ESTA FECHADO E ABANDONADO – AUDITÓRIO CELSO GARCIA – SÃO PAULO:

ESTA FECHADO E ABANDONADO – AUDITÓRIO CELSO GARCIA – SÃO PAULO
AUDITÓRIO CELSO GARCIA, O BERÇO DAS REIVINDICAÇÕES TRABALHISTAS DO
OPERARIADO PAULISTA
As peças de teatro operário realizadas no Auditório Celso Garcia faziam
parte do calendário cultural dos trabalhadores no século passado. Eram
centradas na discussão de suas condições de vida. A peça "Il Primo Maggio",
do anarquista, Pietro Gori, sobre o "1º de Maio" foi tradicionalmente
encenada nesse auditório.

Com o advento dos chamados "sindicatos oficiais" e com a instalação do
Estado Novo as atividades operárias foram inicialmente conduzidas e
posteriormente reprimidas em todos os níveis.

Com o processo de democratização, marcado pela Constituinte de 1945, as
reuniões operárias voltaram a acontecer no prédio das Classes Laboriosas. O
trabalhador como agente social, foi durante muito tempo negligenciado na
História Brasileira e a documentação referente às suas lutas foi sempre
caçada e "quase sempre" destruídas.

A documentação oral torna-se nesse caso, fonte importante de informações
para a História Social, com depoimentos de antigos associados que fazem
referência ao Prédio das Classes Laboriosas. Como resultado de pesquisas
encontramos referências ao Prédio como o QG da greve de 1953, que envolveu
300 mil trabalhadores durante 27 dias, com resultado vitorioso. Sem grandes
pretensões arquitetônicas o pequeno prédio da antiga rua do Carmo
constitui-se sem dúvida, num marco na história dos trabalhadores de São
Paulo.

O Auditório Celso Garcia servia para as solenidades da
associação e era constantemente alugado ou cedido para a realização de
eventos culturais que empolgavam a provinciana São Paulo do início do
século. O local era também o ponto avançado para as grandes reivindicações
trabalhistas.

Em 23 de abril de 1912 o jornal A Lanterna convocava os trabalhadores para
um comício contra a "carestia de vida", em que falaram Silvio Romero, hoje
nome de praça no Belém, além de Passos Cunha e Demétrio Seabra. O jornal A
Lanterna, de 22 de janeiro de 1910 noticiava os eventos culturais da semana
anunciando com destaque a programação artística: Ópera Giordano Bruno, de
Moro Mori, "Primeiro de Maio", comédia de Demétrio Alatri, Conferência em
Língua Italiana, Coro da Ópera Nabuco, de Verdi, Declamação de Poesia e
Baile de Encerramento.

Além disso, no auditório foram realizadas reuniões decisivas para o
desenvolvimento das reivindicações dos operários, com ampla cobertura do
jornal A Plebe. Conferências e palestras ali foram realizadas e que
mobilizaram a população de São Paulo nas campanhas de socorro público da
qual as Laboriosas faziam parte, bem como na prestação de assistência às
vítimas da epidemia da gripe espanhola que assolou a cidade por volta de
1918.

O tombamento do prédio das Classes Laboriosas pelo Condephaat –
Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e
Turístico do Estado de São Paulo representa o reconhecimento oficial do
Governo do Estado à entidade, pela sua comovedora história em favor dos
trabalhadores de São Paulo.

No início do século, mais precisamente em 1907, as Classes
Laboriosas entidade beneficente, sem fins lucrativos, construíram sua nova
sede na rua do Carmo 25. Por lei municipal de 1952 o nome da rua foi mudado
e o novo endereço das Classes Laboriosas passou a ser rua Roberto Simonsen,
22. As novas instalações foram ocupadas por consultórios médicos e
dentários, laboratório e farmácia. Para ajudar nas despesas, o espaço
restante foi alugado, instalando-se no local o Centro Dramático e Recreativo
Internacional, o Grêmio Dramático Maria Falcão e o Grêmio Dramático e
Recreativo Anita Garibaldi. Uma feliz união entre o aspecto assistencial e a
cultura foi fundida na mesma associação, com a participação dessas
companhias teatrais. Era o advento do teatro operário paulista.

