Archive for fevereiro, 2016

A Guerra do Paraguay

sábado, fevereiro 20th, 2016

A guerra do Paraguay (o filme de Luiz Rosemberg Filho)

Um filme de agora. Aos que vão morrer. Em nome do quê em nome de quem. . O mais extraordinário conceito dos anos 60 foi o reconhecimento da autodeterminação dos povos. Dos povos não de países não de estados. Quantos povos são reprimidos em cada país?

: – Eu vim da guerra. Vencemos. Eu sou um soldado do Império! E bate o tambor.
Desde o início tambores ressoam uma forte sinfonia em meio a sons de guerras.

: – Um soldado do Império o que fiz foi cumprir minha missão chacinei gentes como nunca tinha visto. Eu sou um patriota!

E encontra um soldado derrotado por ele derrotante. A esgrima de diálogos no envolvimento de uma dramaturgia plena e explícita em bailados de vida e morte.

E encontra a vida. A vida veio vindo numa carroça atemporal que contém o mundo puxado à força das mulheres. E então assistiremos ao duelo sem nem mais nem menos sequer uma palavra . Seu segredo é a depuração.

E então assistimos ao combate entre a bela e a fera. Sentimentos pensamentos eternos na parede bestial dos que servem ao poder. Servís repetidores das cartilhas da opressão.

Entre as belas e a fera. A bela mais velha sábia de humanidades e a menina mais nova. A menina é primal. Como falar de interpretações tão densas tão irmanadas nos personagens que vestem. Uns e outros são como cada um um só. Pega-se tão só os poucos personagens e desenha-se o mundo. Nem mais nem menos.

E mais o ator câmera que é só o olhar contracenando no drama mais perto ou mais longe recortando cenários espaços e perspectivas e reconhecido pela bela mas não pela fera. A bela fala conosco e fala por nós. A fera nem nos vê. Sons de guerras.

Lembrei Guernica. Nem vou falar das referências. Lembrei Bergman. Lembrei Beckett. Brecht é proclamado. A fábula é universal. A aldeia é o mundo.

A riqueza no entoar das falas nos permite acompanhar nítidamente os embates do pensamento os mistérios da poesia contra a barbárie. A soldadesca defende-se com seus tenebrosos méritos de porta medalhas tantos matei mas o soldado do Império jamais verá o imperador. Ufana-se de não ser senão as vidas que ceifou.

Como se explica o império bonachão o último a libertar os escravos depois de chacinar país afora todos os movimentos sociais populares mandar matar e morrer além fronteiras.

A história que celebram não é um panteão de heróis é um mísero desfile de carrascos e assassinos a espalhar fomes e misérias. E que traiçoeira se defende com Deus Pátria e Família.

E parece enternecer-se com a menina seu oposto. A bêsta é atraída pelo que acha que é o frescor da inocência. Mas a menina é primal e devolve-lhe o bordão: um soldado do império num tom único de desdém e asco. Sua única frase em um tom único jamais visto.

A bêsta leva flores à mais velha. A que confronta e demole sua missão de guerra. Ela é a vida.

Não às guerras! Qualquer guerra. Guerra nenhuma. Em nome do quê em nome de quem? A paz desarma a guerra? A guerra azuldanubeia-se com a paz? A atroz fatalidade a crueldade cumpre-se.

Mas o nosso filme preserva e eterniza o libelo da paz. Ontem no passado hoje no presente as máquinas da guerra em toda parte. Já nem mais se vai à guerra manda-se a guerra nas bombas nos bancos nas telas nas tevês nos ares.

Como às guerras responder? Resistindo e afirmando emocionado o libelo da paz malgrado todos os pesares. A ninguém é dado erguer a mão contra o seu todos nós semelhantes. A humanidade um dom da vida é semelhante a tudo que vive.

Guerras jamais!

Rio, 19 de fevereiro de 2016. Sergio Santeiro.

Chistes

quinta-feira, fevereiro 11th, 2016
Os incluidos comemoram a exclusão dos excluidos
Ninguém me obriga a ser o que querem
Até quando?
As gerações sempre se sucedem
Infelizmente à nossa combatente seguiu-se a geração dos migalheiros
Fogo na Cinemateca Brasileira em São Paulo: solidàrio!
O minimalista se excede
Um pouco eu gostaria de ser o que jà fui
Popular é o que é a favor do povo
Ê cumpanhêro tu sabe onde a estrada vai dar?
Sei não, deve de dar no impossìvel
Não bato cabeça pra quem não bate com a minha
Não seja vulgar esconde a bagana
Se eu me lembrasse não esquecia
Entretantos jà tà bom ninguém precisa de finalmentes
A ida é diferente da volta
Ia dormir mas preferi velar
Quando junta sei o que fazer
Pensou que eu ia mas não fui
A revolução espera a sua hora
As moças que eu queria jà deram sua cota
Sò não faço o que não posso
Jogo fora alguém recicla
Em cima ou em baixo
Ninguém é melhor do que é
Amor que fica
Bem me quer não me quer
Até no intervalo é bom
È carnà? Tô fora
Depois dos setenta nunca mais se tenta
Deus me livre de atrações fatais
Vem chegando vem chegando até perder-se a paciência
Fiz mal em querer bem a quem me faz mal?
E quando eu acordar o que terà acontecido
Sou tão perdido pra permitir tamanha encrenca?
Amor de menos amor demais
Tantas vezes ouvir te amo
Não é mesmo de se acreditar
Até que eu diga nunca mais
Nunca mais

