Archive for the ‘Sem categoria’ Category

Macacos

quarta-feira, abril 16th, 2014

Tô xingando porque passei na frente do espelho
Não me mordam
Cada um é pedaço do todo
Fora do socialismo não há solução
Gênio é gênio esforcem-se para entendê-lo
Gente de fora atrapalha mas tem uns de dentro que atrapalham mais que um elefante
Quem tem passado não depende do futuro
O sucesso de uns não esconde a miséria de todos
O dia em que me pagarem meu preço eu me viro pelo avêsso
Não desejo o paraíso curto mais o purgatório
Problemas não podem ser maiores que o prazer
De vez em quando também faz bem você se sentir mais humano
Acho que você quer me dar mais que um abraço
A outra me chamou de baranga
Esse velho safado tá comendo o biscoito mais novo que ele
A chatice como a maioria das coisas está nos olhos de quem vê
Em tudo que se faz há uma intencionalidade
É o querer fazer assim
Os europeus destruíram as civilizações aqui existentes imagina se não
Infelizmente só posso te ter depois da maioridade
Sejam militantes nos seus municípios pensem duas vezes antes de atrapalhar o dos outros
Se está no Brasil e é Nacional só pode ser Brasileiro se é Brasileiro só pode ser Nacional mas é Municipal e do Brasil só pode ser Brasileiro mas nem é Estadual nem é Federal mas sempre o Municipal será Brasileiro
Nada é melhor do que o que pode ser
Meu barato é andar na minha casa
Vivemos juntos os mesmos problemas mas com soluções felizmente diferentes
Cada um é cada um não dá pra misturar
A vantagem do curta é que não dá pra chatear porque logo acaba
O fato é que insistir no confronto tende a piorar
O que fazer? Inventar
Só falo quando ninguém fala
O meu melhor é ouvir
Peru de fora não mama na festa
Sapateiro não vou além do sapato
Recursos municipais humanos e materiais só devem ser postos no que é da cidade
Nada que estranho me é bom
A rôla rola
Sem trégua ninguém ficará protegido
Se não parar vai piorar
Se eu chegar lá você vai gostar
Será que será?

Cine-Museu de Niterói

terça-feira, abril 8th, 2014

O que pode ser? Sem mais delongas dispensemos as formalidades e o coquetel. Proponho como iniciativa inicial o apoio ao restauro e preservação do clássico e primeiro desenho animado brasileiro em longa metragem: Sinfonia Amazônica (1951) de Anélio Latini Filho (1926-1986). Consultem em www.wikipedia.com.br. Cumpro aqui a missão que me foi dada há tempos pelo Jourdan Amóra ao me ressaltar a importância do filme.
Não é pra ir recolhendo tudo que é traste por aí e nem repetir experiências que acham que deu certo alhures. Não é para fazer o mesmo é para fazer melhor. Tem que ter invenção e critério. Felizmente não estamos sós. Assisti agora o filme na sessão em homenagem a Anélio Latini Filho e Mário Latini, os irmãos o criador e o fotógrafo e na presença da representante da família Marcia Latini no Museu Nacional de Belas Artes, no auditório do 3o. andar, que é o salão nobre do imperial museu com boas cadeiras, a boa acústica, uma espetacular e invisível refrigeração e claro um simples projetor digital. A rigor não precisa mais nada. Nada desses falsos luxos de cinemas de xópin.
E atualmente com os bons recursos de tecnologia monta-se em qualquer sala com as mínimas condições indispensáveis, como acima, um platô de projeção como se fosse um platô de filmagem um pouco acima das cadeiras, aberto, visível, na menor estrutura de aço necessária, de onde se controla a imagem e o som. Em cinema o que vale é quem está vendo e o que está na tela o resto é só um meio. Era domingo.
A 1a. Bienal Internacional da Caricatura em mostra e exposição nos salões do Museu com gentil e discreto acolhimento pelos funcionários do evento. Não preciso enaltecer a oportunidade. Todo mundo sabe a relevância do papel da caricatura no país e no mundo. Mas fiquemos no meu pedaço. O filme, o que dele restou, uma grande boa parte, não sejamos trágicos, é comum em cinema, vai-se a matéria e fica o espírito, é um prodígio. Antes dele pudemos ver seu curta de estréia: Azares de Lulu que a mim me parece já demonstra seu talento de invenção e uma introdução que acompanha passo a passo o processo de criação inimaginável e sózinho em 5 anos de dedicadíssimo trabalho. É coisa de missão!
É estonteante. Imaginem o que conseguiu fazer. Vejam lá. E se isto aqui vale alguma coisa, este apelo, vamos restaurar e cumpriremos a missão. Nem precisamos de cilindros precisamos é de uma ação cultural politica decidida e radical. Uma segunda e conjunta proposta é que devemos o Cine-Museu de Niterói garantir a realização do atual projeto do Nelson Pereira dos Santos sôbre o Pedro II. É majestático! E nem é complicado basta adquirir cotas da produção: imagine Niterói, a capital da província, co-produtora do que há de ser um marco do cinema mundial: um diálogo de dois humanistas brasileiros. O Nelson aprimorou-se no criar cine-biografias imagina o que vai recriar agora.
É assim só pode ser assim que se crie um Cine-Museu na cidade vermelha. Não é pra reproduzir bobagem é pra ser ativo no presente e para o futuro do cinema no Brasil. É para dar exemplo. Nem imagino os ambientes majestosos circulares e altos do Niemeyer entulhados de paredinhas. Não se pode desconhecer as soluções de gênio da Lina Bo Bardi para o Oficina em São Paulo. Os espaços são sagrados. Só pode intervenções não permanentes não se obstrui o espaço. É preciso deixá-lo livre.

