Archive for setembro, 2014

Gentes

quarta-feira, setembro 24th, 2014

Não sei lidar com carência alheia basta a minha
O problema do brasileiro é o estrangeiro
Não sei como é ser estrangeiro estar num lugar que não é o seu
Nada meu é descartável
Abomino essa forma predatória de viver
Não me dás o botão da flor?
Então por que não corres atrás de um magno cacete?
É a fruta que não se joga fora
Em algumas pode-se até cravar os dentes
Mas não é pra arrancar pedaço
Deixa a coisa correr
Só pare até recuperar o fôlego
De longe até parece um grande prêmio
Mas tens no sorriso uma trava de insatisfação
Vais chegar cansada pronta pro descanso
Não faças nada aproveita só o movimento
Minta magias
Às vezes dá às vezes não dá
As mulheres são assim não têm saco pra mim
Mas eu tenho pra elas
É estranheiro
Segundo Pasô a prosa venceu a poesia
Quando bebo muito durmo
Não te quero tanto a tal ponto que te queira tanto
Quem na vida não foi derrotado um pouco mais
Num adianta recramá se carma pintá vai tê de encará
As mulheres se fazem de gostosas
Umas na frente das outras não é de todo mal
Se você tem problema com homens eu não sou tão homem assim
O meu abrigo é no limite do meu equilíbrio mental
Preciso de uma mulher como biombo para o mundo
Não fui eu foram elas que quiseram
No meio do caminho teve um joelho
Há quem ache que a sociedade contemporânea não é primitiva
O que um inesperado joelho produz?
Não é porque já te comi que não vou querer o resto
O negócio é meter a mão na massa
Quem vive tá no lucro
Se milhões olharem pra mim eu surto
Eu não quero mas acontece

Percalços

quarta-feira, setembro 17th, 2014

Não conto pra ninguém
Bota pra tirar
É biodegradável ou biodegradante
Infinitesimal é a espécie humana imagina a vida de cada um
O nosso mundo de dentro é como nosso mundo de fora
Alianças não se usa alianças fazem-se
Ê Brasil! Comemora-se a continuidade da colônia e da monarquia na proclamação de uma independência pelo futuro monarca Pedro IV de Portugal neto da rainha que anos antes trucidou Tiradentes
Não errar o hemisfério nosso norte é o sul
Quando eu saio apago a luz
O que faz a mídia todo o tempo é atemorizar e intimidar a população
Esses hinos são uns sambas de branquelo doido
Todas não só as melhores
Quem morre leva a verdade consigo
O bom é o borrado
Não atiço nem apago incêndio
Se um não implica com o outro o outro não implica com o um
Menos que isso é nada
O que mais me impressiona é o poder da palavra
Só não quero é morrer atirado
Tem que empurrar é no voto
Só o voto é soberano
Às vezes tenho ataque de velhice fico achando que sou mais velho do que sou
O engraçado é que o cliente o governo inclusive é o primeiro a acreditar na propaganda que ele mesmo paga
Imagina se aeronaves estrangeiras cruzassem livremente os céus do Brasil mas no audiovisual pode
Se chorarmos as perdas ficaremos secos
Por mais que me esforce jamais chegarei à frente do mais velho
É feio dizer que quando as mina enraba os cabelo me dá tesão
É difícil ir além do município
Se é só pra conversar é melhor parar
Eu também no audiovisual sou contra tudo que aí está
Boa ideia você faz de mim mas tem razão
Tem vez que é a princesa que vira sapo
Sobrevivente não precisa de licença pra viver
Não se joga a pamonha na rua
Não fosse exuberante ainda bota pra fora os peitos
Quero que você me agrade
A vida é um mar
E tem quem acredite
Se não em corpo no que for brasileiro estarei em espírito
Tô que nem cachorro mijando a área.

