Archive for novembro, 2017

Nacos

terça-feira, novembro 28th, 2017

Antes da noite era o sol
Antes do sol era a noite
Dormindo nada faço
Desperto tudo a fazer
Cada um contribua como puder
Se não puder pelo menos não perturbe
Não quero muitas idéias
Muitas é muito
Sem óleos sem sais o barato é moquear as carnes
A burrice liberal é reprimir a demanda
E aí? Faz como?
E se acham os reis do pedaço
Em meio a miséria grassando de sua ambição
Ambição ambição aonde vai tanta ambição!
Palpites palpites este é o país dos palpites
Como as pessoas as plantas não gostam de ser assediadas
Pros trilhos ou pras tralhas
Dramas
Tragédias
Comédias
Farsas
Negócios
Reproduzo a natureza ao alcance de minhas mãos
Jardins bosques florestas
Tudo nasce da semente que plantas
Até o que não queres
Como espinhos
Quem pergunta não sabe se já sabe a resposta
O cinema imperialista é uma porra de uma indução programada
Empurram-nos pro conflito não pra concórdia
Embora produzido socialmente o conhecimento não gera o bem estar da sociedade
Senão apenas o de alguns grupos
A única referência a meu ver primordial é a do local de origem
Além de tudo o golpe é senil
É um ataque às novas gerações
Estragos a perder de vista
A ninguém recrimino
Cada um é o que a vida lhe permite ser
Recrimino o poder
A ninguém dominar

Papos

terça-feira, novembro 21st, 2017

A mídia ameaça
A mídia ama a essa
Um diz que entende
O outro diz que não
Artista artífice artesão autor
Cada dia é um novo dia
Sou mais o escambo que o escambau
Sou mais a troca que o capital
Capital é o trabalho alheio acumulado pelos burgueses
Quem foi que agregou a demanda?
Quem é que avitou o super?
Quem amortizou o débito?
Quem adimpliu a meta?
A vitória não é de quem fala é de quem faz
Falar tem seu valor tem seu fulgor
Pode ser farol ou lanterna
A estética não é o bonito
É o belo
A vida é pura predação
Animalesca
O animal precede o humano
Difícil é conter os instintos
Dizem que instintos não é humano
E não agimos por instinto?
Quando componho eu tento equacionar o mundo
Por que se cumpre ordens?
Cada um faz do seu jeito
O outro vem e põe defeito
E ainda que defeito haja
Ninguém se meta a dar pitaco
No que não é de sua alçada
Quem critica o rabo espicha
Ainda mais se com razão
A razão não é coisa que aos outros se imponha
Não importa se é boa ou má a conha
Cada um com seu bagulho
A razão ou desrazão não é coisa que se ostente
Se a tens justo é deixá-la a quem não tenha
Quem a tem não precisa ter a mais
Quem precisa é quem a tem a menos

Traços

terça-feira, novembro 14th, 2017

Nem eu nem tu nem ele nem vós nem eles nós
A república é de todos e para todos
Mas a burguesia não deixa
Quer que ela seja só para defender seus perdulários interesses
O congresso é pra representar o país e não os interesses de seus componentes
Quem acha que o povo é omisso
E não se manifesta
E que a política não tem jeito
Não está acompanhando a caravana Brasil adentro
Viva 18
Nunca … é difícil
Sempre … é difícil
Anula o mouro
Mestres são os que nos antecedem
Mais desejos que fatos
Um dia a história descubro
Um dia a história construo
Riscos não corra
Desacelera
Freia o carro
Há muito que a vaca foi pro brejo
Vai ser difícil desbrejizar
O cara diz que vive no estado democrático
Só se a capital fôr o golpe
Uma pinga e um pingo de prosa
Honestamente
O pior nem é que a civilização seja injusta mas que seja burra
O antes vem antes do depois
Por que soldados expõem as suas e outras vidas para defender os valores da burguesia e seus políticos que a todos exploram?
A revolução só é possível nas urnas
As eleitorais
Não as mortuárias
Antes da guerra a paz
Depois …
Desde que o mundo é mundo
E depois?
E eis que inventaram a justiça
Para julgar os vivos e os mortos
Por que se perdem nos caminhos?
Porque seguem os da ambição