Estouros

terça-feira, abril 1st, 2014

Tudo que se filma é filme mas nem tudo é cinema
Eu também tô enferrujado e aí vai jogar fora?
Ninguém começa grande é melhor começar pequeno
Municipal é o que diz respeito aos habitantes do município
Vitória!
O prefeito de Niterói decide licitar a área comercial de salas lojas e bistrô no paralelepípedo branco do Centro-Museu de Cinema enquanto preserva para a cultura do audiovisual da cidade o cilindro negro. Parabéns! Cultura para os da cultura e comércio para os do comércio.
Idéias é fácil o difícil é o que fazer com elas
Vou dar confiança a neguinho vacilão vou não
Sou ruim de dormir sem as meninas em casa
Uma e meio a meio é contrapeso vem com a uma
A solução não é trazer o deles é mandar o nosso
Pra que complicar simplifica
Se agradar o pequeno ele cresce
Não tem casa e só pensa em palácio
Apanhar e ainda mais da polícia nem pensar
Cada um se desincumba do que propõe
Inferno é o inverno
Acho chato ver beijo dos outros mas o teu
Não me peça mais do que te posso dar
No pouco que belisquei já vi que não era pra mim
Um mergulho pode ser fatal
A vida é assim você insiste neguinho te bota pra fora você insiste
Só perco porque brigo até com a minha sombra
Se enrosca eu desenrosco
Quem fala muito tem horas que não fala nada
Os prazeres da carne se revelam e se escondem
É difícil brincar com os outros eles nem sempre acham que é brincadeira
O que me dizem não condiz com o que me dizem
Primeiro tu me dá depois eu te como
Se atrasar a sopa esfria
Se ela é uma formiguinha eu posso ser um formigão
A vida é um abismo em que nos precipitam para vencermos
O problema de quem ama é não matar o seu amor
Cada um que vai é menos um que fica
Quem entende de tudo não sabe de nada
Lamento mas tem uma hora em que se tem de escolher de que lado fica
O que eu não vejo não existe pra mim
Vivo como uma árvore que dá frutos
Inércia de governo é igual a mercado mais selvagem
Se aí estivesse iria.

