Archive for fevereiro, 2017

Segundos

terça-feira, fevereiro 21st, 2017

Você quer que eu corra
Você quer que eu morra
Eu não corro não
Eu não morro não
Coisa estranha vida estranha
Meus coevos no poder
Não éramos assim
Ou éramos?
Que me lembre éramos todos na pindura
Rachando pratos populares no boteco
Sempre tinha uns mais safos
Sempre tinha uns abonados
Mas não eram e nem eu bêstas
Palavrinha ou palavrão a palavra tem condão
Se me esqueço é que não mereço
Pulando que nem pipoca às vêzes é só caroço
Nem sempre é bom ocupar a vaga
Nem sempre fui mas ainda vou
Juntar os quês às veiz atrapáia
Questões complexas não se resolvem com botinadas
Já que não prendem os bandidões podiam soltar os bandidinhos
Há os bons cacos e há os maus cacos
Sortilégios nem sempre são sorte
Hoje tem sol e lua ao mesmo tempo no céu
E ainda há quem diga que a vítima é que deu mole
A vida é a prova dos nove
Mais vale quem mais vive
Nao há resposta sem pergunta
A perder de vista
Anula tudo!
Não dê conversa pra quem não dá ouvidos
Não dê ouvidos pra quem não dá conversa
O limite do sono é a vigília
O limite do sonho é o trabalho
O limite da faina é o cansaço
O limite da escrita é o papel
O limite do outro é o querer
O limite da vida é o nada
O limite de mim sou eu
O limite é onde tudo acaba

Acidentes

segunda-feira, fevereiro 13th, 2017

Vivemos uma ditadura acidental em que o ilegítimo crava um vitalício para inocentar-se
O ilegítimo que é pau mandado do gerente que é pau mandado da matriz
O supremo virou ínfimo
Por que a revolta popular não é pré-revolucionária?
Porque é desorientada
Foi-se o tempo das revoluções?
Foi-se
A complexidade da vida contemporânea neutraliza a construção do socialismo
A disparidade das condições de vida impede o acúmulo de forças na população
Que a tudo assiste sem participar como no golpe militar que instituiu a república
Seria bom tivesse sido o que não foi
Tal raciocínio é impossível e portanto inútil
Não se pode pensar o passado com os olhos do presente
Não se pode pensar o futuro com os olhos do presente
Dizei-me quem manda e direi quem sois
Como saber como se move a história?
Se ao menos soubéssemos como se moveu
Há teorias há versões mas há acidentes
Acasos há?
De repente a marcha retrocede
Galopes há
Aprendi que a luta de classes é o que determina o que se faz
Ah os determinismos!
O biológico talvez sim
Bananeira não dá mamão
Alguma mônada gerou vida
No fundo do mar?
De algum asteróide?
Mas mil milênios aqui estamos
Atropelando-nos qual espermatozóides
Diz-se que milhões apenas um fecundando um óvulo
E aqui estamos bilhões fecundando a terra
Pra dela tirarmos o nosso sustento
Mas os bilhões deixam-se mandar por dezenas
Incontidos sanguessugas sugam tudo
E de tanto incontidamente sugarem a terra
E nem é para o alimento é pura predação
No social o determinismo não é como o biológico
Sequer é lógico é em última instância
E para a humanidade a última instância é sermos devolvidos à energia do universo

Cruzes

terça-feira, fevereiro 7th, 2017

A meu ver a assinatura do cara se compõe de três torres no início no meio e no fim com rolos de arame aos pés
O Brasil é um espanto a pequena burguesia janota destrói a elite empresarial capitalista
Não que eu seja contra mas é problema
Neros
O que faz um homem acuado
Contenta-te com menos
Riqueza Fama Poder
E ficamos cada um à sua os militantes a disputar-nos enquanto o país afunda
Cuidado com a limpeza de arquivo
Denuncia que te absolverei
Nenhuma caça às bruxas resolve
De vez em quando alguém aparece
De vez em quando desaparece alguém
Nem tudo é perfeito e o que não é é por fazer
A questão não é disputar a câmara é anular o golpe
O Brasil é o avesso aqui os ilegais perseguem os legais
Desde a 470
Até quando durará essa farra imperialista?
A minha vergonha é que é um pedaço da minha geração no poder
O mordomo prende o marqueteiro
A vampira sagra a operação
Déspotas abismam o país
E não há o que os impeça?
Há muito alguns meses a ilegalidade impera
Três poderes atolados na barbárie
Despejam desmandos a favor do inimigo
Quem é o inimigo?
Não sabeis?
É quem lucra nas costas do povo
É quem lucra
Não sabeis que o lucro é iníquo
Extorquido ao trabalho
E jactam-se em divulgar que dez nababos em todo o mundo concentram o que a todos falta
Espalha-se morte e miséria mundo afora
E não basta
E não param
Ainda assim os povos sobrevivem
É tão pouco o que precisam
Às vêzes perde-se
A falta que faz