Archive for abril, 2014

Adeuses

domingo, abril 27th, 2014

Maricota!

Adeuses.
Velório às 11 entêrro às 15
Não escrevo para ninguém por favor ninguém comente
Guardo o carinho e o afeto e também as brigas por tantos anos de nossas vidas
Quando a indesejada nos visita não adianta dizer não
Ainda mais quando é pra findar o sofrimento de quem se vai
Tristeza sim lembranças sem fim
Mesmo que não tenhamos ficado para sempre
O que não foi possível é mesmo assim inesquecível
Fomos parte um do outro no nosso começo do mundo em que crescemos
Descanse descanse descanse em paz
É o que mais nesta hora merecemos
Não acredito sinceramente não acredito em nada além
Acho que o que vivemos é o que fica entre nós
É o que fica entre nós do que vivemos entre nós
Não gosto mas preciso ver os nossos mortos
É uma despedida sempre é necessário despedidas
É reconhecimento nem é lamento
O mistério da vida começa algum dia e algum dia acaba para os outros e também um dia para nós mesmos
Não gosto de funerais na terra
Preferiria os funerais no fogo e as cinzas no mar
Aos 70 anos a que não chegaram eu talvez chegue
Não é mérito nem é cuidado é mero acaso
Nem choro muito choro lentamente
Respeito o recolhimento deles dela e o meu
E tem que deixar passar
O corpo já descansa a alma dizem também precisa descansar
Se ficarmos retendo querendo reter o que se foi não deixaremos que se vá em paz
A paz é tudo o que mais se precisa a de fora e a de dentro
A minha a sua a deles a dela a de todos
Quero mais durar nem um minuto a mais do que devo
Quero pedir que como a muitos isto se faça apenas como um sopro
Não depende de mim nem de nós sair como chegamos
Acho enquanto isto que de alguma forma incorporamos os que se foram
Não todos só os próximos os mais próximos
Quando finalmente a indesejada na minha porta bater não direi benvinda não direi malvinda
Talvez não diga nada parece que nem dá tempo
Parece mesmo que demore parece que nunca saberemos o que aconteceu
Até um instante estávamos e então não estaremos mais
Não sei não desconfio nem imagino o mistério da vida
Só sei que chegamos e passamos
E assim é e é assim para sempre

Meios

quarta-feira, abril 23rd, 2014

Para acertar o gol não devo chutar na trave
Muita loucura é lambança
Se não melhorar piora
Arrecua os arfe
Sai da rua e vai pra urna
Sempre que os desarmados misturarem-se aos armados o resultado é sempre o mesmo
E se errar uma letra erra a senha
Eu também já fui rebelde só que agora miro o alvo
Praga de urubu magro não pega em cavalo atento
Ser triste é também uma forma de ser humano
Depois diz que não
A política não é sinuca é bilhar
Pois é Carlos a maconha acabou …
Já cansei de ouvir o que ouvi e de falar o que falei
A certeza pode ser a maior inimiga da verdade
Depois dos 50 a bengala é banguela
O problema da crítica é que quando chega a obra já tá pronta não dá pra mudar
A direita sempre quer derrubar o governo porque não é capaz de ganhar no voto
Cantador de repente é o que pega o mote e faz a trova
Metido a realista comprou champanhe francesa pruma cena de amor no seu filme recusada a prestação de contas não pode incluir bebida alcoólica
Meu dia não rende se acordo às dez horas
O tempo depura
Se a bebida acabar eu xingo vocês
Foi dar um dois na esquina levou um susto foi multado por jogar guimba no chão
Aninhado é bom é no ninho que brota a vida
Assim tu estraga a piada
Conselho de pai: faz só uma coisa por dia senão você fica nervoso e aí mesmo é que não faz coisa nenhuma
Acompanhe a discussão avalie os prós e os contras e acredite no que quiser
Se não consegues agradar a gregos e troianos agrade a ti mesmo
Muita coisa já se fez muita coisa já se faz vai querer disputar pra quê?
Ficção é a representação do real documentário é a apresentação
Não vem com arruaça que eles vêm com repressão
Documentarista é morto pela realidade
“É preciso compaixão por esse filho que ele tanto amava”
Quem tem boca tá em casa
Quem se comunica não se trumbica
Por que me dividir se posso multiplicar
Pensa que pode?
Enquanto nóis num firma nóis borda
Só falo quando é pra falar