Esbulhos

quarta-feira, março 26th, 2014

Cada vez mais tenho pânico de muita gente
Ao deslocar-me de cenário em cenário mais meu personagem se enriquece
E fico avaro cantando no canto as minhas vitórias
Por que me ufano de ser eu mesmo
Ver limpando janelas no alto dos prédios me deixa nervoso
Não gosto de alturas e nem de mar alto
Tirar coelhos da cartola faz com que eles se adiantem
É preciso conviver com muitos gênios
Gerenciar cinco salas de cinema lojas e lanches não é cultura nem arte é puro negócio
Comércio aos comerciantes a nós cultura e arte
É melhor lavar do que não lavar
Estar é melhor que não estar
Eu tô a fim dela e ela a fim de mim será que vamos nos encontrar
Não é possível resolver todos os problemas de uma vez mas é possível começar
Considero-me equidistante de todo mundo
Quando me emociono vou pra casa
Todos tem igualmente direito à terra em que nasceram e só
Os índios são os índios da América os negros são os índios da Africa os brancos são os índios da Europa os amarelos são os índios da Ásia
A questão não é de raça é de geografia
Os animais disputam-se as plantas disputam-se tudo se disputa
Se eu não fizer tudo pra você sua mãe não faz nada pra mim
Parece as duas folhas de uma porta
Só não vi o que não existiu
Só não vejo o que não existe
Velho mas gato
O imperialismo quer monopolizar o mercado
Renasceremos de alguma outra imprevista forma
E assim mantem-se a elitização da imagem no país
E aí tem que ser que nem os gringos é só bestialidade
O carinho que eu tenho pelos mais novos é porque eu sou da turma dos mais velhos
É claro que uma menina atiça-me mais que os outros
Vejo delírios vejo perigos
Depois do que se investiu agora tem que ser
Tem que caprichar é no custo x benefício
Se a Petrobras for dona de tudo que patrocina ela vai virar a Tudobras
É fácil falar difícil é fazer
Fazer de qualquer jeito é melhor não fazer
Cresci aprendendo com os mais velhos
Hoje eu sou mais velho
Quem quiser crescer vai aprender comigo.

Notícias

quarta-feira, março 19th, 2014

Nenhuma morte abona causa alguma
O Brasil se internacionaliza antes de se nacionalizar
Vamos defender um Brasil com cara de Brasil
A bundona das negonas ou a bundinha das branquinhas
Aqui a comédia é mais tragicomédia na estética da hiena
Ontem foi ontem
Hoje é hoje
Tudo soma menos o que subtrai
Não sei se a chuva vem
Mulheres gostam de homem com bunda porque na hora h a bunda pesa
O difícil é segurar a ganância da turma da privada
É preciso cuidar das necessidades de todos e não dos interesses de alguns
Eu me senti como se fosse pedra como se fosse água
O melhor da vida nada custa
Sinto uma atração quase irresistível pelo vazio
Todos nós devemos ter esperanças que sejam compensadoras
Não me espremo pra de mim tirar o sumo não sou limão ela tira
Me exprimo para que a coisa aflore
Infelizmente a minha atividade pode me fazer mal
Não se deve ser herói
O mais precioso bem é a vida
Precisava estudar tanto pra isso
Precisava adiar-se e adiando-se ainda?
O diabo é ter que se fazer junto com o mundo
O mestre não tem discípulos
Se a égua passar selada eu a monto
O sentido das palavras das palavras o sentido
Serei capaz de não errar?
Não me agrada lidar com os outros com algumas outras sim
Sois inatingível mistério
Não tenho tempo para jogos
As mulheres como todo mundo tem uma enorme necessidade de afirmação
Se escrevo o que penso o que penso incorpora-se
Neste dia não me faltará palavras
Tudo o que faço é pensar
Quem sou eu para julgar-me
Pílulas devem ser sorvidas uma a uma
Às vezes para às vezes dá um arranco às vezes para
Ah se eu tivesse tudo que eu já tenho!
O meu relógio as horas marca

