A Fotogenia em Miguel Freire

Em seu livro a ser lançado em 9 de novembro “Fotografia Getuliana – a Imagética Getuliana na Construção do Olhar Fotográfico nos Tempos do Estado Novo”, Kotter Editorial, Curitiba, 2016
E que vem a ser a tese de doutoramento do colega professor da UFF – Universidade Federal Fluminense em Niterói
A fotogenia: imaginar-se a imagem como política de estado
A fotografia ilusão de realidade e o cinema ilusão de movimento permitem enquadrar a vida ao gosto e responsabilidade de quem a enquadra
Sinal dos tempos os regimes autoritários e de exceção e de poder querem dispôr a sua mercê a representação da realidade
No entanto a imagem é imanente
Contém o que queremos e também o que não queremos ela fala por si e demonstra-se a olhos apurados em buscar seus sentidos
Miguel Freire chama de olhar germânico a montagem da imagem no estado novo o odioso regime implantado e maior legado getulista
Procede a uma detalhada e minuciosa descrição de materiais fotocinematográficos do DIP – Departamento de Imprensa e Propaganda em que vê os procedimentos técnicos que induzem à criação de uma mística do poder brutalmente imposto à sociedade mas aparentemente edulcorado como faz a mídia burguesa no mundo de hoje
Não se desmontou o aparelho de repressão policial do estado nem nas posteriores democracias e igualmente não se desmontou o aparelho de repressão audiovisual que escurece os caminhos e ilude a massa agora nas tevês
O meio massera
E não obstante entrega-se porque tem as marcas da dominação que pratica
O enquadramento é uma questão moral quer dizer quem está no mando mas não me venham com simplificações não é porque se filma de baixo pra cima que se convence da superioridade do de cima
Induz-se sim ou quer induzir-se no entanto o que no máximo se consegue é a semeadura do culto à personalidade ilusão suprema de que a ditadura com suas mãos de ferro a todos seduz
O curioso é que o pagante no caso o estado acredita na propaganda que paga
A autoindulgência individual já é triste imagina a do estado
Vale para ontem vale para hoje e sonho que não valha para amanhã
O Miguel Freire é um fotógrafo que como tantos de nós era um calouro estudante e filmou a invasão da UnB – a Universidade de Brasília em 68 um documento histórico militante o avesso do que hoje desvenda na construção da imagem oficial
É uma questão moral não se há de permitir que o poder de estado ao se apropriar dos meios de produção audiovisual se aproprie de nossos instrumentos de trabalho de nossas foices de nossas enxadas de nossas bandeiras
A câmera nas mãos é para imortalizar as idéias na cabeça e se as idéias forem do mal também se imortalizam mas como exemplos a não serem seguidos
Nem tanto poder podemos almejar como o poder do estado mas podemos almejar o poder de denunciar o poder do estado

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