinema brasileiro deles, bandidos e mocinhos, ficaram registros, e de como
“mocinhos” viram “bandidos” a serviço ilegal dos governos portanto
ilegais também.
Imaginem que nos anos cinqüenta, desembarcadas do odioso governo
Vargas, para muitos o herói da pátria, para mim um miserável carrasco, as massas pobres populares às margens e nos morros impedidas da integração às cidades, são tomadas por bandidos “protetores”. Qualquer semelhança com o feudalismo é pouca.
Movidos pela facilidade marrom ainda hoje estrutura da imprensa mais escandalosa que informativa, a que não se exclui o cinema: das páginas policiais às telas do cinema. Uma das soluções para o sucesso de público desde o início da sétima arte são os ciclos permanentes de filmes policiais em que se exalta até a truculência policial no “combate ao crime e defesa da lei”. Armadilha.
Para enfrentar a bandidagem que é inerente de alto a baixo ao sistema capitalista governantes demagogos criam os “homens de ouro”, uns set ou oito policiais e detetives com síndrome de 007, Wyatt Earp, e que
tais, autorizados a matar.
Um deles se não me engano, o Le Cocq, morto em confronto também se não me engano pelo Cara de Cavalo, e foi o suficiente para, como tantas vezes desde então se repetiu, instituir-se a vendetta culminando na máxima que inverte Rondon.
Ao invés de “morrer se preciso for, matar nunca” o que hoje vemos é “bandido bom é bandido morto”, “atiro primeiro, pergunto depois”, com a conseqüente tragédia das balas perdidas pelo tirotear a esmo de policiais e bandidos no meio da população duplamente indefesa.
Dos “homens de ouro” nasce a Escuderia Le Cocq, e daí o Esquadrão da Morte, e daí o Dops, Doi-Codi, Operação Bandeirantes, e finalmente chegamos ao tempo do “Presunto Legal” em que a figura do Perpétuo, segundo consta um mocinho-mocinho, acaba substituída pelo Fleury, em quem a repressão e os governos consagram e convergem toda a
bestialidade do sistema.
Sobrevivemos governos, algumas vítimas, as populações acuadas e aterrorizadas, polícias, bandidos e a implacável ciranda da violência.
Admirável olho da sociedade, o cinema consciente antecipa a realidade.
Recuperando seu filme Sergio Muniz e fazendo-o circular desde meados do ano passado, eis como o melhor cinema cumpre seu papel: vemos agora o ressurgir dessas questões com a anunciada mixórdia de policiais,
bandido e milícias a disputar o controle sobre as comunidades marginalizadas pelo sistema e pelos governos e que ao invés de insurgirem-se também violentamente como fatalmente irá acontecer, encontram meios de inserir-se na economia e na sociedade formal ou informalmente no mais extraordinário fenômeno da sociedade
contemporânea.
A espontânea oferta de mão de obra montando e desmontando a cada dia, um olho no freguês e outro no fiscal, ao longo das ruas, seu mercado livre de produtos mais baratos, muitas vezes sob as ordens dos contrabandistas burgueses piratas que até no Senado pululam.
Como se sabe desde dois séculos atrás o Estado burguês não tem como responder às necessidades de suas populações. Responde com a repressão que busca excluir fisicamente o que já exclui simbolicamente. O cinema, brasileiro, e consciente não pode ser cúmplice das arremetidas do poder e dos governos contra a população, somos os seus olhos.
Espero que a estudantada ao invés de acotovelar-se na vergonhosa festa do anti-cinema nos festivais busque onde estiverem os exemplos de um cinema que não é feito para holofotes que inclusive atrapalham as projeções mas sim é o cinema que pode contribuir para mudar e fazer justiça ao mundo que acredito é a razão para que os cineastas
continuem com as idéias nas cabeças e as mãos na consciência a fazer não só filmes mas o que tantos tem feito que é o cinema para um mundo melhor.
Se alguém precisamos copiar são os meninos malabarizando limões no trânsito, porque os adultos já se deixaram levar pelo comodismo da pança cheia.
Pensamos em fazer do Cine ABI a nossa parte de esclarecimento não tanto para o consumo mas para a reflexão do que fazer do resto de nossas vidas. Sigam-nos os que forem brasileiros. Até lá, amanhã e
todas as segundas às 18:30.
Sergio Santeiro – cineasta, artista de vanguarda