Cine-Museu de Niterói

quarta-feira, março 12th, 2014

Cine-Museu de Niterói pode ser um nome fantasia para o muito extenso atual e deve acolher todas as demandas do audiovisual da cidade
E nos dias de hoje um museu de cinema só pode ser virtual. Dois computadores dão conta do recado mantendo página que reúna as informações disponíveis na rede e procure também disponibilizar as informações sobre o audiovisual em Niterói.
Pode haver uma seção de cartazes originais do cinema brasileiro.
Não se deve fazer nenhuma instalação permanente nos maravilhosos vãos livres circulares do monumento de Niemeyer ao cinema único em todo o mundo.
Proponho uma ocupação paulatina, sem açodamento, com estruturas metálicas ou containeres e demais soluções modernas seccionando sem alterá-los e duplicando os espaços devido a seu incrível pé direito que como se sabe gera problemas de acústica entre outros.
Não acho que se deva esbanjar com projetos faraônicos de iluminação sobretudo na área do cilindro que pode receber uma iluminação mais inteligente e criativa.
Se possível sugiro placas de energia solar nas janelas que permitam um uso mais razoável de energia inevitável pela extrema necessidade de refrigeração e outros cuidados
Como no projeto original dos Cieps sugiro a moradia de famílias da Guarda Municipal no setor administrativo que dêem conta de um ambiente de monitoramento e segurança cordial.
Acho que se pode garantir gratuidade absoluta na área da cultura e se oferecer para consumo dos usuários apenas água, água de coco e pipoca nada mais.
Pode-se plantar um renque de coqueiros nos limites com a UFF.
Acho que se deva fazer um convênio específico com a UFF para cooperação técnica e acadêmica como por exemplo o anel de fibra ótica entre outras possibilidades.
Abrigando-se o NPD -Núcleo de Produção Digital, em convênio com o CTAv no terceiro andar tem-se contemplada a missão de formação técnica e estudos audiovisuais regulares.
O auditório no térreo pode ser a primeira coisa a se efetivar com uma proposta simples como um cineclube evoluindo mais tarde para sessões matinais infanto-juvenis junto com as escolas da cidade.
Não acho que precisamos de mais biblioteca tem a da UFF a 100 metros com preciosidades como o Centro de Estudos Fluminenses.
Não se deve multiplicar, replicar ou reproduzir recursos culturais já existentes o que se deve é parceirizá-los.
Pode-se eventualmente distribuir exemplares de máquinas e apetrechos pela área em nichos de acrílico como curiosidades.
Ainda pelo convênio com a UFF pode-se buscar uma parceria com a Universidade Positivo que nos faça um pólo avançado de ponta em tecnologia da informática bem como acessar recursos da Faperj, Capes e CNPq entre outros.
Proponho que deva funcionar no limite entre as 10 horas da manhã e as 10 horas da noite. Quanto à área comercial no paralelepípedo acho que deva ser integral e incondicionalmente licitada. Há inúmeras propostas de como fazer a coisa o mais importante é começar acredito que em pouco tempo se consiga acertar a dinâmica do processo que é o que conta e o que indica rumos.

Sergio Santeiro (2/3/2014).

Cópias

quarta-feira, fevereiro 26th, 2014

Devia era ter cota pra estrangeiro e flutuante
Cota zero
Vive-se mais e ganha-se menos
Pra mim sem açúcar
Com espinho ou sem espinho vai a rosa até o talo
Quando se resolve um problema constrói-se um outro
A vida só é diversão pra quem está à toa pra quem não está é trabalho
Gosto muito de meninas moças e mulheres mas não necessariamente nesta ordem
Não pense com os seus batons
Quando descobrir quem me atropelou vou atropelar também
Criminalizar é papo de meganha
É preciso libertar as prisões
Bota um chip e monitora a bandidagem
Esquece o que eu não disse
Contar vantagem é reconhecer a desvantagem
Quando o sol raia eu relampejo
Um grito acorda o inimigo
O ar é incondicional
O cheiro desperta tesão
Apressado perde o ponto
No que escrevo compenso o que não faço
Não reclamo o que não me atendem
Não é possível o que você quer de mim
Não é possível o que eu quero de você
Ouvi cantar o galo mas não era pra mim
Hoje não amanhã talvez depois esquece
O que me é caro não sai barato
Um dia pode ser o início do fim
É meio esquisito mas eu não me incomodo
O que dizer da sofreguidão com que me vês
Se não deixar é ruim se deixar é pior
Fico à espera de que me esperes
Não adianta querer o que não queres
Se me deixar em paz eu posso até sorrir
A língua é um poderoso instrumento
Viva as que são grandes
Faça-se uma trégua que até nas piores guerras é o que se faz pra não se morrer tanto
A Ancine é só uma Bastilha
A vida é uma abóboda celeste
Quem disser que eu disse eu minto.

Você Pode Dar Um Presunto Legal

terça-feira, fevereiro 25th, 2014

A propósito da exibição, no Cine-Clube ABI/RJ “Você Também Pode Dar Um Presunto Legal”, de Sergio Muniz, recuperado desde 1973 quando primeiro se fez.
Tenho escrito sobre o filme aos pedaços. É como tenho conseguido. Não preciso encarecer a importância de ser visto. Em especial para a estudantada, coitada, com uma dieta magra e um repertório ridículo, comercial, fantasioso, espetacularista, oscarizável, e ilegitimamente legitimado por uma crítica, nem toda, mas exceções nos dedos, tão ou mais ridícula.
Filmes como música são para ser vistos mais de uma vez. Ninguém consegue apreender um filme de uma só vez.
Papos tipo já vi são de quem nunca fará cinema. Poderão imprimir em película ou na vírtua, serão filmes? mas não serão cinema.
Mais importante são os exemplos de cinema militante como alguns que tenho mencionado e certamente este o “Presunto Legal”. Já disse que este título provocativo, provocante, me atemoriza com esse jargão de polícia. Pois é o título antecipa o que o filme fala.
Ao tratar do aparato de repressão do Estado não tenho como não antes do filme propriamente dito retraçar a escalada de como a classe média apavorada sobretudo pela mídia impulsiona e solicita a mais-repressão.
O Estado e os governos já dispõem de inúmeros expedientes de coerção social. Acionar e oficializar os “cães da burguesia” liberando a violência consentida e o ódio de classe apenas geram um incontrolável
expandir de violência, como vemos novamente agora.
E tomem tino, imagens de violência induzem à violência. O cinema que é uma espécie de olho da sociedade não pode