Macacos

quarta-feira, abril 16th, 2014

Tô xingando porque passei na frente do espelho
Não me mordam
Cada um é pedaço do todo
Fora do socialismo não há solução
Gênio é gênio esforcem-se para entendê-lo
Gente de fora atrapalha mas tem uns de dentro que atrapalham mais que um elefante
Quem tem passado não depende do futuro
O sucesso de uns não esconde a miséria de todos
O dia em que me pagarem meu preço eu me viro pelo avêsso
Não desejo o paraíso curto mais o purgatório
Problemas não podem ser maiores que o prazer
De vez em quando também faz bem você se sentir mais humano
Acho que você quer me dar mais que um abraço
A outra me chamou de baranga
Esse velho safado tá comendo o biscoito mais novo que ele
A chatice como a maioria das coisas está nos olhos de quem vê
Em tudo que se faz há uma intencionalidade
É o querer fazer assim
Os europeus destruíram as civilizações aqui existentes imagina se não
Infelizmente só posso te ter depois da maioridade
Sejam militantes nos seus municípios pensem duas vezes antes de atrapalhar o dos outros
Se está no Brasil e é Nacional só pode ser Brasileiro se é Brasileiro só pode ser Nacional mas é Municipal e do Brasil só pode ser Brasileiro mas nem é Estadual nem é Federal mas sempre o Municipal será Brasileiro
Nada é melhor do que o que pode ser
Meu barato é andar na minha casa
Vivemos juntos os mesmos problemas mas com soluções felizmente diferentes
Cada um é cada um não dá pra misturar
A vantagem do curta é que não dá pra chatear porque logo acaba
O fato é que insistir no confronto tende a piorar
O que fazer? Inventar
Só falo quando ninguém fala
O meu melhor é ouvir
Peru de fora não mama na festa
Sapateiro não vou além do sapato
Recursos municipais humanos e materiais só devem ser postos no que é da cidade
Nada que estranho me é bom
A rôla rola
Sem trégua ninguém ficará protegido
Se não parar vai piorar
Se eu chegar lá você vai gostar
Será que será?

