Acidentes

Vivemos uma ditadura acidental em que o ilegítimo crava um vitalício para inocentar-se
O ilegítimo que é pau mandado do gerente que é pau mandado da matriz
O supremo virou ínfimo
Por que a revolta popular não é pré-revolucionária?
Porque é desorientada
Foi-se o tempo das revoluções?
Foi-se
A complexidade da vida contemporânea neutraliza a construção do socialismo
A disparidade das condições de vida impede o acúmulo de forças na população
Que a tudo assiste sem participar como no golpe militar que instituiu a república
Seria bom tivesse sido o que não foi
Tal raciocínio é impossível e portanto inútil
Não se pode pensar o passado com os olhos do presente
Não se pode pensar o futuro com os olhos do presente
Dizei-me quem manda e direi quem sois
Como saber como se move a história?
Se ao menos soubéssemos como se moveu
Há teorias há versões mas há acidentes
Acasos há?
De repente a marcha retrocede
Galopes há
Aprendi que a luta de classes é o que determina o que se faz
Ah os determinismos!
O biológico talvez sim
Bananeira não dá mamão
Alguma mônada gerou vida
No fundo do mar?
De algum asteróide?
Mas mil milênios aqui estamos
Atropelando-nos qual espermatozóides
Diz-se que milhões apenas um fecundando um óvulo
E aqui estamos bilhões fecundando a terra
Pra dela tirarmos o nosso sustento
Mas os bilhões deixam-se mandar por dezenas
Incontidos sanguessugas sugam tudo
E de tanto incontidamente sugarem a terra
E nem é para o alimento é pura predação
No social o determinismo não é como o biológico
Sequer é lógico é em última instância
E para a humanidade a última instância é sermos devolvidos à energia do universo

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