Archive for the ‘Sem categoria’ Category

Manchas

terça-feira, dezembro 12th, 2017

A quadrilha no executivo no legislativo e no judiciário
Como uma espiral arrasa o país
É como um furacão
Logo aqui onde não os temos
Quantas perguntas estão a perguntar-se
Quantas respondidas
Nada que o humano faça pode ser estranho ao humano
Quando prevemos um temporal corremos a nos abrigar
Quando não … somos devastados
A dor não é a minha praia
Que nem escravos vendendo bugigangas importadas pela rua afora
E as trazem como grilhões penduradas ao pescoço
Os avanços dos humanos sobre a natureza são notáveis
Só se esquecem que eles e ela são um só
É melhor fazer antes pra não ter que fazer na hora
Se não és a lagoa pelo menos não me afogarei
Se não és a torrente pelo menos não me arrastarás
Se não sou um gigante pelo menos não te amassarei
E como não sou perfeito não insistirei
Pega o bagulho
Fuma o bagulho
E num recrama
O importante é começar bem depois piora
Quem bebeu quem fumou tem que agradecer por isso
O mundo em chamas é o que o imperialismo deseja
O macarrão tem que estar no ponto
Nem pra mais nem pra menos
Cuidado com o sal
E o problema não é dos saltimbancos
E sim dos bancos o assalto
A nós por eles infligido
Não se deve cogitar o incogitável
Vai que atrai
O congresso o supremo e o juiz acanalharam a republica
O que os governantes fazem é governar
O que os usurpadores fazem é usurpar
É preciso viver com menos
Para viver melhor
E vivermos todos
Ninguém precisa ter mais que ninguém

Orações

terça-feira, dezembro 5th, 2017

A primeira prioridade da cultura no momento é sustentar a proposta do Zé Celso em São Paulo
A primeira ordem é não ser desordenado
Não podemos deixar que o passado nos engula
Vivemos em nós descuidados da vida lá fora
Mas se não o fizermos quem viverá por nós?
Há dias em que melhor é começar de novo
Quem se insinua é a cobra para vender maçãs
A contra-revolução está nos dando de 7 x1
Animais há nas florestas
Animais há nas cidades
Animais em toda parte
É preciso acabar com o confronto físico
As frutas também são parte da evolução humana?
Que bem que nos fazem
Até a maçã apesar da lenda
Nomear o adversário é fazer-lhe propaganda
O possível é melhor que o impossível
Prefiro ficar na lama do que me dar problema
Pra que serve o estado senão pra garantir o pleno emprego?
Sou mais o singular que o plural
A pessoa vale pelo que já fêz não pelo que diz que vai fazer
Quem está na luta não tem tempo pra chorar
Não é o meu caso
Nem sempre o que é parece
Nem sempre o que parece é
Não se deve queimar pontes
Nem depois nem antes
A realidade não é o que se imagina é o que se vive
Tudo no fim dá certo
Mas não faço nem metade do que devia fazer
Todo predador precisa ter bons dentes
Não é o meu caso
Tenho pouca grana
Mas o meu prazer é inenarrável
E agora viramos reféns no país dos párias senís e dos párias juvenís
A bolha imperialista repassou a crise para o mundo inteiro
Uma incrível potência autosustentável como a nossa não precisa passar por essa conspiração servil
Transforme-se o agronegócio em agropulmão
Abole o latifundio
Siga o MST

Nacos

terça-feira, novembro 28th, 2017

Antes da noite era o sol
Antes do sol era a noite
Dormindo nada faço
Desperto tudo a fazer
Cada um contribua como puder
Se não puder pelo menos não perturbe
Não quero muitas idéias
Muitas é muito
Sem óleos sem sais o barato é moquear as carnes
A burrice liberal é reprimir a demanda
E aí? Faz como?
E se acham os reis do pedaço
Em meio a miséria grassando de sua ambição
Ambição ambição aonde vai tanta ambição!
Palpites palpites este é o país dos palpites
Como as pessoas as plantas não gostam de ser assediadas
Pros trilhos ou pras tralhas
Dramas
Tragédias
Comédias
Farsas
Negócios
Reproduzo a natureza ao alcance de minhas mãos
Jardins bosques florestas
Tudo nasce da semente que plantas
Até o que não queres
Como espinhos
Quem pergunta não sabe se já sabe a resposta
O cinema imperialista é uma porra de uma indução programada
Empurram-nos pro conflito não pra concórdia
Embora produzido socialmente o conhecimento não gera o bem estar da sociedade
Senão apenas o de alguns grupos
A única referência a meu ver primordial é a do local de origem
Além de tudo o golpe é senil
É um ataque às novas gerações
Estragos a perder de vista
A ninguém recrimino
Cada um é o que a vida lhe permite ser
Recrimino o poder
A ninguém dominar

