Archive for maio, 2018

Velhas

terça-feira, maio 29th, 2018

Os mais velhos estão a nos deixar
É da natureza
Bem vividos
Combatentes
Desde cedo e do nada criaram seus filmes ampliando o cinema entre nós talvez o ápice na década de 60
Depois viemos nós os pós-64
Aos poucos vamos nos tornando os mais velhos
O meu professorado resume-se apenas em repassar aos estudantes o que aprendi
Sou melhor estudante que professor
Aprendo mais
O pior de 16 é que é não mais que uma farsa de 64
A desgraça do mundo é a presunção
Foca na missão: Lula presidente
Nada substitui tudo acrescenta
Uns agregando outros desagregando
E tem a contradição da contradição
Que é por onde a história anda
Se caixa dois e verbas de campanha são mais incrimináveis que auxílios-moradia …
Se doleiro tem fé pública …
Se sonegar é esperteza …
Os de hoje não necessariamente são os mesmos de ontem
Os de ontem não necessariamente são os mesmos de hoje
E dar-se bem na gangorra da bolsa é crime?
O comércio vai falir?
A mídia quer bagunça
Militar só vem se civil chamar mas depois não sai
Cada coisa em seu lugar e cada lugar em sua coisa
O problema com os militares é que quem manda são os generais mas quem cumpre são os soldados
O problema com as sociedades é quem manda são os líderes mas quem cumpre são os liderados
Espero o melhor porque o pior é ruim demais
Espera-se que ninguém caia na arapuca do ilegítimo
E finalmente descobre-se o preço que se paga pelo preço do petróleo
Só há dois lados eles ou nós
A democracia e seus problemas só se resolvem no voto
É no que dá ser ilegítimo tudo que faz é ilegítimo
A greve é vitoriosa
Pela logística e autenticidade dos manifestantes
E pode num gesto de clemência e compromisso com a sociedade suspendê-la
Sem prejuízo de suas reivindicações
É fácil dar palpite aqui da poltrona

Certas

terça-feira, maio 22nd, 2018

De cada um sua capacidade a cada um sua necessidade
Não sei se é verdade
Ouvi dizer que a menina disse que vai empoderar ainda mais a polícia a repressão
Assim não dá
Desse jeito vão acabar dispersando a esquerda
Depois a direita se elege e vão dizer que a culpa é do povo
A cultura é uma revolução permanente
Com a tomada do poder pela direita em 16 o imperialismo quer promover uma guerra civil entre nós
Assediado pelo imperialismo o Brasil virou terra de ninguém
Alguma autoridade tem que embargar e anular todo o processo
Não acirra ameniza o país vai decidir nas urnas
Lula livre
A quem interessa agravar a crise brasileira? Só aos ianques
Quem for de esquerda pessoas ou partidos devia sufragar a candidatura única de Lula
Não se bota o passado em cima do presente
Enquanto não encontra seu destino a gente deriva
Tudo é negociável mas deixa o velho disputar a eleição
Bota pra votar quem sabe o velho perde
A ditadura anterior foi terrível mas a atual prende sem provas o mais querido
Enquanto mil temas borbulham no cenário nacional persiste o inaceitável
Como se sustenta a maior fraude jurídica do século armada montada e acumpliciada por um só acusador e juiz ao mesmo tempo
O acusado acata o mandado quem se não é honesto se não tem certeza de seus atos entrega-se à prisão?
Mas em um julgamento justo sem fraudes e juiz fraudador
Dúzia e meia de togados insistem em apoiar o fraudador seu colega de profissão
A justiça desaba mandando prender e mandando soltar a êsmo
Então o único julgamento possível é o das urnas
Lula livre e lá onde o povo o botar
Esta é a questão
Imagina o Feola mandando prender o Garrincha por desacato à autoridade
Enquanto isto os meninos bandidos ou mocinhos se matam uns aos outros
Borbulha demais ou borbulha de menos
A crise é iminente a crise é imanente
Ser supremo
Nossa, quanta arrogância!
Condenar
Quanta prepotência!
Direi ao mais novo
Recue recue sempre frente ao mais velho
Não fosse ele
A estrada não existiria

