Olá Ministra!

Desde o anúncio no dia 20 de Dezembro da escolha de Ana de Hollanda pela presidente eleita Dilma Rousseff para chefiar o Ministério da Cultura, o debate sobre o futuro das políticas públicas para a Cultura no Brasil tem se intensificado nos encontros presenciais e na internet, em listas de e-mails, fóruns de sites especializados, blogs e redes sociais.

A reação é natural, já que a comunidade cultural brasileira – produtores, gestores, artistas e ativistas – tem participado ativamente das definições políticas e dos rumos do Ministério da Cultura nos últimos oito anos. Esta participação não foi só bem recebida como estimulada pelo próprio Minc.

Os debates aconteceram tanto presencialmente, durante as Teias, Conferências de Cultura e inúmeros eventos apoiados pelo Ministério (como os Festivais Software Livre e Jornadas Cineclubistas) quanto virtualmente, com o diálogo constante em redes virtuais.

Destes encontros e debates, foram construídas as propostas de alteração da Lei Rouanet e a Reforma da Lei dos Direitos Autorais. Este é o motivo da apreensão na rede após a declaração da Ministra, de que vai rever as reformas e “consultar especialistas”. Uma declaração estranha, já que inúmeros especialistas participaram de todo o processo, em conjunto com artistas populares, empresários e gestores.

A Ministra Ana de Hollanda, além de artista (é cantora), possui experiência administrativa na área pública, ou seja, além de viver na própria pele os dilemas da produção cultural no país, conhece tanto a necessidade de revisão dos problemas de uma máquina pública engessada quanto a necessidade de continuidade de ações acertadas e consensos construídos.

A Ministra poderá encontrar após o dia 1º de Janeiro de 2011 um ambiente crítico, integrado por muita gente envolvida ativamente com o setor. Mas, com certeza, ela encontrará um ambiente de diálogo e uma rede pronta para continuar colaborando com o governo na construção de políticas públicas de acesso e fomento cultural no Brasil.

Uma das principais contribuições da gestão Lula para o setor cultural no país foi o desenvolvimento de uma cultura participativa. Portanto, somos todos ouvidos.

E bocas.

Carta Colaborativa

Os produtores culturais, artistas e militantes da cultura estão organizando uma carta aberta à Ministra para pontuar as demandas do setor: http://piratepad.net/minc Participe!

Cobertura Colaborativa

Para não ficar só recebendo as informações sobre o novo Mandato via imprensa comercial e estatal, muitos coletivos de mídia alternativa (ou “mídia livre”) decidiram começar uma cobertura alternativa: http://piratepad.net/EntrevistaAnaMinistraDaCultura Participe!

O que foi falado até agora.
Opiniões e informações cuja leitura julguei interessante indicar:

BLOGS

http://tropicaline.wordpress.com/2010/12/21/o-%C2%AB-povo-do-twitter-%C2%BB-e-o-novo-ministerio-da-cultura/

http://www.culturadigital.br/cineclubes/?p=3512

REVISTAS

http://www.revistaforum.com.br/blog/2010/12/20/ana-de-holanda-no-minc-e-vitoria-de-grupo-petista/

http://www.culturaemercado.com.br/noticias/ana-de-hollanda-sera-a-nova-ministra-da-cultura-do-brasil/

MINC

http://www.cultura.gov.br/site/2010/12/22/coletiva-de-imprensa-4/

JORNAIS

http://noticias.bol.uol.com.br/brasil/2010/12/22/nova-ministra-esta-ligada-a-grupo-contrario-a-gilberto-gil.jhtm

http://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/ana+de+hollanda+nao+tem+nada+de+troca+de+gentilezas/n1237890688929.html

http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/849671-fragilidade-institucional-do-minc-sera-desafio-diz-juca-ferreira.shtml

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101222/not_imp656677,0.php

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101222/not_imp656675,0.php

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20101222/not_imp656656,0.php

http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2010/12/22/ministra-da-cultura-vai-rever-nova-lei-do-direito-autoral-923343009.asp

#SOSinternetVE: O AI 5 Digital Venezuelano não merece um Mega Não também?