Papos

terça-feira, novembro 21st, 2017

A mídia ameaça
A mídia ama a essa
Um diz que entende
O outro diz que não
Artista artífice artesão autor
Cada dia é um novo dia
Sou mais o escambo que o escambau
Sou mais a troca que o capital
Capital é o trabalho alheio acumulado pelos burgueses
Quem foi que agregou a demanda?
Quem é que avitou o super?
Quem amortizou o débito?
Quem adimpliu a meta?
A vitória não é de quem fala é de quem faz
Falar tem seu valor tem seu fulgor
Pode ser farol ou lanterna
A estética não é o bonito
É o belo
A vida é pura predação
Animalesca
O animal precede o humano
Difícil é conter os instintos
Dizem que instintos não é humano
E não agimos por instinto?
Quando componho eu tento equacionar o mundo
Por que se cumpre ordens?
Cada um faz do seu jeito
O outro vem e põe defeito
E ainda que defeito haja
Ninguém se meta a dar pitaco
No que não é de sua alçada
Quem critica o rabo espicha
Ainda mais se com razão
A razão não é coisa que aos outros se imponha
Não importa se é boa ou má a conha
Cada um com seu bagulho
A razão ou desrazão não é coisa que se ostente
Se a tens justo é deixá-la a quem não tenha
Quem a tem não precisa ter a mais
Quem precisa é quem a tem a menos

Traços

terça-feira, novembro 14th, 2017

Nem eu nem tu nem ele nem vós nem eles nós
A república é de todos e para todos
Mas a burguesia não deixa
Quer que ela seja só para defender seus perdulários interesses
O congresso é pra representar o país e não os interesses de seus componentes
Quem acha que o povo é omisso
E não se manifesta
E que a política não tem jeito
Não está acompanhando a caravana Brasil adentro
Viva 18
Nunca … é difícil
Sempre … é difícil
Anula o mouro
Mestres são os que nos antecedem
Mais desejos que fatos
Um dia a história descubro
Um dia a história construo
Riscos não corra
Desacelera
Freia o carro
Há muito que a vaca foi pro brejo
Vai ser difícil desbrejizar
O cara diz que vive no estado democrático
Só se a capital fôr o golpe
Uma pinga e um pingo de prosa
Honestamente
O pior nem é que a civilização seja injusta mas que seja burra
O antes vem antes do depois
Por que soldados expõem as suas e outras vidas para defender os valores da burguesia e seus políticos que a todos exploram?
A revolução só é possível nas urnas
As eleitorais
Não as mortuárias
Antes da guerra a paz
Depois …
Desde que o mundo é mundo
E depois?
E eis que inventaram a justiça
Para julgar os vivos e os mortos
Por que se perdem nos caminhos?
Porque seguem os da ambição

Placas

segunda-feira, novembro 6th, 2017

Estamos assistindo a um torneio medieval
De um lado o campeão das elites
Do outro o campeão do povo
Façam suas apostas
Algum dia se há de revelar o que foi o cinema brasileiro e o que o poder fêz conosco
O que tem sido a luta pela sobrevivência
O critério da esquerda deve ser o antes mais votado
Não é possível que se troque a imortalidade por meia duzia de espigão
A vida é um minifúndio
Só de preservá-la terá valido a pena
O trabalho é um minifúndio
Só de preservá-lo terá valido a pena
As palavras buscam os significados
Os significados buscam as palavras
Pode ser que eu tenha razão
Pode ser que não
Por que não se respeita os nativos?
Nunca se respeitou
Os degredados da metrópole aqui chegaram a ferro e fogo massacrando tudo
O novo mundo a vala comum e coletiva de seus povos
Cultuo a emergência
Gentes afazeres saberes
O mundo inventando-se
Não se deve perder as estribeiras
Muito custa refazê-las
Não acredito em ninguém que não acredita em ninguém
Não acredito em alguém que não acredita em alguém
O que me serve não te serve
O que te serve não me serve
Os dois querem a mesma coisa
Só que parte está com o outro
À espera de que aconteça o melhor
À espera de que não aconteça o pior
Se legaliza acaba a violência
A rede é lisérgica
Lisérgica é a rede
A única coisa quanto ao passado é afastar-se dêle
O retrocesso de 64 foi fabuloso
Tão fabuloso como o de agora
Não precisa ser a favor mas ser contra a estrada do Lula é coisa de fascista

O veneno e a árvore

quarta-feira, novembro 1st, 2017

O veneno e a árvore

Estava puto com o amigo
Disse da minha raiva ela acabou
Estava puto com o inimigo
Nada lhe disse a raiva aumentou
E inundei-a em temores
Noite e dia em minhas lágrimas
E ensolarei-a com sorrisos
E com suaves falsos logros
E cresceu de dia e noite
Até brilhar em uma maçã
O inimigo viu seu brilho
E soube que era o meu
E no meu jardim roubou-a
Quando a noite escureceu
De manhã alegre vi
Prostrado o inimigo ao pé da árvore

William Blake
(versão modesta minha)

O tigre

quarta-feira, novembro 1st, 2017

O tigre

Tigre! Tigre! Brilho que arde
Nas florestas quando é noite
Que mão ou olho imortais
Traçar puderam tua temível simetria

Em que distantes céus ou abismos
Queimou-se o fogo de teus olhos?
Com que asas ousaḿ alçar-se
Que mão ousa agarrar o fogo?

