O desencanto de um professor

O desencanto de um professor
por Aydano André Motta
07/03/2008 13:07
O multipremiado coleguinha Chico Otavio presenteia o site da turma da coluna com um relato sobre reportagem que está fazendo para O Globo. Tem a ver com o fim das ilusões e algumas perspectivas de futuro. Veja só:
“No início dos anos 1980, quando eu mal havia saído de uma escola católica de padrões conservadores, tive de encarar o professor Sérgio Santeiro. O impacto foi grande. Logo no primeiro dia de aula, na minha estréia como estudante universitário, ele aprovou a turma inteira por média e falta. A partir daquele dia, pregou, apareceria quem quisesse. Mas as aulas de cinema com um dos mais delirantes representantes do cinema marginal continuava lotada. Ninguém se acomodou com a aprovação. Eu era um deles. estava ali, de boca aberta com tanta diferença. Com Santeiro, era assim. Ninguém acomodado.
Por uma demanda de meu ofício de jornalista, reencontro Sérgio Santeiro mais de duas décadas depois. Ele continua o mesmo rebelde (maiores detalhes estou guardando para a minha reportagem, pois não darei ao Aydano o prazer de me furar – já bastam as gozações rubro-negras com os chorões botafoguenses). Mas o estúdio universitário onde leciona, na UFF, está supreendentemente vazio.
Ele se queixa. Acha que os alunos se intimidaram com suas pendengas com a direção do Departamento e com a reitoria. Confessa a vontade de deixar tudo de lado. Vai ser uma pena. Não sou um rebelde como ele, mas Santeiro me ajudou a ver as coisas diferentes. Não quero aqui criticar o fim da rebeldia estudantil. Talvez o foco hoje seja outro (hip hop, funk, grafite). Uma certeza eu tenho: a universidade ficará bem mais triste sem ele.”
Deu para ver o que será a reportagem. Assim, orientação segura: não perca.

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