Archive for outubro, 2016

Remotos

terça-feira, outubro 25th, 2016

O que vivemos tornou-se uma ditadura de bacharéis
Nem militar nem burguesa apenasmente pequeno burguesa
De interino a ilegítimo a ditador
Engana-se quem pensa que a direita vence ela só retarda
Cada um vive a revolução como pode
Nestes tempos de guerra nada melhor que um grande guerreiro
Na beira do infinito tem um mundo que acaba
E tem um que começa?
Pense em você imerso sózinho no oceano
E se um bando de gaivotas te dão um rasante
E se um monstro do mar resolve alimentar-se
E se você desastrado esbarra no remo que se afunda no mar
E se você nem sabe remar
O mar derrama no mar
A Nelson no seu dia aos 87
Por um cinema popular socialista
É popular porque dedica-se a procurar e descobrir a pesquisar e afirmar os valores culturais do povo
É socialista porque todos são personagens não há figuração
Até o policial que vai apurar a ocorrência um majestoso negro no rádio de sua viatura
O ferroviário que atende o Espírito caído do trem nos trilhos
Enfim todos os que habitam a tela são personagens neste pedaço do drama da vida que é “Rio Zona Norte”
Como se valeu em “Rio 40 Graus” de igual intenção e sucesso um painel na vida da cidade reafirmando não só a denuncia social como qualquer arte que se preze
Mas a criação de um mosaico de interações sociais
Os moleques a favela a escola de samba modelo de vida o deputado a gatinha o pachola
Como idealista utópico que é
Idealista pois não só crê mas realiza sua construção de idéias em filmes
Utópico porque ao contrário do que se vulgarizou utopia não é sonho devaneio ou quimera
Utopia é projeto
É o que se quer ser
Se não for agora é amanhã
Se não for assim é assado
Só precisa não desgarrar-se de si
Não desistir
Proteger-se
As ondas vem em levas
Passar a primeira atenta à segunda
Passar a segunda que é maior que a primeira
Cuidado com o refluxo que arrasta
E mergulhe sem bater com a cabeça no fundo
E ao surgir de novo acima da água
Olhe o horizonte
E agradeça estar vivo que é pra isso que vivemos nos mares da terra

Cúmulos

quarta-feira, outubro 19th, 2016

Só um idiota não enxerga como as mídias idiotizam o público
A derrota nas urnas aprofunda o golpe
Com o ilegítimo nenhuma legitimidade é possível
O bom vai ter que ser melhor
A eleição é momentânea já o mandato
É um erro federalizar a eleição no Rio
A majoritária votação na direita que é reflexo do golpe assusta qualquer previsão
A eleição é um instantâneo que dura quatro anos
Batalha perdida não é guerra perdida
E isto no Rio é um choque titânico
De um lado a pregação monocrática com acessos de violência acusatória
De outro a emergência da diversidade, da juventude, da justiça e da paz social
Mas desde o nefando “domínio do fato” ao golpe o país permite-se uma devastação inédita
O Rio é o pandeiro do Brasil
A direita eleita no poder vai ser osso
Nenhum deus tal há de permitir
Evangélicos não são satânicos só os seus condutores
O capitalismo se é tão bom que seja para todos
Cada pessoa vê o mundo do seu jeito
O que não é problema desde que não queira impô-lo aos outros
A frente de direita avança alvissareira enquanto a de esquerda xinga o eleitorado
A guerra no Rio e em toda parte é dos ricos contra os pobres
Nem côr nem gênero nem credo a guerra é de classe
A vida invade a arte invade a vida
Levantar os fundos com os fundilhos?
Pior que os militares são os para-militares
Neguinho é tão burro que acredita na propaganda que paga
A vida é o que fazemos pra vivê-la
Sempre na política o confronto é entre ricos e pobres
Nem discutiria méritos pessoais mas digamos como é moda modelos de gestão
Aos ricos o neoliberal e seu “estado mínimo” abrindo-se à deslavada privataria que assola o país ilegítimamente destruindo o patrimônio público
Aos pobres a necessidade do estado participativo suficiente para garantir o acesso de todos aos bens do progresso
Mas a desilusão com a política afasta os eleitores das urnas
E é essa gente que não foi votar que vai decidir quem nos vai governar a cidade
O duelo de titãs em que o país está perdendo tem seu desfecho no Rio
O Rio não pode sucumbir
Geralmente o final é triste só não queria que seja o pior
No capitalismo quem se favorece é sempre a burguesia
Não preciso ser preciso
E segue a farra do bode velho