espojar-se em sangue e tortura não só porque assim ensina a quem não sabe como porque assim
banaliza o único pecado e crime imperdoáveis: a violência física.
Antes de chegar ao filme, relembro a escalada desde quando a acompanho. Mencionei alguns, volto a fita, inclusive porque no cinema brasileiro deles, bandidos e mocinhos, ficaram registros, e de como
“mocinhos” viram “bandidos” a serviço ilegal dos governos portanto
ilegais também.
Imaginem que nos anos cinqüenta, desembarcadas do odioso governo
Vargas, para muitos o herói da pátria, para mim um miserável carrasco, as massas pobres populares às margens e nos morros impedidas da integração às cidades, são tomadas por bandidos “protetores”. Qualquer semelhança com o feudalismo é pouca.
Movidos pela facilidade marrom ainda hoje estrutura da imprensa mais escandalosa que informativa, a que não se exclui o cinema: das páginas policiais às telas do cinema. Uma das soluções para o sucesso de público desde o início da sétima arte são os ciclos permanentes de filmes policiais em que se exalta até a truculência policial no “combate ao crime e defesa da lei”. Armadilha.
Para enfrentar a bandidagem que é inerente de alto a baixo ao sistema capitalista governantes demagogos criam os “homens de ouro”, uns set ou oito policiais e detetives com síndrome de 007, Wyatt Earp, e que
tais, autorizados a matar.
Um deles se não me engano, o Le Cocq, morto em confronto também se não me engano pelo Cara de Cavalo, e foi o suficiente para, como tantas vezes desde então se repetiu, instituir-se a vendetta culminando na máxima que inverte Rondon.
Ao invés de “morrer se preciso for, matar nunca” o que hoje vemos é “bandido bom é bandido morto”, “atiro primeiro, pergunto depois”, com a conseqüente tragédia das balas perdidas pelo tirotear a esmo de policiais e bandidos no meio da população duplamente indefesa.
Dos “homens de ouro” nasce a Escuderia Le Cocq, e daí o Esquadrão da Morte, e daí o Dops, Doi-Codi, Operação Bandeirantes, e finalmente chegamos ao tempo do “Presunto Legal” em que a figura do Perpétuo, segundo consta um mocinho-mocinho, acaba substituída pelo Fleury, em quem a repressão e os governos consagram e convergem toda a
bestialidade do sistema.
Sobrevivemos governos, algumas vítimas, as populações acuadas e aterrorizadas, polícias, bandidos e a implacável ciranda da violência.
Admirável olho da sociedade, o cinema consciente antecipa a realidade.
Recuperando seu filme Sergio Muniz e fazendo-o circular desde meados do ano passado, eis como o melhor cinema cumpre seu papel: vemos agora o ressurgir dessas questões com a anunciada mixórdia de policiais,
bandido e milícias a disputar o controle sobre as comunidades marginalizadas pelo sistema e pelos governos e que ao invés de insurgirem-se também violentamente como fatalmente irá acontecer, encontram meios de inserir-se na economia e na sociedade formal ou informalmente no mais extraordinário fenômeno da sociedade
contemporânea.
A espontânea oferta de mão de obra montando e desmontando a cada dia, um olho no freguês e outro no fiscal, ao longo das ruas, seu mercado livre de produtos mais baratos, muitas vezes sob as ordens dos contrabandistas burgueses piratas que até no Senado pululam.
Como se sabe desde dois séculos atrás o Estado burguês não tem como responder às necessidades de suas populações. Responde com a repressão que busca excluir fisicamente o que já exclui simbolicamente. O cinema, brasileiro, e consciente não pode ser cúmplice das arremetidas do poder e dos governos contra a população, somos os seus olhos.
Espero que a estudantada ao invés de acotovelar-se na vergonhosa festa do anti-cinema nos festivais busque onde estiverem os exemplos de um cinema que não é feito para holofotes que inclusive atrapalham as projeções mas sim é o cinema que pode contribuir para mudar e fazer justiça ao mundo que acredito é a razão para que os cineastas
continuem com as idéias nas cabeças e as mãos na consciência a fazer não só filmes mas o que tantos tem feito que é o cinema para um mundo melhor.
Se alguém precisamos copiar são os meninos malabarizando limões no trânsito, porque os adultos já se deixaram levar pelo comodismo da pança cheia.
Pensamos em fazer do Cine ABI a nossa parte de esclarecimento não tanto para o consumo mas para a reflexão do que fazer do resto de nossas vidas. Sigam-nos os que forem brasileiros. Até lá, amanhã e
todas as segundas às 18:30.
Sergio Santeiro – cineasta, artista de vanguarda