E que ombro e que arte
Podem moldar-te ao coração os nervos
E começando a pulsar teu coração
Que apavorante mão e apavorantes pés?

Qual martelo? qual corrente?
Em que fornalha se fundiu o teu cérebro?
Em que bigorna? em que enlace
Ousam temores seus mortais atar-se

Quando as estrelas despejaram suas pontas
E ao céu suas lágrimas molhando
Ele sorriu ao contemplar seu feito?
Ele que ao Cordeiro fêz a ti fêz?

Tigre! Tigre! Brilho que arde
Nas florestas quando é noite
Que mão ou olho imortais
Traçar ousaram tua temível simetria

William Blake
(em modesta versão minha).

THE TYGER

Tyger! Tyger! burning bright
In the forests of the night,
What immortal hand or eye
Could frame thy fearful symmetry?

In what distant deeps or skies
Burnt the fire of thine eyes?
On what wings dare he aspire?
What the hand, dare seize the fire?

And what shoulder & what art,
Could twist the sinews of thy heart?
And when thy heart began to beat,
What dread hand & what dread feet?

What the hammer? what the chain?
In what furnace was thy brain?
What the anvil? what the grasp
Dare its deadly terrors clasp?

When the stars threw down their spears,
And water’d heaven with their tears,
Did he smile his work to see?
Did he who made the Lamb make thee?

Tyger! Tyger! burning bright
In the forests of the night,
What immortal hand or eye
Dare frame thy fearful symmetry?

Faltas

terça-feira, outubro 31st, 2017

O Brasil não pode ser racista
Tem negro índio e branco em todos nós
Salvo os que não os tenham
E que dizer de governos favorecendo o invasor
Nem invadir precisa
É só assoviar
Flores! Flor és! Flor esta!
Senão devastam
Arrastam
Molestam
Nem é preciso ir mais longe
Como pode alguém agredir uma pessoa indefesa
E o capitalismo o que é?
Eu sou legal boto a cama e as plantas no sol
Nem todas tem as que não gostam
Fazer como? A turma gosta do bagulho
Bom era o tempo em que sobrava sempre um pernil pra logo mais
Enquanto o supremo se espreme com o senado o ilegítimo arrasa o país
O professor só emula a menos que seja a própria
Encaro a vida como uma vitória dia a dia
Esqueço pelo menos metade do que queria dizer
É preciso acabar com este cinema de guetos
A briga é contra o invasor não entre nós
Ninguém deve ser sincero em público
Deixa fluir deixa rolar
Ninguém imaginou essa rapina dos ratos
Bastou o da justiça empinar o rabo e decretar prisão à tôa sem nada
E isto foi antes na 470
Abismante assistir pela tevê uma perseguição obstinada a vingar-se não se sabe porque da vingança sabe-se porque do delator confesso
Desde então mergulhamos nesse terror do estado
Sobrevivamos
Suprimam-se as sutilezas
Ou é esquerda ou é direita
É plebiscito: é Brasil ou é USA
Há de haver algum espaço na cabeça do megaempresário pra saber do poderoso investimento que pode fazer ao aceitar a proposta do Zé
Que São Paulo e o Rio aprendam: se a esquerda em 18 não se unir vai perder democráticamente no voto
Proponho um acordo mundial aos USA: cada um recue até suas fronteiras
Com a geopolítica bipolar ideológica os povos foram dominados pelos países
Ou a esquerda se une ou
Dividiu perdeu

Salpicantes

segunda-feira, outubro 23rd, 2017

Cada povo merece sua terra e seu governo
A vida é campo livre pra você desde que seja para os outros também
Para todos a universidade é o ingresso oficial na vida adulta
Obviamente não se precisa dela para ser adulto
Neguinho quer se ver no espelho do outro
Se toca mané!
E achava bom parar com essa cultura de guetos
É tiro no pé
Um lobo desdentado morde menos
Eu vejo o inimigo e me afasto dele
A multidão não é sujeito
Tenho muito apreço por quem é sozinho
Por quem banca o próprio jogo
Os meninos precisam entender que foi e é importante ter havido algo antes
O mundo não começou e não vai acabar conosco
Não se aborreçam comigo e nem me aborreçam com vocês
Farseia-se por todo o lado do individual ao planetário
Querem mandar de lá de alguma parte do universo
Se é parte não vale para o todo
Ninguém lida com uma vida extraordinária
Só conhecemos a ordinária
Nem sei se o estrangeiro é bom mas nos faz mal
O papo é o mercado
O barato é o boleto
Nem tanto se preocupe em acertar contas
Não tira o foco
Não sai do foco
Deploro esse afã juvenil pelo cinema estrangeiro
Temos mais de 150 longas e trocentos curtas e milhares de emissões dos nossos para serem vistos
Para que então se saiba o que é o cinema por aqui
E não é nacionalismo não
É trabalho
Essa estória de mascar chiclete é pra otário
Vá chupar uma cana
Nem que seja aquela ou essa cana
Professor não ensina
Professor professa
Eu propino o flanelinha para não arranharem meu carro
Se eu vacilar quem arranha é ele
Graças a deus há muito eu não tenho carro