segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Moedas Criativas: Corte 1.0

O projeto “Moedas Criativas – Interações Estéticas 2009-2010″ tem como resultado a produção de conteúdo audiovisual que servirá de base para um curta-metragem sobre o tema “Dinheiro e Cultura”.

A produção do curta-metragem foi conduzida em parceria com a MTV.

Numa primeira etapa, foram realizadas pesquisas, entrevistas, casting e locações, gerando um primeiro corte a partir do qual o processo de emissão de moedas criativas prosseguirá ao longo do segundo semestre de 2010.

Nas próximas semanas, esse blog publicará mais imagens, vídeos, podcasts e outros conteúdos audiovisuais relativos ao projeto. Entre os dias 9 e 17 de outubro, a “Van House” realizará expedições a partir do evento SELIGA! – Semana de Literatura Infanto-Juvenil, Games e Artes no Sítio do Pica-Pau Amarelo e na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Taubaté.

Volte, confira e interfira nesse processo de criação de moedas e mídias sobre o tema “cultura e dinheiro”.


Garatuí: Experiência Pioneira

Em 2003, na Praia da Pipa, a instalação de um telecentro com apoio do governo federal teve como uma de suas inovações a criação de uma moeda social, amparada na comunidade local de empresários, artistas e intelectuais. O objetivo era testar a ideia de uma transformação na cadeia de valor do turismo local a partir da emissão de uma moeda complementar.

Saiba mais sobre essa experiência pioneira implementada pelo grupo de pesquisa Cidade do Conhecimento da Universidade de São Paulo.


Moeda é Mídia

A crise econômica internacional é uma crise de ícones, a começar do ícone maior do sistema econômico global: a moeda. Do euro que derrete ao dólar que estremece, o terremoto financeiro põe a nu as engrenagens da própria representação da riqueza. A cultura, a arte, o mecenato, as leis de incentivo, a economia feita de capitais humanos, sociais e simbólicos não passa ao largo. E se além de vítima da crise, o mundo da representação tivesse em si a semente da reconstrução de uma sociedade global mais harmônica, íntegra e sustentável?

Esse é o espírito do projeto transmídia Moedas Criativas: inverter a determinação causal que sempre colocou a cultura a reboque dos “fatores econômicos” para levar a cabo, numa rede global de experimentação sócio-técnica, o poder criativo contido na liberação do poder coletivo de criação monetária.

Moeda é mídia. No planeta atravessado por novas tecnologias de informação e comunicação, o poder, a técnica e o sentido que emanam da representação maior da riqueza, o fetiche do dinheiro, passam a atuar em sinal contrário, instaurando relações de troca, acumulação, entesouramento, poupança e investimento que aproximam Adam Smith de Georges Bataille, John Maynard Keynes de Michel Foucault, Milton Friedman de Jacques Lacan, o Banco Central de uma galeria de arte e o sistema de crédito de uma poderosa e inovadora máquina de criação e inteligência coletivas.

Moedas Criativas é um jogo, uma rede, um pacto político, uma revolução local que muda o sinal da transformação global. Moeda também é medo.

A crise global trouxe para primeiro plano o imperativo de repensar e reconstruir o marco regulatório global para as atividades financeiras. Também ganhou prioridade a reconexão dos mecanismos e instituições de financiamento ao “mundo real”, ou seja, a atividades com resultados sustentáveis e relevantes para a geração de emprego, conhecimento e identidades locais.

O financiamento à cultura destaca-se entre as necessárias novas “âncoras” da circulação monetária e financeira. E o Brasil já ganha destaque nesse contexto, ao trazer para o centro do debate a reforma das instituições de fomento à cultura, da Lei Rouanet ao “vale cultura”. O projeto “Moedas Criativas” coloca em discussão as novas formas de representação do valor da cultura assim como a cultura dos que lideram a reconstrução do sistema produtivo globalizado. mobilizando entes de governo federal como o Banco Central, a Receita Federal, o Ministério da Ciência e Tecnologia, a Secretaria de Economia Solidária (SENAES) e a USP, assim como expressivas lideranças no ativismo digital e cultural que hoje ampliam os horizontes da economia criativa gerando novas tendências e projetos em comunidades locais que já se lançam ao uso de “moedas criativas”, também conhecidas como “sociais” ou “complementares”.

Essas moedas abrem novas possibilidades de produção e distribuição de bens e serviços culturais, combinam inclusão digital, geração de renda e empoderamento de comunidades locais, abrindo uma nova era de interações (online e offline), em escalas onde ganha densidade o hibridismo entre o local e o global.


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