Apertos

terça-feira, fevereiro 18th, 2014

Como acreditar em vida após a morte
Até o meu estilo é incorrigível
Sem meias nem peias
É melhor prevenir quando não se tem como remediar
Há mais dinheiro na mesa mas menos mesa
Se é inatingível deixa pra lá
Por que o estado brasileiro só serve pra melhor servir o estrangeiro?
Como a cereja e o bolo e lambo o resto
Melhor lambido que lambada
O negócio é desocupar o ocupante
O funil é grande demais na boca e de menos no bico
Critério é manha de esperto
Nem a maior nem a melhor apenas mais uma
E se metade da população vive assim a outra metade não merece viver melhor
Ela é bonitinha ela é gostosinha mas não sei se ela sabe da coisa
Uso o talismã no pulso não fosse ele o que seria de mim
Um bom baseado resolve tudo um ruim também
Tentando tanto de repente acontece
Ela sabe que eu não resisto a um sorriso
As mulheres são intencionadas
Quando eu penso em quem não vejo eu não sei por que não vejo
Elas acham que são livres mas é só até certo ponto
Bonitinha e coxuda vai fazer a alegria de muito varão
O que não pode ser não será
Fosse fácil não tinha pergunta
Não sei como vocês sem sair da poltrona disparam comentários tão desairosos sobre os outros
Se é com roupa não vou
O esquecimento salva-nos de tudo
Deve ser difícil ou fácil demais agradar jurado
Pasmo ou espasmódico
Gosto das coisas sempre as mesmas
Qualquer obra fala por si
Para um ateu confesso seja o que deus quiser
Se assim foi é porque assim é
Só se pode ser julgado por seus pares
Não faz birra não faz manha
Menos ganha quem mais ordenha
O cinema não é a mera sucessão de imagens é preciso sentí-las
A falta de sentimento é sentimento também?
Tudo é sentimento.

Suores

terça-feira, fevereiro 11th, 2014

A quem dedicarei minha atenção
O barato é não ser vil
Por que eu não fiz?
Ainda bem que não sou só eu
A vida é perfeita “nóis é que atrapáia”
Penso em você como eu me lembro de você
Diz pro poder que a turma da área disse que é assim
O tanto que tenta arrebenta
Qualquer rio é limpo sujo é quem lhe joga sujeira
O ser esquivo não pega onda
Cultura é cultura comércio é comércio
Pra eles sempre tem pra nós é que pouco vem
Por que não aspirar ao máximo e não o máximo
Eu queria gozar como há dez anos um tiro de canhão
Bons ou maus hábitos fico com os meus
Viva eu viva o nabo viva do tatu o rabo
O bom do infinito é que se não o alcançamos ele também não nos pega
Imagina o poder de destruição praticado por nossos governantes
Chega aí mais velho
A fêmea reafirma o poder do macho
Descanso
Há que ser firme na resposta melhor que na pergunta
Aí você descobre que não precisa de muita coisa
É poético é político é cabeça
É feio eu dizer o que penso de vocês meninas
Quem souber o caminho ensina
Quem sofre não comenta
O mundo está aí pra se entender
A coisa só avança numa aliança dos interesses comerciais e artísticos
Que cada um avance na sua direção
Confesso o meu desconhecimento da vida alheia e talvez da minha própria
Muitas janelas para o mesmo cenário
É o que a vida nos faz fazer
E não tem a quem reclamar
Quando souber quem és te direi quem sou
Nem mais nem menos que o possível
Virão na véspera do bissexto
E a tentativa de sonhar um mundo melhor mas eu não sonho
É sonho quando te lembras ao acordar senão nem sabes o que é sonhar
E sonhar é fundamental