Bolas

Quem não quando sim lambuza-se
Derrubada por fiscais ela vem esfuziante pedalando de verdade pelas ruas das cidades
O renegado juntado ao ilegítimo
A vida ensina mas nem sempre aprende-se
Se ficar sem comer não posso ficar sem beber
Se ficar sem beber não posso ficar sem comer
O imediato não garante o amanhã
Nem sempre percebe-se o instantâneo
Um inteiro vale mais que dois meios
Perguntar ofende
Responder ofende
Ignorar ofende
Ofender ofende
Sonhar não ofende mas também não resolve
A coisa piora
A coisa é piorável
Se o que é público não investe no que é público
O privado só investe na privada
E nem se puxa a descarga
Enquanto os narizes melequeiam-se
E os bandidos nem se tocam
O bode velho e o cabra cego chafurdam no abismo
Martelar na bigorna não quebra mas faz um barulho dos diabos
Melhor não
Você viu o invisível por aí?
Diz pra ele aparecer
Antes que se prove o improvável
Ou se defenda o indefensável
Ou se vislumbre o invislumbrável
Ou se quebre o inquebrável
Ou se esqueça o inesquecível
Ou se decline o indeclinável
Ou se pense o impensável
Ou se adie o inadiável
Ou se regurgite o ingurgitável
Ou se pondere o imponderável
Ou se sirva o inservível
Ou se confunda o inconfundível
Não é possível suportar o insuportável
Indispensável é desprezar o desprezível

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