Quanto mais a internet se populariza no mundo, conectando cidadãos de todas as classes, credos e outros tipos de diferenciação entre um indivíduo e outro, mais incomoda o status quo.

O compartilhamento de informação e a associação de pessoas em torno de idéias e anseios são tão velhos quanto pintar em paredes ou clamar por dias melhores ao céu. A novidade é a velocidade e a exponencialização ao planeta de uma opinião, crítica ou informação individual. Velocidade esta que deixa tanto as grandes corporações quanto os governos, no mínimo, apreensivos…

Imagine o perigo que representa um consumidor ciente de seu papel em qualquer indústria? Imagine o estrago que se pode fazer com o boicote de um produto se este mesmo consumidor decidir simplesmente não comprá-lo por conta das ligações da empresa com o desenvolvimento de armas químicas? Imagine se a família, amigos e amigos dos amigos também passarem a fazer o mesmo em poucos dias porque viram as informações no orkut do individuo e concordaram?

Outros perigos decorrentes do despertar de uma sociedade em rede que ainda hiberna aos som dos programas de auditório na TV são os usos que a difusão imediata de informações pode trazer para os Governos que não nutrem muita simpatia por processos transparentes. Em função desta “ameaça” que a rede representa para as grandes corporações e governos autoritários, a internet tem sofrido ataques constantes contra a sua atual configuração.

O tal do ACTA

Em escala Global, uma das iniciativas mais impactantes é o “Acordo Comercial Anticontrafação” (ACTA, em inglês Anti-Counterfeiting Trade Agreement). O ACTA é um tratado comercial internacional que está sendo negociado com o objetivo de estabelecer padrões internacionais para o cumprimento da legislação de propriedade intelectual.

Este tipo de acordo, quando consolidado, dará margem a inúmeras restrições ao compartilhamento de arquivos entre os usuários da internet. A criminalização dos cidadãos conectados à rede é uma alternativa muito usada pela indústria do entretenimento através da mídia e dos seus lobbies nos parlamentos. Outras formas de censura são as ações judiciais aos provedores, forçando-os a bloquear o acesso de seus usuários a sites como o Centro de Mídia Independente, por exemplo.

No Brasil, este movimento de vigilantismo na internet é encarnado de forma mais eloqüente no Projeto de Lei Nº 84/99 do senador Eduardo Azeredo (PSDB). O PL (aprovado em duas comissões na Câmara em outubro de 2010) criminalizará várias práticas cotidianas na Internet, além de colocar em risco a privacidade dos internautas.

A desculpa para tais projetos é sempre a mesma: impedir o acontecimento de crimes como a pedofilia na rede; sendo que os tais crimes não acontecem na rede, mas de forma presencial em qualquer rodovia no Brasil a céu aberto todos os dias.

AI-5 Digital: O Problema é moderno, a estupidez é a mesma

Por conta do seu caráter de censura, a PL Nº 84/99 passou a ser chamada pelos ciberativistas de “AI-5 Digital” em referência ao Ato Institucional nº 5, de 1968, quando o regime militar decidiu fechar o parlamento e acabar com a liberdade de expressão no país.

O vigilantismo na internet tem sido cada vez mais combatido no Brasil tanto pelos movimentos sociais pela democratização da comunicação (em atividade há mais de 20 anos no país) quanto pelos movimentos nativos da própria rede, associados geralmente ao Software Livre e a Cultura Digital.

E para os Hermanos, nada?

É de se estranhar que a “Ley de Responsabilidad Social en Radio, Televisión y Medios Electrónicos”, aprovada no dia 20 de Dezembro pela Assembleia Nacional da Venezuela, tenha recebido desde então poucas e tímidas manifestações destes movimentos.

