A Nelson

Em 7 de out de 2017, à(s) 15:19, Sergio Santeiro escreveu:

A Nelson

Quase aos 90 anos de idade o nosso mestre como em um Liceu de Artes e Ofícios segue ensinando pelo exemplo
Ao longo da vida plantou filmes escolas e leis
Filmou os seus e os que inspirou
Foi montador de “Barravento” estréia de Glauber Rocha e “Pedreira de São Diogo” estréia de Leon Hirszman e produtor de outros como “O Grande Momento” estréia de Roberto Santos
Seu primeiro filme “Juventude” um documentário em 1949 embora perdido pelo título já diz tudo em sua estréia comunista
A construção do comunismo no pós-guerra no Brasil era uma frente ampla para o desenvolvimento
No entanto logo os intelectuais e os militantes se estranharam e foram cada um pro seu lado
Como de costume
Em 1952 lança no II Congresso do Cinema Brasileiro em São Paulo o conceito de “modo de produção independente” que passa a concretizar desde “Rio 40 Graus” em 1955 o memorável mural em sua carreira de humanista e até hoje
´Um dos construtores do primeiro curso superior de cinema na seminal Universidade de Brasília´que em 68 sofre o ataque demolidor da ditadura da época
De lá segue para Niterói onde participa na criação em 1968 do Instituto de Arte e Comunicação Social e seu curso de cinema na Universidade Federal Fluminense
´Batalhou também na frente pela legislação a favor do cinema como no grupo de trabalho que em 1974 propõe a criação dos três poderes do cinema brasileiro: o Concine normativo, a Embrafilme executiva e o Centrocine cultural
É o elo de ligação entre o o cinema brasileiro de antes e o de agora
Algum dia gostaria de refletir sobre seus filmes à luz de um conceito de “cinema popular socialista” que creio ser a estética de sua obra
Diz a lenda que enquanto os meninos do cinema novo discutiam ele impávido na dele só concluía: “Agora vai lá e faz!”
Um comunista orgânico gramsciano são contemporâneos
E em suas próprias palavras: “Eu acho que sou um homem do povo que driblou a gramática e descobriu o cinema”.

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