Placas

segunda-feira, novembro 6th, 2017

Estamos assistindo a um torneio medieval
De um lado o campeão das elites
Do outro o campeão do povo
Façam suas apostas
Algum dia se há de revelar o que foi o cinema brasileiro e o que o poder fêz conosco
O que tem sido a luta pela sobrevivência
O critério da esquerda deve ser o antes mais votado
Não é possível que se troque a imortalidade por meia duzia de espigão
A vida é um minifúndio
Só de preservá-la terá valido a pena
O trabalho é um minifúndio
Só de preservá-lo terá valido a pena
As palavras buscam os significados
Os significados buscam as palavras
Pode ser que eu tenha razão
Pode ser que não
Por que não se respeita os nativos?
Nunca se respeitou
Os degredados da metrópole aqui chegaram a ferro e fogo massacrando tudo
O novo mundo a vala comum e coletiva de seus povos
Cultuo a emergência
Gentes afazeres saberes
O mundo inventando-se
Não se deve perder as estribeiras
Muito custa refazê-las
Não acredito em ninguém que não acredita em ninguém
Não acredito em alguém que não acredita em alguém
O que me serve não te serve
O que te serve não me serve
Os dois querem a mesma coisa
Só que parte está com o outro
À espera de que aconteça o melhor
À espera de que não aconteça o pior
Se legaliza acaba a violência
A rede é lisérgica
Lisérgica é a rede
A única coisa quanto ao passado é afastar-se dêle
O retrocesso de 64 foi fabuloso
Tão fabuloso como o de agora
Não precisa ser a favor mas ser contra a estrada do Lula é coisa de fascista

O veneno e a árvore

quarta-feira, novembro 1st, 2017

O veneno e a árvore

Estava puto com o amigo
Disse da minha raiva ela acabou
Estava puto com o inimigo
Nada lhe disse a raiva aumentou
E inundei-a em temores
Noite e dia em minhas lágrimas
E ensolarei-a com sorrisos
E com suaves falsos logros
E cresceu de dia e noite
Até brilhar em uma maçã
O inimigo viu seu brilho
E soube que era o meu
E no meu jardim roubou-a
Quando a noite escureceu
De manhã alegre vi
Prostrado o inimigo ao pé da árvore

William Blake
(versão modesta minha)

O tigre

quarta-feira, novembro 1st, 2017

O tigre

Tigre! Tigre! Brilho que arde
Nas florestas quando é noite
Que mão ou olho imortais
Traçar puderam tua temível simetria

Em que distantes céus ou abismos
Queimou-se o fogo de teus olhos?
Com que asas ousaḿ alçar-se
Que mão ousa agarrar o fogo?

E que ombro e que arte
Podem moldar-te ao coração os nervos
E começando a pulsar teu coração
Que apavorante mão e apavorantes pés?

Qual martelo? qual corrente?
Em que fornalha se fundiu o teu cérebro?
Em que bigorna? em que enlace
Ousam temores seus mortais atar-se

Quando as estrelas despejaram suas pontas
E ao céu suas lágrimas molhando
Ele sorriu ao contemplar seu feito?
Ele que ao Cordeiro fêz a ti fêz?

Tigre! Tigre! Brilho que arde
Nas florestas quando é noite
Que mão ou olho imortais
Traçar ousaram tua temível simetria

William Blake
(em modesta versão minha).

THE TYGER

Tyger! Tyger! burning bright
In the forests of the night,
What immortal hand or eye
Could frame thy fearful symmetry?

In what distant deeps or skies
Burnt the fire of thine eyes?
On what wings dare he aspire?
What the hand, dare seize the fire?

And what shoulder & what art,
Could twist the sinews of thy heart?
And when thy heart began to beat,
What dread hand & what dread feet?

What the hammer? what the chain?
In what furnace was thy brain?
What the anvil? what the grasp
Dare its deadly terrors clasp?

When the stars threw down their spears,
And water’d heaven with their tears,
Did he smile his work to see?
Did he who made the Lamb make thee?

Tyger! Tyger! burning bright
In the forests of the night,
What immortal hand or eye
Dare frame thy fearful symmetry?