Cruzes

Mostro a cobra e mato a pau
Palavras não têm sentido
Só quando se misturam
Uma diz à outra
Tô de boa na lagoa
Imersos no fascismo que é uma bêsta fera
A bêsta fera não tem limites
Espalha-se como uma gosma
Um dia aqui outro ali
Qualquer coisa é tudo
Todo mundo é personagem
A nuvem cobre o mundo inteiro
Nenhum povo merece ser dominado
Cada país tem muitos povos
A gosma empurra uns contra os outros
De tanto conspirar o conspirador conspirou-se
O impostor propaga a impostura
Nem feudal nem capital aqui é um deus nos acuda
A questão do povo é sobreviver
Em meio ao tiroteio das ambições e poderes burgueses
Na aldeia é onde mora o equilíbrio
Todos colhem o que plantam
E partilham
Não mexam com os tesouros da terra ela pode não gostar
E a cambada se vai juntando
E justapondo-se
Nenhum interêsse é desinteressado
O pior é expor maliciosamente foto de criança alheia
O pior foi aceitar a farsa da delação petebista
O pior é meia duzia de notários do fim do mundo roubarem milhões e milhões de votos dos brasileiros
O boi a bala a bíblia
O matador suicida-se
Não se esqueça de mijar antes de sair
Rifar o Gragoatá é de uma estupidez digna do ilegítimo
Tento pensar a vida
Não sei o que dizer da morte
Lamentar
E quando fôr a minha
Menos ainda terei o que dizer
E nem mais precisa

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