Próximos

terça-feira, outubro 11th, 2016

Quem não vive a própria quer viver a do alheio
A direita quer fabricar uma guerra
É preciso a todo custo evitar o confronto físico
A índole pacífica do povo não pode ser jogada no abismo
Não é possível que as sumidades jurídicas políticas e sociais do país permitam a marcha do golpe
Não se pode expôr o povo à repressão
Não sou íntimo da certeza
E tampouco da verdade
Achego-me mas não sou chegado
Não comece o fogo amigo que a parada é da pesada
Só há dois lados escolha o seu
Não nego meu fado pagão e profano
O dever de um mais velho é prestar testemunho
Como em 64 até os promotores do golpe irão se arrepender
As gerações não tem melhores tem pares
Ainda que não se reconheçam entre si
O cinema brasileiro conta a história do Brasil mas o que o pessoal mais vê é filme estrangeiro e sai ignorante
O que chamamos de revolução é caminhante
Arrasta a corja toda
Nenhuma pergunta sem resposta
Se procura acha
Prender a vanguarda empresarial não ajuda a criar emprego
Como em 64 a cultura não demissionou-se não acovardou-se não desistiu
Não exclua inclua
A revolução não se faz só de vitórias
Há transgressões
Como pode um juiz de província destruir um país
Não se queira parar o mundo o trem passa na estação
Cada cateto sua hipotenusa
Muitas coisas pra se ver mesmo sem querer
Ele não poupa o país
Se não nas municipais as lideranças que se consideram de esquerda no país tem a obrigação de combinar uma ação conjunta e unificada contra o golpe
Não se entrega a economia de um país a um gerente de banco estrangeiro senil
A lava só náo lava a lingua de quem lava
Não há nenhuma instância jurídica que acabe com a farra do neném?
A bela e a fera numa só pessoa ninguém aguenta
Aos jovens se diz faça sua biografia antes de achincalhar a dos outros
Xô encosto
Delação nada prova
E aprisionada menos ainda

Nesgas

segunda-feira, outubro 3rd, 2016

Se violada então é causo de viola
Cada tempo sua fala
Lampião que não cultivo só foi filmado por um cineasta ambulante o cinema é ambulante
Se confessar que sou não vão me levar a sério
As eleições municipais são uma boa hora para o protesto
Ao vencer o golpe uma realidade se impõe ao país é continuar vencendo o golpe
Carisma é coisa caprichosa antes não tinha agora tem
Os mais velhos a nossa ambição deve ser contribuir para o processo
A vida é um processo social
Cada um no seu pedaço juntando para ficar maior
Golpes não prosperam sempre
Vivemos o ciclo do fanfarrão
A boca e a coisa é boa mas o outro é bom
Não se bula com a caserna
O cara tá brincando de casinha
Pra se mostrar pra patroa
Maldita a língua de mil e um sentidos
Bendita a língua de mil e um sentidos
O cinema brasileiro veio de algo messiânico para algo existencial
O que há com o Brasil?
Por que se permite esse vergonhoso assalto pela quadrilha legislativa grudada à quadrilha judiciária para botar essa quadrilha no poder?
Às vezes eu erro mas desta vez não errei
O que acontece se há uma entropia revolucionária?
Paladinos no passado promovem o golpe?
O golpe é fruto da inveja e os invejosos acorrem aos milhares
Como uma pessoa pode querer impor-se dessa maneira tão desastrada
Operações contábeis cassam mandatos
Cata a lata vira a lata chuta a lata
O genro do genro do genro
Tudo o que se ouviu no Supremo e na Câmara é que o golpe é golpe
Chego a propor uma anistia ampla e geral
É preciso acreditar-se no voto
Discutir comigo na minha área de interesse é ruim
Sou pelo cinema de empolgação
Tu vê um filme e fica empolgado
E empolgação na avenida é fundamental
E pode tudo menos violência
Cada passo é um problema
Esfriou