Archive for dezembro, 2018

Ouvidos

terça-feira, dezembro 25th, 2018

Uns e outros curtem uma
Só que não a mesma
Os maiores de 70 anos deviam ir pra casa de chinelos
O outro nunca tem razão
Comunismo é o que é comum a todos
Como o ar
A desunião das pessoas de bem permitiu o avanço do mal re-reunam-se
O que houve no Brasil? A elite contra o povo
Escrevo o que me vem à tona
Sem reparos
Claro que não é tudo
É só o que penso publicável
O que vale não é o sucesso é a potência do sinal que se emite
O dinheiro não é tudo
É quase nada
É uma abstração concreta
Pra atrapalhar a vida de todo mundo
Há os que o querem mais que a vida
Há os que não o tem nem pra viver
O público é seduzido por tudo que não é nosso
Sou da elite mas sou limpinho
Os interesses individuais sobrepujaram os interesses coletivos
Tá na cara!
O que leva um humano a abusar de um outro humano
Tudo no universo é sístole e diástole?
Você bobeia e a dívida fica impagável
E o crédito bloqueado
Aos meus 74 anos reclamo ao universo vai conspirar contra assim no inferno
É o ataque imperialista a qualquer governo autônomo no mundo
Foi-se o nosso Brasil agora é a Venezuela
Vão mandar nossos meninos morrer à tôa pro bozó dos gringos?
Pior que o crime organizado é o desorganizado
Não dá pra levar a sério uma coisa que se chama robô
Se robô manda prender
Indago aos militares
Vocês querem ser odiados
Não preferem ser admirados
É só mais uma quartelada
Nem eles achavam possível
Foi preciso a mão grande contra o mais querido

Motivos

terça-feira, dezembro 18th, 2018

Qual é o próximo passo do imperialismo?
E o nosso público mestiço torce pela cavalaria ianque a massacrar os índios nas nossas telas
Quanto mais pior menos acelero
Quem aceita a ilegal prisão do Lula não tem direito a reclamar
Os mais novos tem que respeitar os mais velhos é a regra da vida
O fascismo veste toga
Enquanto estiver preso só vai rolar a barbárie
Não insistam em guetos não insistam em diferenças junta tudo e vamos pra cabeça
Se alguma dúvida houvesse já não haveria
Todo filme tem seu público
Uns mais os mais rasos
Outros menos os mais profundos
A profundidade é o que se faz com menos
Tudo na vida é melhor um terço menos
O mundo é um negócio
O mundo não é um negócio
O país dilacerado pela guerra às drogas agora próspero negócio legal na matriz
O problema da criminalidade é a violência explícita
O do capitalismo é a violência implícita
O papo é legal
Começa com um monólogo
Vira diálogo
Vira monólogos
E súbito cessa
Todo mundo tem capacidades a questão é saber como investir nelas
O problema do Brasil é sacrificar os de dentro para favorecer os de fora
Os justiceiros
Um meretríssimo não pode ter tanto poder
Acontece com todo mundo
Tropeça e sai catando cavaco
Se a gangorra parar no meio empatou
Se parar para um lado ou para o outro é de quem ganhou
O triste espetáculo da vida brasileira é essa trupe de anônimos que descolam uma beirada para acontecer
Como a primeira instância de província destrói o sistema democrático inteiro?
Velhaca e medíocre invoca como evidência o que forjou como tortura e delação
E o mundo brasileiro acha isso normal?
A paz tem que vencer a guerra
Pessoalmente acho que a geração surgida em 64 já cumpriu sua função
Opôs-se e venceu o golpe em mais de vinte anos
Todos deviam excluir-se da vida pública
E deixar viver o drama as próximas gerações
A questão para um e outros é sobreviver

Aldeias

terça-feira, dezembro 11th, 2018

O cinema é uma aldeia
Desde o início o cinema é um modo de olhar
O que está na frente da câmera
Que é um só olho
É o plano que é o intervalo entre um corte da cena e o próximo
E que a cada vez é único
Não pode ser outro
Na sucessão dos planos é que se monta o contar o que se vê
E cada contar também é único não há dois iguais
O cineasta com seu modo de ver
Expõe a quem assiste o seu modo de contar
Quem assiste procura criar o seu modo de ver
Procurando identidades entre o que vê no filme
E o que vê na vida
Só se pode ver se pode filmar se pode assistir o que se tem diante dos olhos
E como os rolos de filme se desenrolam
Podem ir pra qualquer lugar até para onde não foi filmado
Sempre buscando-se as identidades entre uns e outros
As imagens de onde foi filmado
As imagens de sua aldeia são determinantes
E como todo mundo vivem em aldeias
Tais imagens podem ser identificadas em todos os lugares universalmente
Seja no natural seja no posado
O cinema não tem como se construir sem as imagens do lugar
As imagens da aldeia por mais ou menos fantasiosas que sejam
Um humano não tem como criar imagens que não sejam humanas
E menos ainda querer que os humanos se identifiquem com o que não é humano
Por mais fantasiosos que sejam
O cinema é como um rito de aldeia ao redor do fogo
Que ilumina a cena ao ser filmada e a tela ao ser projetado
Procuremos identificar-nos
Mas o nosso cinema precisou disputar o nosso espaço de nossa aldeia natal
Invadido por aldeias estrangeiras
Ao forçar-se a se identificar com as imagens aqui não filmadas
O estranho é que o nosso cinema acaba por parecer estranho aos nossos aldeões
E o mundo brasileiro acha normal não ver-se no espelho?
E como vai viver sem ver a sua aldeia em que vive?
E nessa ilusão de imagens que não são as nossas
Uma armação insidiosa há décadas infiltrou-se no país
E de sete em sete três vez sete vinte e um golpes quebram nosso espelho