Causos

quarta-feira, setembro 10th, 2014

Um dos mais gritantes problemas brasileiros só vale ouro prata é ofensa bronze é desonra
Vai ver! Eu tô na esquina
Por favor me sirva
Não sou monoteísta nem monógamo
Todos tem intimidade com a bola mas nem sempre uns com os outros
A televisão ainda pensa que é rádio
Pra ter plural é preciso ter singulares
Não mato um leão por dia e nem uma formiga
Cada um no seu cada um
Imagino que ninguém imagina que eu tenho dinheiro sobrando pra dar
Há quem troque o sublime pelo vulgar
Por que as tevês estatais perdem para as comerciais?
Por que as tevês estatais copiam o formato das comerciais e com programação estrangeira ao invés da produção brasileira?
Sem divergir do mestre que é coisa que não se faz a produção de 150 filmes é de fato um grande feito
É no entanto um feito de seus realizadores apesar dos maus tratos de nosso governo audiovisual
Tolerar as manobras monopolistas de mercado dos estrangeiros é inqualificável
E as instituições oficiais de cinema que ditam a política são novas
E logo tornaram-se pirâmides
Deixa os meninos jogarem o que será será
É bobagem não querer é preciso querer mais
Se não desmontam estádios aeroportos e estradas por que fazer isso com os telões?
A pequena burguesia precisa é se cuidar ao transitar em território dos excluídos
Pode ser presa fácil dos ódios de classe
Cada um desabafa o que lhe pesa
Mulher quanto menos melhor
Não é o quê é o como
A este preço era melhor nem começar
Qualquer filme brasileiro tem que ter precedência sobre qualquer filme estrangeiro
Toda morte é lamentável e intolerável é toda violência
Quem tem não anda sem
O cotidiano independe da hora
Sou intenso não sou extenso
A vida não é instantânea
Bater cabelo tô no páreo
Sou meio feminino tenho que ser cortejado
O erro é não ver o outro como igual
Não gosto de formas reconhecíveis
Tanto audiovisual e tão pouco espaço
Pra que tanto assédio se não tens tempo
A julgar pelas sirenes alguma forma de poder passa pelas ruas.

Misérias

terça-feira, setembro 2nd, 2014

O país está convocado a definir seu futuro em outubro e não é só para a presidência mas para os governos estaduais que comandam a repressão e para os legislativos federais e estaduais que a tudo assistem inermes
Mas funesta mesmo é a recorrente militarização do estado
Nada some tudo coexiste
Pra quem não tem o próprio o alheio é luxo
Sair de casa é mau augúrio
Não gosto de estar fora de casa
Avisa lá que a minha mulher é questão fora de questão
Não avacalha não acavala não bestializa não se acostume
Pra minha surpresa descubro que não passo de um lobista do pequeno cinema
Se reivindicações são justas deviam deixar o sufoco passar
Quem precisa de trégua é o povo espremido entre os protestos e os governos
O perrengue não é meu o perrengue é de vocês
Estou interessadíssimo é na minha auto-ajuda
Peitos e ancas quanto mais se tem mais se quer
Não adianta me chamar de feio porque eu não acredito em você
Um pensa em amor o outro pensa em tesão
Ainda havemos de ver a mãe gentil
Será que estou tão em baixa que precise tirar sarro com você
Não sente no acento
Dinheiros esperados não entram dinheiros inesperados saem
O que vier é bom mas se não vier é bom também
Se as coisas não são como queria terei de conviver com isso mesmo assim
Quem me deve não se preocupe a quem devo ainda menos
Cada um se lambuza como pode
Melhor que o ponta-pé inicial nunca em tempo algum em todo o mundo
Só me mexo no último instante
Se perder a palavra espero até encontrá-la
Meu orgulho é ver as meninas dormindo em casa
O desafio era quem era o último a arrastar uma perdida depois da meia noite
Ninguém me conhece mais que eu
Obsessão gera obstrução
Talvez inevitáveis rebeliões anarco juvenis não costumam dar certo
Quem é de vidro não sapateia no telhado
Não é recomendável atrair o leão
Ele vem mas não vai
Para melhor fluir é melhor que flua
Mil e tantos
Menos uns
Mais uns
Igual a zero.