Um exemplo da importância estratégica da comunicação para a cultura foi a decisão do ministério de incluir um eixo de discussão e propostas só para o tema “Comunicação é Cultura” na 1ª Conferência Nacional de Cultura, ocorrida em Brasília (2005).
A comunicação foi a questão mais valorada pelos 53.507 participantes do processo, sendo registrado no Relatório Analítico da CNC “os meios modernos de comunicação são os veículos mais presentes na transmissão dos valores culturais e devem ser comprometidos com a irradiação da cultura na diversidade das expressões e manifestações culturais e das diferentes regiões do País” e continua “a Conferência teve esta consciência e agregou o tema e à Lei Geral de Comunicação, que nos cabe consagrar, os atributos da descentralização e regionalização, da universalização, da democratização, do fortalecimento dos meios alternativos e comunitários, da participação da sociedade civil nos processos de concessão de canais ou ondas eletromagnéticas de comunicação”.

Reunião da Comissão Pró-Conferência Estadual de Comunicação em Florianópolis/SC. Foto: Thiago Skárnio
O tema ainda marcou boa parte das 30 prioridades para a cultura, elencadas na CNC, para integrarem o Plano Nacional de Cultura.
Em 2010 vai acontecer a 2ª Conferência Nacional de Cultura e já consta em seu texto-base o sub-eixo “Cultura, Comunicação e Cidadania” com as palavras “a produção, difusão e acesso às informações são requisitos básicos para o exercício das liberdades civis, políticas, econômicas, sociais e culturais. O monopólio dos meios de comunicação (mídias) representa uma ameaça à democracia e aos direitos humanos, principalmente no Brasil, onde a televisão e o rádio são os equipamentos de produção e distribuição de bens simbólicos mais disseminados, e por isso cumprem função relevante na vida cultural”.
Felizmente a pauta da comunicação terá seu próprio espaço em dezembro de 2009, quando acontecerá a 1ª Conferência Nacional de Comunicação – Confecom, com o objetivo de discutir e elaborar propostas de Políticas Públicas para a área das comunicações no Brasil. As articulações para as Conferências Estaduais, Regionais e Municipais já começaram pelo país e os produtores culturais devem, a exemplo do que os ativistas da comunicação fizeram na Conferência de Cultura, participar e levar as suas pautas para este fórum.

Reunião da Comissão Pró-Conferência Estadual de Comunicação em Florianópolis/SC. Foto: Thiago Skárnio
Temas como a necessidade de mediação da esfera pública entre os interesse das Teles e dos Radiodifusores, a formação de público, os novos modelos de negócios propiciados pela tecnologia, a anistia aos comunicadores populares e a regionalização da produção de conteúdo são tanto de interesse dos comunicadores quanto dos produtores culturais.
Seguindo a política transversal do Minc, que agrega em suas ações as demandas sociais, culturais e comunicacionais, os Pontos de Cultura tem se mostrado elos importantes para a integração entre os meios artísticos e midiáticos. Além dos Pontos, os articuladores da Ação Cultura Digital e os Pontões de Cultura estão participando ativamente do processo.
No sul do Brasil por exemplo, os Pontões Kuai Tema, Soy Loco, Minuano, Diplô na Rede e Projeto Ganesha fornecem, inclusive, estrutura logística para algumas atividades das comissões pró-conferência.

Da esquerda para direita: Marco Antônio "Amarelo" (Kuai Tema), Ricardo Oliveira (Minuano), Ana Paula Stock (Regioal Sul Minc), Francelle Cocco (FOCU) e Thiago Skárnio (Ação Cultura Digital). Foto de Gustavo Guedes de Castro