Disfarces

A esta altura da vida não tenho mais tempo para maiores complexidades
Não vou fazer das minhas as suas causas
Nem pobre nem rico remediado
Nem vou te contar sabe o cara não digo o nome vai que você conhece
Então vocês decidiram que eu sou um criminoso
Olharam uns papéis que nem seu avô sabia
E concluíram que sou um mal para a sociedade
Trancafiar-me em grades privar-me do convívio social
O tempo que foi necessário para se desfazer a intriga?
Aliás por que prisões
Salvo em casos de violência física a ninguém se deveria atribuir tal destino
Prisões são coisas medievais
Nem pra isso serve a tal da tecnologia?
Podem patrulhar-nos a todos sem que sequer notemos
A malfeitos deve-se dar alguma contenção nem tanto nem tão pouco
E o que o homem de bem o cidadão comum tem a ver com isso
Um homem de bem sente-se bem onde está bem
Conviver com conflitos sociais faz mal à cabeça aos pés e mãos
Na manhã de um belo dia tem-se que correr na ventania
Fez loucuras comigo e perdi o endereço
Inútil essa gente é inútil
Rima com fútil e outras coisas mais
Não adianta querer viver além do essencial
Sou culto inteligente delicado e grosseiro
Tão importante quanto saber entrar é saber sair
O pequeno comércio às centenas nos bairros aos milhares nas cidades
E a extraordinária capacidade do brasileiro em descolar uns trocados
O que é injusto não se justifica
O que é jovem precisa superar o que não é
O interesse da nação acontece nas urnas
Felizmente o brasileiro é crédulo
Não nos encanta a barbárie
Mas como enfrentá-la e derrotá-la
Meu negócio é viver o dia a dia não tenho validade para o futuro
É coisa de gente mal comida
Gastei umas boas gatas hoje gasto mais não
Infelizmente este talento eu perdi
Você é tão tão que a minha intuição é te tratar como homem
Sou nada só sou mais velho
Exigências não se discute exigências cumpre-se.

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