Espetáculos culturais passaram a ser apresentados no auditório Celso
Garcia, um dos mais belos do começo do século e que conserva ainda hoje
suas características originais, como vitrais e gradis de ferro nas escadas.

O Salão Celso Garcia foi palco de inúmeras atividades operárias e sindicais
desde o início do século até a década de 60, fazendo, portanto, parte da
história e do patrimônio cultural dos trabalhadores de São Paulo. O luxuoso
e preservado salão Celso Garcia assim foi denominado em homenagem ao grande
benfeitor das Classes Laboriosas, Afonso Celso Garcia. Recentemente a atriz
Eliana Rocha em companhia da atriz global Jandira Martini produziram uma
peça chamada SONHO DE UMA NOITE DE OUTONO contando a história do trabalhismo
no Brasil que foi encenada no próprio auditório Celso Garcia, ficando oito
meses de temporada em cartaz.

HISTÓRICO

No ano de 1891, um grupo de carpinteiros e pedreiros se uniu para garantir
assistência médica para suas famílias. No sistema de cooperativa alugaram
uma sala e contrataram dentistas e médicos para os associados. Nascia a
Associação Auxiliadora das Classes Laboriosas, pioneira na organização de
assistência médica para a classe trabalhadora do País. O nome vem de
"labor", que em latim quer dizer trabalho. Desde o início, a maior
preocupação da entidade foi garantir o acesso dos trabalhadores a médicos
por preço acessível. Atualmente cerca de 40 mil pessoas são associadas.
Surgiu como Associação dos Carpinteiros e Pedreiros, iniciativa de uma
parcela, talvez a menos favorecida, dos trabalhadores da construção civil.
Eles fincaram os alicerces das Classes Laboriosas, edificada por dois
segmentos de mão-de-obra especializada – pedreiros e carpinteiros , cujo
mister específico era o de construir. A partir de um sonho, construíram uma
realidade.

Nas três últimas décadas do século passado o modelo das Classes Laboriosas
foi copiado, sendo criadas cerca de 20 sociedades mutuarias mas que não
obtiveram êxito. As mutuais, como eram designadas as associações da espécie,
contrapunham-se as "caixas de empresas" ,que resultavam em pesados descontos
e multas para tratamento médico de seus operários. Segundo Hélio Negro e
Edgard Leuenroth, uma família operária de quatro pessoas gastava
mensalmente, em São Paulo, cerca de 207$000, ( 207 mil réis, moeda da época)
não estando aí incluídos gastos com condução, educação e lazer. Nessa época,
os salários variavam entre 80$000 e 120$000. O déficit era evidente. A
situação de pobreza da maior parte dos operários paulistas na época pode ser
avaliada pelo alto índice de mortalidade infantil e de moléstias diretamente
ligadas às condições de higiene e alimentação, como a tuberculose, ou mesmo
epidemias sazonais como a gripe espanhola que em 1918 atingiu milhare
s de
pessoas. Os injustos descontos na folha de pagamento feito pelas empresas,
empurraram os trabalhadores para as Classes Laboriosas em busca de
assistência médica barata e condizente com a realidade socioeconômica da
época. Comemorando em 2006 115 anos a Classes Laboriosas pretende
intensificar as apresentações no Auditório Celso Garcia, onde foram feitas
cenas pela Rede Globo para a minissérie "Um só Coração", de Maria Adelaide
Amaral. A suntuosidade arquitetônica do auditório já foi mostrada no
programa Metrópole da TV Cultura e pela Rede Record. O auditório fica na rua
Roberto Simonsen, 22. Centro.

Teatro da Associação Auxiliadora das Classes Laboriosas (AUDITÓRIO CELSO
GARCIA )
Avenida Rangel Pestana, nº 265 , 1º Andar
Tels: (11) 3293-3825 / 3293-3888 / 3293-3802
Fax: (11) 3293-3806
200 LUGARES

FONTE: Amilton Ferreira
3869-9554 – 8787-6187 – 8096-5246
AGITADOR CULTURAL – UOL Blog
http://agitadorcultural.zip.net/

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