Apertos

terça-feira, fevereiro 18th, 2014

Como acreditar em vida após a morte
Até o meu estilo é incorrigível
Sem meias nem peias
É melhor prevenir quando não se tem como remediar
Há mais dinheiro na mesa mas menos mesa
Se é inatingível deixa pra lá
Por que o estado brasileiro só serve pra melhor servir o estrangeiro?
Como a cereja e o bolo e lambo o resto
Melhor lambido que lambada
O negócio é desocupar o ocupante
O funil é grande demais na boca e de menos no bico
Critério é manha de esperto
Nem a maior nem a melhor apenas mais uma
E se metade da população vive assim a outra metade não merece viver melhor
Ela é bonitinha ela é gostosinha mas não sei se ela sabe da coisa
Uso o talismã no pulso não fosse ele o que seria de mim
Um bom baseado resolve tudo um ruim também
Tentando tanto de repente acontece
Ela sabe que eu não resisto a um sorriso
As mulheres são intencionadas
Quando eu penso em quem não vejo eu não sei por que não vejo
Elas acham que são livres mas é só até certo ponto
Bonitinha e coxuda vai fazer a alegria de muito varão
O que não pode ser não será
Fosse fácil não tinha pergunta
Não sei como vocês sem sair da poltrona disparam comentários tão desairosos sobre os outros
Se é com roupa não vou
O esquecimento salva-nos de tudo
Deve ser difícil ou fácil demais agradar jurado
Pasmo ou espasmódico
Gosto das coisas sempre as mesmas
Qualquer obra fala por si
Para um ateu confesso seja o que deus quiser
Se assim foi é porque assim é
Só se pode ser julgado por seus pares
Não faz birra não faz manha
Menos ganha quem mais ordenha
O cinema não é a mera sucessão de imagens é preciso sentí-las
A falta de sentimento é sentimento também?
Tudo é sentimento.

Suores

terça-feira, fevereiro 11th, 2014

A quem dedicarei minha atenção
O barato é não ser vil
Por que eu não fiz?
Ainda bem que não sou só eu
A vida é perfeita “nóis é que atrapáia”
Penso em você como eu me lembro de você
Diz pro poder que a turma da área disse que é assim
O tanto que tenta arrebenta
Qualquer rio é limpo sujo é quem lhe joga sujeira
O ser esquivo não pega onda
Cultura é cultura comércio é comércio
Pra eles sempre tem pra nós é que pouco vem
Por que não aspirar ao máximo e não o máximo
Eu queria gozar como há dez anos um tiro de canhão
Bons ou maus hábitos fico com os meus
Viva eu viva o nabo viva do tatu o rabo
O bom do infinito é que se não o alcançamos ele também não nos pega
Imagina o poder de destruição praticado por nossos governantes
Chega aí mais velho
A fêmea reafirma o poder do macho
Descanso
Há que ser firme na resposta melhor que na pergunta
Aí você descobre que não precisa de muita coisa
É poético é político é cabeça
É feio eu dizer o que penso de vocês meninas
Quem souber o caminho ensina
Quem sofre não comenta
O mundo está aí pra se entender
A coisa só avança numa aliança dos interesses comerciais e artísticos
Que cada um avance na sua direção
Confesso o meu desconhecimento da vida alheia e talvez da minha própria
Muitas janelas para o mesmo cenário
É o que a vida nos faz fazer
E não tem a quem reclamar
Quando souber quem és te direi quem sou
Nem mais nem menos que o possível
Virão na véspera do bissexto
E a tentativa de sonhar um mundo melhor mas eu não sonho
É sonho quando te lembras ao acordar senão nem sabes o que é sonhar
E sonhar é fundamental

Manchas

terça-feira, fevereiro 4th, 2014

O que eu penso que é não é
Muito olhar não é problema
Nem tudo é amor
E aí sou eterno aprendiz
E muito tudo pra nós!
Quando aniversario é como se fosse eu
É de menino que se esfrega o pepino se chupar sossega
O negócio é ir com muita sede ao pote
Quando morrer não me quero ver
O que caracteriza uma geração é o fato de estarem expostos aos mesmos estímulos de tempo o que os faz contemporâneos entre si
Como ele sempre quis e cada um de nós também consigo
Por via das dúvidas ou por dúvida das vias
A vida é um problema difícil de ter solução
Se eu desligar desliga?
Se deixar entro num carrossel de recordações
Meio desconfiados no funeral quem de nós seria o próximo
Posso ser cáustico comigo mesmo
Às vezes as coisas me escapam
1/3 menos como em tudo era melhor
O importante não é reproduzir a multidão é nela ver as pessoas
Quem tem medo do indivíduo
Tem gente que diz coisas pra frente e depois cai pra trás
Você não pode ser tudo isso
Todo mundo é galinha menos quem não é
Saímos de onde estávamos para chegar onde queríamos
Sempre queremos mais mas não precisamos
Agora não posso tô com a franga na panela
E de olho na janela
Tá tudo bem e de repente as pessoas morrem ainda não eu
Se eu não fosse tão velho e você não fosse tão chatinha até podia rolar algum interesse
A facilidade com que te dizem isso assim não dá
Bando de moleques perdidos na vida
O que é nosso é bom
Eu ainda curto o bode das minhas impossibilidades
Há quem julgue melhor há quem julgue pior mas a coisa já está feita
Cada gole uma sentença
Cada fumo uma promessa
A droga não te exime de nada ela apenas te joga no que você quer
Se não quiser seja abstêmio
Quando aprender ensino.