Golpes

terça-feira, maio 15th, 2018

Todo golpista acaba golpeado
O fascismo é uma onda radioativa que emana do imperialismo
Nem lhes basta arrasar a nossa economia
Nem lhes basta arrasar nossas terras nossos mares
Querem quebrar a alma da nação
E insinuaram-se entre os medíocres invejosos dando-lhes poder e fama
A acusação é vaga: ele teria …
A sentença é inepta
É inacreditável
A agressão vil de um jurídico psicopata a uma das mais expressivas lideranças populares no mundo
Inventa delira coage tortura
E a justiça no país permite tal bandalha?
Todos os juízes são coniventes?
Não há quem anule sua penada?
Eu sei é o golpe é o moleque instruído e infiltrado pelo imperialismo
Sinistro e cruel
Na sua cruzada com os doleiros prende e arrebenta a economia nacional
Para que os ianques invadam ainda mais as nossas praias
Ousa tomar como refém o velho aclamado presidente em 2018
Quando então e só quando o país pelo voto retornar à legalidade
Ainda é tempo
Lula Livre!
E quando uma criança te pede uma propina na rua você faz como?
Tragédia brasileira: o juiz é cupincha do doleiro
Com quantas pedras se faz uma canoa
Ando de perna aberta chutando o ar
É bom pra velho
É pra não facilitar as quedas
Aumenta a base de apoio
E se tropeçar não caia aprume-se
Honra-me que ainda estou vivo
É Lula lá no planalto ou é a morte do país
É um escândalo que não se anule esse processo fraudado desde sua origem pelo próprio árbitro
Providenciar e incluir notas frias no processo pode?
Chega de querela
É Lula lá ou não mas pelo voto por favor
E a coisa não pára
O complô golpista arrasa o país
O Brasil reclama um novo pacto social e só quem sabe fazer é o velho na solitária

Republicanas

quarta-feira, maio 9th, 2018

Centenas de juízes condenam o juiz que condena
E que pra condenar frauda as evidências
Quem arbitra o árbitro?
Ninguém?
Dona Justicia pirou na batatinha
Utopia é projeto é o que queremos ser
Ainda não é o pior não chama que a coisa vem
Assusta-me a exacerbação dos ânimos
Oremos!
Se nomear é propaganda
Até algum tempo atrás não se ouvia falar de polícia federal supremo juízes agora só dá eles
Não se enganem o Brasil é maior não é a lava-trouxa
Só ao imperialismo interessa uma guerra civil
Enquanto os velhos e os jovens udenistas ululam
Os velhos petebistas são condenados monocraticamente pelo regime de exceção
A presidenta petebista é apeada do poder legítimo pelo golpe udenista
Udenismo é sinônimo de entreguismo
Entreguismo ao inimigo o imperialismo
Entreguismo social ampliando a desordem da expropriação do trabalho
É a farsa da bandeira da corrupção como se o capitalismo não o fosse
O socialismo não se opõe ao capitalismo supera-o
É mais eficiente permite a ordenação das atividades produtivas para mais parceiros no trabalho e no consumo
E até dá pra dispensar o centralismo democrático
Cada um vai cuidar de sua terrinha para o seu sustento e o da família
E depois no lazer se reúne para uma prosa
Mas tem a tevê monopolista induzindo ao consumo de bens para a alta renda
Carros roupas perfumes novelas notícias no carrossel
Milhões e milhões de pessoas vendo a mesma coisa ao mesmo tempo é assustador
Por que não milhões de pessoas vendo as milhões de imagens que lhes aprouver?
O centralismo
O monopólio
A pirâmide
A desgraça da humanidade é disfarçar que não é tribal
E a história se repete
Como farsa
Como fraude
E então como tragédia
A tragédia deve nos ensinar a não ser trágicos
Os golpistas acabam golpeados
Por serem armadas as forças deviam se fazer amadas e não temidas

Oitentas

terça-feira, maio 8th, 2018

(Pra não dizer que não falei do velho)

Não sei se farei oitenta
É muito tempo
Já nos meus setenta a vivência do passado se acumula
Quanto mais vivemos mais somos testemunha do quanto vivemos
E vamos sendo testemunhas cada vez mais sozinhos
A indesejada das gentes ceifa aqui e ali sem olhar cara ou idade
Já lhes contei o causo:
Esperando o ônibus
Um monte de meninos do morro aporta em algazarra
Uma parede buliçosa se põe na minha frente
Ao chegar a condução
Um deles se vira pra mim e diz
-“Por favor mais velho”
A parede de meninos se abre em duas bandas
Como o mar vermelho
O mais velho que era eu entra em primeiro
Adorei o conceito de mais velho e foi no popular
O conselho de anciãos fundamental nas sociedades tribais não é porque é mais sábio
É porque é mais vivido
É a voz da memória
É a voz do tempo
Passou por onde os mais novos vão passar
Os tempos serão outros
Mais ou menos árduos e difíceis
Melhor ouvir a voz da experiência
Não necessariamente acatá-la mas sabê-la
Não é melhor ser mais velho ou ser mais novo
Cada um a seu tempo
Os novos começam como os velhos começaram
E vão na vida galgando alegrias e tristezas
Só se abatem se forem abatidos ou deixarem-se abater
Senão não
Dá gosto vê-los evoluindo com mais ou menos força
Esguios safos ou pachorrentos
Vê-los já nos dá ânimo
Um dia também alguns seremos oitentões
E nossa lida continuará a cada dia
Aprendemos com eles
E salve a voz que n’A Tribuna clama em A Tribuna chama