Cine-Museu de Niterói

terça-feira, abril 8th, 2014

O que pode ser? Sem mais delongas dispensemos as formalidades e o coquetel. Proponho como iniciativa inicial o apoio ao restauro e preservação do clássico e primeiro desenho animado brasileiro em longa metragem: Sinfonia Amazônica (1951) de Anélio Latini Filho (1926-1986). Consultem em www.wikipedia.com.br. Cumpro aqui a missão que me foi dada há tempos pelo Jourdan Amóra ao me ressaltar a importância do filme.
Não é pra ir recolhendo tudo que é traste por aí e nem repetir experiências que acham que deu certo alhures. Não é para fazer o mesmo é para fazer melhor. Tem que ter invenção e critério. Felizmente não estamos sós. Assisti agora o filme na sessão em homenagem a Anélio Latini Filho e Mário Latini, os irmãos o criador e o fotógrafo e na presença da representante da família Marcia Latini no Museu Nacional de Belas Artes, no auditório do 3o. andar, que é o salão nobre do imperial museu com boas cadeiras, a boa acústica, uma espetacular e invisível refrigeração e claro um simples projetor digital. A rigor não precisa mais nada. Nada desses falsos luxos de cinemas de xópin.
E atualmente com os bons recursos de tecnologia monta-se em qualquer sala com as mínimas condições indispensáveis, como acima, um platô de projeção como se fosse um platô de filmagem um pouco acima das cadeiras, aberto, visível, na menor estrutura de aço necessária, de onde se controla a imagem e o som. Em cinema o que vale é quem está vendo e o que está na tela o resto é só um meio. Era domingo.
A 1a. Bienal Internacional da Caricatura em mostra e exposição nos salões do Museu com gentil e discreto acolhimento pelos funcionários do evento. Não preciso enaltecer a oportunidade. Todo mundo sabe a relevância do papel da caricatura no país e no mundo. Mas fiquemos no meu pedaço. O filme, o que dele restou, uma grande boa parte, não sejamos trágicos, é comum em cinema, vai-se a matéria e fica o espírito, é um prodígio. Antes dele pudemos ver seu curta de estréia: Azares de Lulu que a mim me parece já demonstra seu talento de invenção e uma introdução que acompanha passo a passo o processo de criação inimaginável e sózinho em 5 anos de dedicadíssimo trabalho. É coisa de missão!
É estonteante. Imaginem o que conseguiu fazer. Vejam lá. E se isto aqui vale alguma coisa, este apelo, vamos restaurar e cumpriremos a missão. Nem precisamos de cilindros precisamos é de uma ação cultural politica decidida e radical. Uma segunda e conjunta proposta é que devemos o Cine-Museu de Niterói garantir a realização do atual projeto do Nelson Pereira dos Santos sôbre o Pedro II. É majestático! E nem é complicado basta adquirir cotas da produção: imagine Niterói, a capital da província, co-produtora do que há de ser um marco do cinema mundial: um diálogo de dois humanistas brasileiros. O Nelson aprimorou-se no criar cine-biografias imagina o que vai recriar agora.
É assim só pode ser assim que se crie um Cine-Museu na cidade vermelha. Não é pra reproduzir bobagem é pra ser ativo no presente e para o futuro do cinema no Brasil. É para dar exemplo. Nem imagino os ambientes majestosos circulares e altos do Niemeyer entulhados de paredinhas. Não se pode desconhecer as soluções de gênio da Lina Bo Bardi para o Oficina em São Paulo. Os espaços são sagrados. Só pode intervenções não permanentes não se obstrui o espaço. É preciso deixá-lo livre.

Estouros

terça-feira, abril 1st, 2014

Tudo que se filma é filme mas nem tudo é cinema
Eu também tô enferrujado e aí vai jogar fora?
Ninguém começa grande é melhor começar pequeno
Municipal é o que diz respeito aos habitantes do município
Vitória!
O prefeito de Niterói decide licitar a área comercial de salas lojas e bistrô no paralelepípedo branco do Centro-Museu de Cinema enquanto preserva para a cultura do audiovisual da cidade o cilindro negro. Parabéns! Cultura para os da cultura e comércio para os do comércio.
Idéias é fácil o difícil é o que fazer com elas
Vou dar confiança a neguinho vacilão vou não
Sou ruim de dormir sem as meninas em casa
Uma e meio a meio é contrapeso vem com a uma
A solução não é trazer o deles é mandar o nosso
Pra que complicar simplifica
Se agradar o pequeno ele cresce
Não tem casa e só pensa em palácio
Apanhar e ainda mais da polícia nem pensar
Cada um se desincumba do que propõe
Inferno é o inverno
Acho chato ver beijo dos outros mas o teu
Não me peça mais do que te posso dar
No pouco que belisquei já vi que não era pra mim
Um mergulho pode ser fatal
A vida é assim você insiste neguinho te bota pra fora você insiste
Só perco porque brigo até com a minha sombra
Se enrosca eu desenrosco
Quem fala muito tem horas que não fala nada
Os prazeres da carne se revelam e se escondem
É difícil brincar com os outros eles nem sempre acham que é brincadeira
O que me dizem não condiz com o que me dizem
Primeiro tu me dá depois eu te como
Se atrasar a sopa esfria
Se ela é uma formiguinha eu posso ser um formigão
A vida é um abismo em que nos precipitam para vencermos
O problema de quem ama é não matar o seu amor
Cada um que vai é menos um que fica
Quem entende de tudo não sabe de nada
Lamento mas tem uma hora em que se tem de escolher de que lado fica
O que eu não vejo não existe pra mim
Vivo como uma árvore que dá frutos
Inércia de governo é igual a mercado mais selvagem
Se aí estivesse iria.