O coração de tudo que tenho feito

quinta-feira, fevereiro 11th, 2016

O coração de tudo que tenho feito 

(entrevista à revista Mòdulo em 1982)
– Como vê a questão da brasilidade e qual a sua importância para o processo cultural brasileiro contemporâneo?
A brasilidade sem dùvida algo cuja natureza se refira ou que seja pròprio ao Brasil ganha melhor contorno, a meu ver, quando se pensa mais em nativismo do que em nacionalismo. Paìses são uma ficção politica os povos não. Todos sabemos que os conceitos sobre a realidade social não podem ser tomados como um dado e sim sempre relativizados em função do contexto que os emprega.
O Brasil é um paìs recente que não tem ainda 500 anos depois de ter assumido sua feição pròpria ou sua brasilidade. Seria esta renùncia a si o que caracteriza a brasilidade? Diversamente, no entanto, têm atuado seus artistas e pensadores quase senão todos ocupando-se em sua obra com o enraizamento de sua reflexão no solo em que nasceram.
Desde José de Anchieta, que não era brasileiro, vemos questionar-se o que caracterizaria a terra e a alma brasileiras. È certo que tais preocupações surgem e se desenvolvem no âmbito da consciência possìvel do tempo em que viveram e vivemos não se podendo aplainar ou mesmificar os diferentes tons em que esta preocupação se manifesta.
Perceber que a realidade é determinada pela natureza e que portanto o espaço fìsico e geogràfico que limita um paìs é que propicia o desenrolar històrico e a capacidade de transformação do destino da sociedade parece-me que é o ponto em que se pode discutir a brasilidade ou, como prefiro, o nativismo.
De tempos em tempos tal preocupação assoma o primeiro plano social e seria grato imaginarmos que no momento atual resultado da  tragédia històrica da anulação politica e social que mais acentuadamente vivemos desde 1964 quando mesmo os mais banais sentimentos nativistas vêem-se atropelados pela continuada invasão estrangeira, fìsica, comercial, economica, ideològica e cultural com o pleno domìnio do territòrio e suas riquezas pelo capital estrangeiro, no caso da cultura, pela industria cultural de massa, seria grato pensarmos que a pertinência do conceito signifique uma retomada mais firme pelos homens de cultura brasileiros do chão que é nosso.
– De que forma a questão da brasilidade intervém no seu trabalho?
A brasilidade, que seria a preocupação de situar o paìs em que nasci, é o coração de tudo o que tenho feito. Em meus filmes, o golpe, a poesia de Sousândrade, a siderurgia brasileira, a revista dos modernistas, o humor, a universidade fluminense, a arquitetura històrica paulista, Ismel Nery, em meus artigos de intransigente e exclusiva anàlise do cinema e da cultura brasileiros, em meus poemas, em minhas aulas e palestras, em tudo o que faço e digo outra não tem sido minha orientação sobretudo na medida em que me detive até hoje a retratar aspectos da cultura e da realidade brasileiras, e assim sempre serà.
Estranho que pudesse ser diferente. Estranho o movimento de consumo cultural no Brasil que é amplamente voltado para fora. Em todos os veìculos predomina a ênfase no recolonialismo permanente,carreando não sò os nossos parcos recursos para os centros financeiros mundiais como hà quinhentos anos mas induzindo-se o publico a pisar sua identidade cultural, alienando-se e alienando a historia do paìs posta a reboque da barbàrie capitalista internacional.
Sò os brasileiros produzem a melhor cultura brasileira em todo o mundo, e se não o fizermos privamos a humanidade deste fundamental depoimento a juntar-se ao de outros povos no sentido de superarmos as diferenças naturais e encontrarmo-nos diversos mas unidos na defesa do sentimento humano este sim universal mas retratado nas formas particulares a cada cultura.
Sergio Santeiro é cineasta e poeta. È atualmente presidente da Associação Brasileira de Documentaristas do Rio de Janeiro que congrega os realizadores de filmes culturais, curtos ou documentàrios

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terça-feira, fevereiro 2nd, 2016
Não se faz dinheiro sem tê-lo
Se me aprisionar não vôo
Se não vôo não como
Assediado em todo lado onde descubro minha bissetriz?
È pela graça do texto
Vou dar fubà e àgua pra ela fazer meu angù
Boto ela no fogão pra me fazer tapioca de manhã
A minha conta ninguém paga nem eu
As populações não devem sofrer com a polìtica
A polìtica é para resolver não para criar problemas
Duas coisas se afastam quando você se aproxima o horizonte e o abismo
Posso enfiar o pé na tua jaca?
Não seja o inimigo
Senão ele acaba com você
Distraia
Se
Descentre-se
Às vêzes canso às vêzes causo
Não somos poucos somos tantos espalhados pela terra
Não sei o que fazer
Acho que sei mas não sei
Por que se permite que concessionàrias estrangeiras se aproveitem de nosso mercado em prejuìzo do que é nosso?
O pior da discussão é quando o outro tem razão
Todo mundo gasta mais do que ganha
Lembrar do tempo em que não tinha pendencias esse tempo nunca existiu
Quem tem não larga quem não tem não segura
O que te bota là você acha que é mérito
O que te tira de là vocë acha que é injustiça
Serviçais do império aonde vai nosso dinheiro
Não adianta discutir no balcão
È grande a treta
Isso na cama é um espetàculo
Quem não enxerga o trilho perde o bonde
Quem nada quer tudo perde
Baleada pelo tempo a boca resiste
O bom do curta é que é curto
Quem quer a coisa certa presta atenção no seu municìpio e não elege a direita
Areia arranha
Quando eu crescer quero ser igual a mim
Efemérides me aborrecem