Adeus a Nelson

terça-feira, maio 1st, 2018

Na madrugada de 21 de abril morre aos 89 anos Nelson Pereira dos Santos um dos maiores criadores do cinema brasileiro
A primeira vez que vi o Nelson não lembro em que ano foi nem quantos anos eu tinha talvez uns 14.
Nasci e morava em Copacabana na ida e vinda do colégio passava em frente aos cinemas mais de um naquela época uns cinco ou seis ou mais.
O cinema era dominado como ainda agora pelo filme estrangeiro. Era ver coisas e gentes em que a gente não se via.
Tinha as nossas chanchadas tôscas ingênuas o filmusical brasileiro era um veio nosso nossos palhaços nossas trapalhadas mas era um cinema faz de conta encaixotado no estúdio entre um numero musical e a jocosidade que também era nossa o teatro de variedades o teatro revista filmado.
E de repente na marquise do cinema se não me engano era o Copacabana o letreiro anunciava Rio 40 Graus. Foi um impacto. Entrei para ver. Não era o corre corre dos filmes que passavam sorrateiros a divertir platéias.
Era a vida nossa de todos os dias a iniciar-se majestosa com a maravilhosa visão da grande cidade o Rio de Janeiro a capital do Brasil pouco antes assombrada com a tragédia getulista e agora renascendo como uma ópera prima uma primeira construção grandiosa.
Eu sou o samba de seu compadre Zé Keti orquestrado na Rádio Nacional que o país inteiro ouvia.
Era um mosaico de alegrias e tristezas que narrava da favela à praia do subúrbio à política. Os pivetes, o malandro, o trabalhador, o algoz, o fuzileiro, a noivinha, o deputado, a gatinha, o pilantra, o futebol, a escola de samba entremeados o que víamos na tela era o que víamos nas ruas em que vivíamos. E ao fim do filme no alto do morro a mãe espera o filho que não vai voltar a Mater Dolorosa.
Emocionado ao sair do cinema como no filme corri a pegar o bonde que passava na avenida Nossa Senhora de Copacabana. Felizmente não caí.
Sómente depois muitos anos depois quando resolvi seguir-lhe os passos é que vim a ver não só seus outros tantos filmes a cada um uma nova visão a construir um cinema popular socialista.
Vim a ver o engenho e arte que articulava não só os filmes mas seu plantio nas primeiras escolas de cinema a de Brasília e a nossa a da UFF em Niterói a capital vermelha e na política de cinema especialmente no grupo de trabalho que criou o tripé para a ação do estado: a Embrafilme, o Concine e o Centrocine.
Não basta fazer filmes tem que fazer política para assegurar-nos a presença na tela manipulada pelo imperialismo.
Há de ser desde o seu início ingressado no PCB o Partido Comunista a vanguarda de seu tempo com o seu primeiro o “Juventude” em 1950 um documentário sôbre os jovens de São Paulo como ele mas de que não ficou cópia e nem o original.
E ainda em 52 apresenta ao Congresso do Cinema Brasileiro uma tese que é um marco no cinema brasileiro de antes e de depois: O modo de produção independente.
Insisto em que não precisa ancorá-lo é um êrro no neo realismo italiano seu cinema é o elo de ligação do cinema de autor no Brasil desde sempre notadamente Mário Peixoto e Humberto Mauro.
Além de seus próprios viabilizou filmes dos outros como “O Grande Momento” do Roberto Santos, montou o “Menino da Calça Branca” do Sergio Ricardo, “Barravento” de Glauber Rocha, e o “Pedreira de São Diogo” do Leon Hirzsmam.
E foi o grande animador do Cinema Novo e de todo o cinema que desde então se fêz no Brasil