A Lei, que rege o setor de comunicações na Venezuela, apresenta várias restrições à liberdade de expressão e até criminalização dos cidadãos que, por exemplo, “incitem o ódio e a intolerância para com religiosos e políticos”. Ora, já não bastaria a proibição da incitação de ódio “da diferença de gênero, por racismo ou xenofobia” também presente na Lei?

Outra pérola presente no Artigo 28 (da proibições) do Capítulo VII do documento é a proibição de “Promover a ansiedade no público ou perturbar a ordem pública”. As possibilidades de uso do Artigo 28 da Ley de Responsabilidad Social en Radio, Televisión y Medios Electrónicos são tão grandes que talvez só a mente carente de diversão de uma autoridade obtusa poderá explora-lo em sua totalidade.

A legislação ainda ordena que os provedores estabeleçam mecanismos para “reduzir imediatamente a transmissão de todo conteúdo proibido”. O conteúdo oficial está no seguinte endereço eletrônico: http://www.asambleanacional.gob.ve/index.php?option=com_docman&task=doc_view&gid=2771&tmpl=component&format=raw&Itemid=185〈=es Tire as suas próprias conclusões.

Até a data de publicação deste post, este autor não identificou uma linha sequer sobre o assunto nos principais sites que tratam da democratização da comunicação no Brasil ou até mesmo da cultura digital.

Já que estas medidas – nada progressistas – do governo Venezuelano fazem parte da “intensa onda vigilantista mundial vem assolando o ciberespaço”, o presidente Hugo Chávez não merece um Mega Não também?

Será que somente Julian Assange merece tuitaços, declarações presidenciais e movimentos de solidariedade dos ciberativistas brasucas?

Será que temos no país um ativismo realmente dedicado à cultura livre e democratização da comunicação ou estas são apenas mais bandeiras estratégicas para interesses corporativistas?

O Venezuelanos por eles mesmos

Existem muitas manifestações na Internet dos próprios Venezuelanos. Estas expressões podem ser encontradas pela hashtag #SOSinternetVE no Twitter e sites de busca. Também existe um perfil no microblog para a divulgação das informações: http://twitter.com/SOSinternetVE.

Publicado originalmente: www.sarcastico.com.br

Conselho Municipal de Política Cultural de Florianópolis fará reunião expandida sobre Cultura Digital

A Cultura Digital é uma área cada vez mais necessária nas políticas públicas no Brasil. Para que todo o potencial da cultura de uso das novas tecnologias seja explorado tanto na sociedade civil quanto na administração pública é necessário muito trabalho e debate.

Iniciando uma “rodada de escuta dos setores” para fortalecer a política cultural na capital Catarinense, o Conselho Municipal de Política Cultural de Florianópolis fará uma reunião expandida sobre o tema Cultura Digital. Segundo Marta César, presidente do Conselho, “a Cultura Digital não poderá faltar em nosso planejamento nos próximos dez anos, como não temos conselheiros específicos na área, convido a todos os interessados a participar desta conversa”.

O comunicador Thiago Skárnio fará a apresentação conceitual da Cultura Digital e a produtora cultural Christiane Ramirez fará uma explanação sobre o Sistema de Informações Culturais, projeto que desenvolve nos últimos anos. Christiane explicará as questões envolvendo “a necessidade do estado de se organizar e prever no orçamento verba para esta nova realidade de prevenção e preservação de dados sociais e patrimoniais no mundo digital e virtual”.

A Reunião expandida de Cultura Digital acontecerá nesta quinta-feira, às 19h na Casa da Memória (Centro de Florianópolis) e será transmitida no blog http://politicaculturalfpolis.blogspot.com e site www.ganesha.org.br.

O quê: Reunião expandida de Cultura Digital
Onde: Casa da Memória – Rua Padre Miguelinho nº 58, Centro. Esquina com Rua Anita Garibaldi (Imediações da Catedral Metropolitan)
Quando: 25 de Novembro de 2010, ás 19 horas.

 
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