Remotos

O que vivemos tornou-se uma ditadura de bacharéis
Nem militar nem burguesa apenasmente pequeno burguesa
De interino a ilegítimo a ditador
Engana-se quem pensa que a direita vence ela só retarda
Cada um vive a revolução como pode
Nestes tempos de guerra nada melhor que um grande guerreiro
Na beira do infinito tem um mundo que acaba
E tem um que começa?
Pense em você imerso sózinho no oceano
E se um bando de gaivotas te dão um rasante
E se um monstro do mar resolve alimentar-se
E se você desastrado esbarra no remo que se afunda no mar
E se você nem sabe remar
O mar derrama no mar
A Nelson no seu dia aos 87
Por um cinema popular socialista
É popular porque dedica-se a procurar e descobrir a pesquisar e afirmar os valores culturais do povo
É socialista porque todos são personagens não há figuração
Até o policial que vai apurar a ocorrência um majestoso negro no rádio de sua viatura
O ferroviário que atende o Espírito caído do trem nos trilhos
Enfim todos os que habitam a tela são personagens neste pedaço do drama da vida que é “Rio Zona Norte”
Como se valeu em “Rio 40 Graus” de igual intenção e sucesso um painel na vida da cidade reafirmando não só a denuncia social como qualquer arte que se preze
Mas a criação de um mosaico de interações sociais
Os moleques a favela a escola de samba modelo de vida o deputado a gatinha o pachola
Como idealista utópico que é
Idealista pois não só crê mas realiza sua construção de idéias em filmes
Utópico porque ao contrário do que se vulgarizou utopia não é sonho devaneio ou quimera
Utopia é projeto
É o que se quer ser
Se não for agora é amanhã
Se não for assim é assado
Só precisa não desgarrar-se de si
Não desistir
Proteger-se
As ondas vem em levas
Passar a primeira atenta à segunda
Passar a segunda que é maior que a primeira
Cuidado com o refluxo que arrasta
E mergulhe sem bater com a cabeça no fundo
E ao surgir de novo acima da água
Olhe o horizonte
E agradeça estar vivo que é pra isso que vivemos nos mares da terra

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